domingo, 4 de janeiro de 2026
quinta-feira, 18 de dezembro de 2025
Nós os ricos, táver...
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"Vamos ter residências todas renovadas que, daqui a cinco anos, vão estar todas degradadas. Quando metemos pessoas de rendimentos mais baixos a beneficiar do serviço público, sabemos que se deteriora. É assim nos hospitais e nas escolas públicas". Fernando Alexandre, ministro da educação e do ensino superior.
Este discurso, de um classismo sofismático armado aos cágados, é um atavismo reaccionário profundamente português. Nem sequer é um pensamento político - apenas o reflexo de um sentimento generalizado; uma falta de consciência política que culpabiliza os pobres pela pobreza e interioriza que “ter rendimentos mais baixos” é um anátema insuportável.
O que o torna patético é ter sido proferido em público pela cândida imbecilidade de um gandarês que nasceu na Gafanha da Nazaré, já aviou copos numa discoteca em Quiaios, tem responsabilidades políticas e fala com a presunção suficiente e petulante de nós os ricos, táver...
É mais um cromo para o rosto hediondo da javardice.
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quarta-feira, 17 de dezembro de 2025
A luta contra a corrupção está ao rubro
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Depois de uma longa e apurada averiguação preventiva à empresa da família do senhor Montenegro, a arquivadoria-geral da republica deliberou que afinal está tudo nos trinques: o senhor Montenegro pode continuar a perpetrar seja lá o que for que está a tentar.
Esta tudo bem assim e nem podia ser de outra maneira, terá suspirado o procurador Amadeu Guerra depois de muito procurar e não achar e antes de dizer - arquive-se.
A luta contra a corrupção continua. É uma guerra. Não é para meninos, amadeu.
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quarta-feira, 22 de outubro de 2025
A pose e a posteridade
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Pinto Balsemão, o tubarão da massa falida da comunicação social lusitana, bateu a caçuleta. O país reaccionário não sabe o que dizer. Quando não se sabe o que dizer diz-se qualquer coisa, mas o tom geral é o convenientemente amnésico, automático e prosternado. A imprensa também passa o pano e diz o que lhe vem á cabeça: “Balsemão (1937-2025), moderno e liberal com pose de príncipe” proclama o Público, em obituário.
“Portugal nunca o esquecerá” disse Marcelo.
Carlos Moedas enalteceu a coragem de Pinto Balsemão e a sua "energia muito única", além da "capacidade de comunicação absolutamente extraordinária" e o facto de ser um homem "moderno".
O Cavaco também lamentou a morte do magnata, recordando que a condecoração da Grã-Cruz da Ordem da Liberdade que lhe concedeu foi a “expressão máxima de gratidão” pelo seu contributo ao país.
O pequeno Marques Mendes suspendeu a campanha.
Miguel Albuquerque, presidente do Governo da Madeira, lembrou Balsemão como um "grande português" que "vai fazer muita falta". Na memória, Albuquerque leva os encontros onde os dois tocavam juntos - Balsemão na bateria, Albuquerque no piano - e a última conversa que teve com o antigo primeiro-ministro sobre os desafios colocados pela Inteligência Artificial. "Era um visionário", rematou.
Rangel, o anão das Nece(ssi)dades, disse que “Estar com Francisco Pinto Balsemão era respirar liberdade em todos os minutos e em todos os momentos em que ele não renunciava a acender o seu cigarro. Também nisso era um homem livre e um homem independente".
Andrézito, o fascista do partido Chega mandou “um abraço solidário à família e aos amigos, reconhecendo também o legado marcante que deixou no nosso país e na construção de novas formas de comunicar em democracia", disse ele em publicação na rede social X.
A Associação Portuguesa de Imprensa (API) lembrou que “enquanto profissional e dirigente político, Pinto Balsemão foi um defensor da liberdade de imprensa e da autonomia dos jornalistas, valores que sempre considerou pilares fundamentais da democracia.”
Finalmente o PS, em nota de pesar enviada à Agência Lusa, enfatizou que "Balsemão deixa um legado de independência, sentido de serviço público e defesa intransigente da liberdade de imprensa" e que "Soube sempre honrar o valor do debate democrático e da convivência entre diferenças, princípios fundamentais da vida democrática que partilhou com o Partido Socialista nas grandes etapas da construção de Portugal livre e europeu".
