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quinta-feira, 3 de setembro de 2015

o rangel do texas

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Não gosto do gesto repetitivo que de rotineiro se torna redundante. Por isso, neste meu labor de caricaturista amador não é meu hábito desenhar mais do que uma visão do mesmo personagem. Embora amiúde lhes corrija os pormenores, cada um dos meus desenhos tenta, com o menor número possível de traços, consubstanciar o meu parecer definitivo sobre o personagem em questão.
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Não há, contudo, regra sem excepção.
Há casos em que o desenho tem que acompanhar as metamorfoses de personagens cujo aspecto exterior vive em perpétua transformação. Assim, o desenho é obrigado – sob a ameaça de (supremo malogro de uma caricatura) se ver irreconhecível - a acompanhar-lhes a alteração dos traços e dos adereços: enquanto incham ou desincham, rapam as barbas ou deixam crescer os bigodes.