Um vulto.Um príncipe. Em 2011 fiz-lhe este retrato - em efígie e em poucos traços, que agora reedito sem sequer considerar retocar; tal como a ficha, ou verbete, em quatro parágrafos, que podeis ler se vos derdes ao trabalho de seguir o link.
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sexta-feira, 3 de janeiro de 2025
Retrato de um grande filho-da-puta
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Começo o ano novo com a re-edição do retrato de um filho-da-puta. E desejo a todos boas festas e um excelente natal.
Quando o editei a primeira vez, em 2013, Helder Rosalino ainda era apenas um pequeno filho-da-puta (era secretário d'estado da administração pública do governo da troika, o que significa que era ele que dirigia a purga na função pública).
Mas, tal como vaticinei, o secretário-rosalino cresceu e tornou-se naquilo que sempre almejam todos os filhos-da-puta: um grande, um enorme, repolhudo e rematado filho-da-puta – a dezasseis mileuros ao mês, no Banco de Portugal.
Como é imensamente “cólificado”, rosalino ia agora a "secretário-geral do governo", um cargo que não existia até agora e ninguém sabe exactamente para que serve mas que parecia desenhado à medida (o governo até alterou a lei de propósito para "o conformar") de um grandessíssimo filho-da-puta. A filhodaputice era tal que o governo previa que fosse o próprio Banco de Portugal a pagar o salario filho-da-puta do rosalino a secretário-geral.
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terça-feira, 22 de outubro de 2024
Retrato de um imbecil (com memória descritiva)
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Fernando Manuel de Almeida Alexandre nasceu em 1972.
É licenciado e mestre em Economia pela Universidade de Coimbra e doutor em Economia pela Universidade de Londres, Birkbeck College, Reino Unido, em 2003.
É Professor Associado com Agregação da Universidade do Minho.
Foi de Pró-Reitor da Universidade do Minho, presidente da Escola de Economia e Gestão e diretor do Departamento de Economia.
Foi vice-presidente do Conselho Económico e Social.
Foi consultor da Fundação Francisco Manuel dos Santos.
É investigador e autor ou coordenador de oito livros sobre a economia portuguesa, tendo publicado ainda artigos em revistas científicas internacionais.
Foi consultor de entidades públicas e privadas, como a Comissão Europeia e o Governo português.
Foi Secretário de Estado Adjunto do Ministro da Administração Interna no XIX Governo Constitucional, de 2011 a 2015.
Colabora regularmente com os meios de comunicação social.
O curriculum (ou cadastro) que acabais de ler foi retirado ipsis verbis do portal (ou lá o que é) do Governo de Portugal. Foi o que me surgiu, à cabeça, na pesquisa que fiz quando me propus desenhar o retrato deste doutor e mestre em economia escolhido por Luís Montenegro para ministro da educação nacional do XXIV Governo Constitucional.
Para o retrato ficar acabado, ou seja, para que possais ficar com uma ideia mais aproximada e abrangente da densidade, ou espessura, intelectual de sua excelência, tomei a liberdade de lhe acrescentar, com a devida vénia, a primeira parte de uma peça do jornalista Fábio Monteiro, da Renascença (podeis lê-la na íntegra aqui). Eis, pois, a pincelada final:
“A revisão do currículo da disciplina de Cidadania “não é o tema mais importante do sistema educativo”: eis a primeira reação do ministro da Educação, Fernando Alexandre, ao anúncio feito por Luís Montenegro, no domingo, durante o encerramento do Congresso do PSD.
O primeiro-ministro prometeu “libertar” as “amarras ideológicas” da disciplina – que entrou para o currículo escolar em 2017, pela mão do ex-ministro socialista Tiago Brandão Rodrigues.
Em declarações aos jornalistas, esta segunda-feira à tarde, Fernando Alexandre afirmou: “Não é o tema mais importante do sistema educativo. Mas se tem gerado algum ruído e se gera algum mal-estar nas famílias, sobretudo em relação a determinados conteúdos, lecionados de determinada maneira, em particular em idades mais iniciais do 1.º e 2.º ciclos, então vamos olhar com atenção para isso.”
E lembrou que a avaliação e a revisão curricular em curso é para todas as disciplinas do ensino básico e secundário.
Questionado sobre queixas em concreto, Fernando Alexandre referiu apenas que são alguns dos temas em torno da Educação Sexual que “não são consensuais”, em particular nos primeiros anos de escolaridade.
Instado a dar um exemplo, não foi capaz.
“Não consigo”, disse.(...)”
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terça-feira, 8 de outubro de 2024
Montenegro e a cordilheira - ou a ascensão do lúmpen
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Todo o homem tem uma porção de inépcia que há-de sair em prosa ou verso, em palavras ou obras, como o carnejão de um furúnculo.
Quer queira quer não, um dia a válvula salta e o pus repuxa.
Camilo Castelo Branco.
Cavaco Silva é o caso exemplar de que em Portugal é perfeitamente possível desempenhar os mais altos cargos remunerados - na academia, na política e na finança - enfim, ter sucesso, sendo-se estruturalmente analfabeto - isto é, desconhecendo, de todo ou em partes grandes, a mais elementar forma de se exprimir publicamente dentro das normas convencionadas da sua própria língua materna.
Cavaco diz “não façarei”. Na caváquia (a pátria do Cavaco) todos fazem como ele. Marques Mendes, seu ex-ministro e candidato auto-proclamado a presidente da república, um hominídeo católico com mais de sessenta anos, manifestou-se esfuziantemente orgulhoso de si mesmo por ter descoberto recentemente uma palavra portuguesa de que ele nunca tinha ouvido falar: “genuflexório”. Nuno Melo, o ministro da defesa, fala como quem sabe do “tratado do atlético-norte”. Bugalho, o jovem serafim candidato da AD ao Parlamento Europeu, foi para Bruxelas cantando e rindo, muito ufano das “sete quinas da nossa bandeira”. A ministra do Interior confunde “urologia” com “orografia”. Estas coisas não se inventam.
Luis Montenegro, por exemplo, fez a instrução primária, a preparatória, o secundário inteirinho, licenciou-se em Direito na Universidade Católica (e pós-graduou-se em Direito da Proteção - assim mesmo, em acordês - de dados pessoais, na mesma universidade), exerceu advocacia, casou com uma senhora, foi pai de dois meninos, entrou para a maçonaria, ou talvez não, presidiu à assembleia geral de duas das maiores empresas portuguesas, entrou na política, foi deputado municipal, vereador, deputado à assembleia da República, líder da sua bancada e agora é primeiro-ministro - sempre a dizer “será-lhe”.
Em 2012 debrucei-me pela primeira vez sobre este vulto da Caváquia. Foi quando ele era o líder parlamentar do PSD e referiu, a propósito de qualquer coisa, que a redução dessa coisa no orçamento não seria uma “Min-nun-dência”(!!!) no que concerne à redução do défice.
O que então me pôs a pensar não foi a substância de tão pertinente convicção mas sim a ênfase substantiva, o à-vontade sorridente e orgulhoso-de-si-mesmo, o ar inflamado e descomplexado, do tribuno. Na época concluí que a literacia, ou melhor, a falta dela em Portugal não era apenas uma min-nun-dência, mas um verdadeiro Monte Negro. E deduzi que, com os outros deputados do seu grupo parlamentar, ele conformaria uma autêntica, incontornável, cordilheira.
Mas receio que agora seja bem maior – e pior – pois se, além destes, somarmos o remanescente dos cristãos-velhos do CDS; uma terça parte da bancada cor-de-rosa, a do sucialismo empresarial; mais o Branca-de-Neve e os quarenta e nove rolões pretos do integralismo chegano e ainda os quéques azul-bébé do liberalismo luzitano - será fácil de verificar que todos juntos, todos muito ardentemente sionistas-novos, conformam um acidente sociológico de uma densidade tão impenetrável a qualquer conceito de justiça elementar como inacessível a qualquer ideia generosa ou noção de bom-senso e de decência.
Não creio, como sugere a imprensa dominante, que isto configure qualquer emergência súbita de um certo povo-baixo, mas sim a ascensão lenta do lúmpen; de um lúmpen velhaco e vingativo, dotado daquele género de sensibilidadesinha medíocre que exulta, alarve, com a assunção da sua própria desfaçatez e se compraz, condescendente e cúmplice, com a expressão pública da ignorância rasa e da grosseria refinada na mais espessa estupidez.
Tudo isto no ano em que, paralelamente, o país oficial comemora impávido e mui solene os cinquenta anos do Vinte e Cinco d' Abril. Um fenómeno bizarro, de padrão talvez esquizotípico, bastante complexo. Fiz um desenho, como sempre sucinto e simplificado, para o tentar entender. O futuro decerto explicará-lho.
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terça-feira, 24 de setembro de 2024
O espírito santo de Angola
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Álvaro Sobrinho foi acusado de branqueamento agravado.
A Unidade Nacional de Combate à Corrupção da Polícia Judiciária, depois de uma longa investigação, chegou à conclusão comprovada de que o senhor Álvaro Sobrinho transferiu ilicitamente vinte milhões de euros do Banco Espírito Santo de Angola para a SAD do Sporting Clube de Portugal, tornando-se assim um dos maiores accionistas individuais desta sociedade.
Sobrinho é um exemplar de lineu da classe dirigente do “mundo que o português criou” nos trópicos. Um espírito santo luso-tropical.
Este retrato é de 2015. Quando o editei, ilustrei-o com algumas considerações, que republico.
“(...) o universo luso-tropical não produziu ainda nenhum espírito universal, nenhuma alma generosa ou genial. As sociedades civis dos países que acederam à independência política com o fim da ditadura portuguesa ainda não geraram nenhum exemplo para o mundo como Mandela, como Wangari Maathai ou como Denis Mukueje; nem o seu universo cultural intelectuais com a dimensão de Soyinka ou Achebe ou Gordimer ou Ki-Zerbo ou Naguib Mahfouz..
Se estas sociedades não têm grande apreço pelas ciências, pelas artes ou pelas humanidades, têm todavia em grande conta outros valores imutáveis, como o dinheiro. E um fascínio indesmentível por quem o possui. Esse é o único valor cultural indiscutível, partilhado por ex-colonos e por “ex-colonizados”.
A verdade é que os países saídos do “mundo que o português criou”, continuaram (e continuam ainda, porque se revêem nele) a copiar o antigo modelo. Quarenta anos após a independência é à capital do antigo império que as suas classes dirigentes, recentemente enriquecidas, vão às compras, ao médico, fazem vultosos investimentos e é nos seus valores que, aí em colégios mui selectos, fazem instruir os seus filhos..
É o caso de Álvaro Sobrinho. Um génio da alta-finança luso-tropical que, doutrinado pelo ex-dono-disto-tudo - o Espírito Santo himself - chegou mesmo a ser o seu preferido..
Dono de uma fortuna de vinte milhões por explicar, dele se diz que, se quisesse, duplicava a sua fortuna só em processos por calúnia. Diz-se também que esteve envolvido na transferência de Jorge Jesus para o Sporting - aqui com a colaboração do senhor Obiang, essoutro vulto do universo luso-tropical da cêpêélepê (que também já retratei aqui)..
Além de ser dono do Banco “Valor”, em Angola, Sobrinho também possui a maioria das acções do Sporting Clube de Portugal, do semanário “Sol” e das conservas Bom-Petisco; explora ainda a área comercial do diário "i" e tem um acordo para a sua eventual compra no futuro; também quis comprar a RTP e a SAD do Leixõesfutebolclube, esteve envolvido em vários processos de corrupção, lavagem de dinheiro e gestão danosa e até com a filantropia em África (é presidente do Planet Earth Institute, uma ONG registada no Reino Unido).”
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domingo, 15 de setembro de 2024
Nuno Melo e a segunda expansão
Prontos.
Tudo indica que, como diz o “jornal” Asbeiras, já “arrancou” a segunda expansão portuguesa.
A primeira começou, como sabeis, em Ceuta, e foi marítima.
Desta vez leva a crer que a coisa será às avessas. Vai ser terrestre.
“'bora lá fazier Portugal gránde outrabiez”, terá dito D. Nuno Melo.
Vamos começar por Olivença. A seguir “Só parámos em Beladibostóque”, diz que terá dito D. Nuno, para logo a seguir condescender:
“Prontos, tábenhe, dexemos em Barzóbia pra mijar, carálhos”.
quinta-feira, 5 de setembro de 2024
quinta-feira, 25 de julho de 2024
segunda-feira, 20 de maio de 2024
O estado a que chegamos
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Este é mais um rosto da nossa classe dirigente. E não um qualquer. Trata-se de José Pedro Aguiar-Branco, a segunda figura do Estado (já me referi a ele aqui e aqui, a propósito de outras das suas inconfidências públicas).
Pois bem, a segunda figurinha do estado considera não só admissível mas legítimo que um deputado se refira a cidadãos de um país aliado - com quem Portugal mantém aliás relações diplomáticas e comerciais muito antigas e cordiais, além de integrarem juntos a mui célebre e inefável aliança do atlético-norte - em termos do mais explícito, alarve, despropositado e sobranceiro desprezo - termos inspirados certamente num não menos imbecil, abstruso e reaccionário preconceito de suposta superioridade racial.
Digamos que esta atitude da segunda figurinha do estado, na senda de uma atitude semelhante da primeira figurinha, configura uma sequência lógica. Presumo que tudo isto deva ser interpretado como a tendência oficial.
É este o estado a que chegamos.
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segunda-feira, 6 de maio de 2024
Sarmento ou a salvação da lavoura
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Joaquim Miranda Sarmento, o novo ministro d'estado e das Finanças, é um génio. Fiz-lhe um retrato onde, num esforço que espero que não vos passe demasiado despercebido, tentei muito discretamente sublinhar esse traço, já por si bastamente reluzente, do seu temperamento. É mais um retrato para o meu álbum o rosto da classe dirigente, aqui ao lado na barra lateral.
Não lhe escapa nada. O nosso Jqnzinho descobriu sozinho - vejam bem - que afinal o défice do estado já vai em qualquer coisa como para aí uns seiscentos milhões de aéreos. E o problema é de tão alarmante gravidade quando em Janeiro deste ano havia mesmo, dizque, um excedente de 1,2 mil milhões. Sarmento também descobriu que o governo anterior terá lançado tudo às urtigas, sobretudo a santa prática da cativação, já depois das últimas eleições legislativas - isto é, alegadamente (deve escrever-se sempre alegadamente) o ex-ministro Medina terá ligado o foda-se e, como um labrego quando vai às putas, desatou a gastar à grande e à francesa quando já estava “em gestão”.
Mas não se inquietem nem se amofinem, que é precisamente para isto mesmo que os portugueses escolhem sujeitos como Miranda Sarmento para ministros das finanças – para pôr ordem no caos; ou as finanças na ordem, ou lá o que é. Enfim, salvar a pátria; ou a lavoura, ora.
Contudo, embora ele próprio seja um alho extremamente entendido na matéria (é professor de finanças no izégue e na Católica Lisbon secúle ófe bizenésses énde económiquess e foi assessor económico do Cavaco e tudo) para sanear as finanças da nação Sarmento precisa - até os génios precisam de ajuda - de assessores técnicos especialistas devidamente qualificados para o coadjuvarem nessa gloriosa tarefa. E tomou as suas providências, claro. Por isso fiquei encantado com esta notícia do Correio da Manhã que transcrevo na íntegra para todos vós, os quatro ou cinco leitores deste magnífico blogue:
Gostaram? (reparem como, em 2014, o jovem Durãosinho, que tinha então apenas vinte e um anos, já era um caso notável de reconhecida competência profissional) É ou não é um descanso, saber que a pátria e as finanças e o banco de Portugal e tal estão afinal em tão boas mãos?
Nota de rodapé...............................................................................
Na mesma notícia porém, e sabe-se lá porquê, o Correio da Manhã achou pertinente sugerir-me ligações para outras duas (deve tê-las achado vagamente relacionadas). Uma rezava assim: “Durão Barroso vai casar em Julho” e a outra assim: “Durão Barroso: “Nunca recebi pressão da EDP”. Decididamente, nunca hei-de entender este jornal. Nunca sei se estou na presença singela da santa ingenuidade, do simples mau-gosto e da estupidez natural ou da mais maligna e retorcida perversidade - ou de tudo isto em simultâneo.
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sábado, 27 de abril de 2024
Sebastião Maria vai para Bruxelas
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Ele é um menino prodígio. Um super-dotado. Um predestinado. Loquaz e petulante, insidioso como um Rasputine e armado em espertinho como um alho (como um Marcelo em ponto pequenino) Sebastião Maria Reis Bugalho assume-se como de direita, católico e conservador. Dizem dele embevecidos (enfim, no seu meio) que é uma espécie de “novo Paulo Portas” - talvez um pouco menos sagaz, mas muito mais heterossexual.
Também oriundo de boas famílias, Sebastião Maria frequentou desde muito cedo os mais exclusivos colégios privados. Mas não dava trabalho nenhum aos professores pois não era preciso ensinar-se-lhe nada - ele levava sempre a lição estudada de casa. Um menino de sua mãe.
E não faltou à catequese - cursou ciência política, na madrassa da Católica e, dizem, ainda mantém estudos, no isqueté.
Betinho, muito lavadinho e penteadinho, ainda a cheirar a cueiros e pó de talco, fez a primeira comunhão debutando no jornal i “focando-se na cobertura noticiosa do partido CDS. Subsequentemente foi convidado a assinar uma coluna de opinião. Pouco antes de abandonar a carreira jornalistica, publica uma peça acerca da futura lista de candidatos do CDS às eleições de legislativas de 2019, lista essa que ele mais tarde integrou”..
Como não foi eleito, regressou ao “jornalismo”. Decerto para “a comunhão solene”. Era um regalo vê-lo então, a analisar, a fazer conjecturas e elucubrar cenários e assim. Sim, porque Sebastião Maria fez-se comentador, e analista. Na televisão, claro. Em Carnaxide. Sempre que ele aparecia na pantalha, lavadinho e penteadinho como um acólito, enchia-se-me logo a casa toda de um insuportável fedor a sacristia (aquele odor a velho, assado e azedo, com notas de velhacaria e vício recalcado e final acentuado a naftalina) que nunca se dissipava sem que eu incinerasse um lancero da Cohiba, por lo menos.
Mas agora vai abandonar, de novo, o “jornalismo”. Desta vez é a confirmação, a unção do santo crisma. Depois de ter assinado uma reluzente (de brilhante) exegese da estratégia eleitoral da AD, O jovem Sebastião Maria foi imediatamente convidado por Luís Montenegro para encabeçar a lista de candidatos a deputados ao parlamento europeu (o que terá causado o amuo, e consequente desistência despeitada, de Rui Moreira, um coirão político muito mais experimentado, dado há muito como o titular absoluto do lugar).
O que quer dizer que Sebastião Maria já está eleito. Ou, como o diz o povo, em linguagem conventual, “são favas contadas”.
O povo de direita, católico e conservador gosta deles assim betinhos, airosos e fresquinhos - mas com ressaibo intenso, e prolongado, a antigamente.
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sábado, 2 de dezembro de 2023
sexta-feira, 17 de novembro de 2023
A figura de urso
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Este é o último desenho da colecção que me propus fazer para retratar o incontornável carácter cantinflesco (que expliquei aqui) da galeria inacreditável de figurinhas ineptas e inaptas que constituíram o desinfeliz XXII Governo Constitucional de Portugal.
O triste fim, abrupto, auto-infligido e burlesco de um governo de maioria absoluta não deixou de ter o seu patético grand finale - com o desempenho grotesco (numa performance tão equívoca como patarata, magistralmente cantinflesca) do seu derradeiro protagonista, o inacreditável Mário Centeno.
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terça-feira, 26 de setembro de 2023
Albuquerque, as rosas e o pã
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Miguel Albuquerque é Presidente do Governo Regional da Madeira desde 2015. Acaba de ser reeleito, se a memória não me falha, pela terceira vez consecutiva. Albuquerque é daquele género de políticos, como Isaltino de Morais, que agradam às mais amplas maiorias. As pessoas acham-lhes um piadão.
Sujeito com muitos predicados, além de advogado, floricultor e criador de rosas (e nessa qualidade, membro da Royal National Rose Society, da The World Federation of Rose Societies e da American Rose Society) Albuquerque também é suspeito num processo-crime por corrupção, participação económica em negócio e prevaricação, para além da eventual violação das regras comunitárias em matéria de adjudicação. A investigação foi aberta em 2019, no Funchal. Em causa está a eventual relação entre negócios privados imobiliários de Miguel Albuquerque e o ajuste directo da concessão da Zona Franca da Madeira ao Grupo Pestana. Em 17 de março de 2021, na sequência de uma denúncia anónima, vários serviços do Governo da Madeira foram alvo de buscas, estando em causa “factos susceptíveis de integrar a prática de crimes de prevaricação, corrupção e participação económica em negócio”. Elementos da PJ e do Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP) realizaram também, a 13 de maio de 2021 buscas nas instalações do Governo da Madeira, no âmbito do concurso relativo à ligação marítima entre o Funchal e Portimão, confirmou o executivo regional”.
Outro dos predicados que faz dele um político tão do goto popular é a sua capacidade, admirável, de dar o dito por não-dito. As pessoas que votam como jogam no totobola, pondo a cruz naquele que acham que tem mais probabilidade de vencer, adoram políticos assim. Sentem que também ganham quando eles vencem. É tudo psicológico, claro. Mas eles não se importam.
Porém, além de tudo isto Albuquerque também é um homem de sorte. E algum engenho, convenhamos: mesmo quando não logra a vitória eleitoral absoluta, Miguel tem artes de logo encontrar um partido, pequenino e prestável, que se põe a jeito para a garantir. Em menos de vinte e quatro horas achou o Pã. Ele não é esquisito. Além da plítica, do poder, das rosas e do imobiliário, Albuquerque gosta de toda a bicharada.
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- toda a informação a respeito do curriculum de Miguel Albuquerque foi retirada, ipsis verbis, do seu verbete na wikipedia, ao qual apenas me permiti corrigir o infame ortografês em que vem redigido.
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segunda-feira, 14 de agosto de 2023
Uma ideia peregrina com caminho para andar
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A nova ponte ciclopedonal que liga os concelhos de Lisboa e Loures, sobre o rio Trancão, na zona oriental da cidade, vai chamar-se Ponte Cardeal Dom Manuel Clemente.
A ideia (um verdadeiro achado, diga-se) foi da autoria exclusiva da mente privilegiada de Carlos Moedas, o coninhas com voz de velha que é o alcaide da Mouraria. Segundo a câmara de Lisboa, o nome da ponte foi comunicado ao presidente da autarquia de Loures, Ricardo Leão (essa coisa também esperta que me permiti retratar acima) que considerou, muito solícito, tratar-se de "uma boa opção e um justo reconhecimento".
O Cardeal Dom Manuel Clemente, já agora, é aquele estafermo que já retratei aqui por ter sido o mui clemente protector e conivente facilitador da deveras prolixa e continuada actividade pedófila na sua confraria.
Mas como estou hoje invulgarmente bem disposto, não me apraz gastar adjectivos com a padralhada em geral e com este bandalho em particular.
Além disto, e apesar de eu ser contra (até já assinei uma petição com esse teor) até considero que, de certo modo, um modo assaz retorcido, a ideia peregrina de dar a uma ponte o nome de um facilitador faz algum sentido simsenhor: um sentido único, e sórdido.
Visto isto e mais actos, se a ideia for consumada, o que me apraz mesmo é congratular desde já todos os munícipes de Lisboa e de Loures, porque a merecem – e também porque sabem escolher com tão exigente critério e visível entusiasmo autarcas com ideias tão espertas.
O que provará, receio, que o triunfo das grandes ideias de merda deve tanto ao voluntarismo criativo do seu autor idiota como ao arrebatamento conivente e velhaco dos idiotas que lhe estão próximos - mas também ao entusiasmo passivo, ou mórbido, de toda uma vasta quantidade de idiotas anónimos.
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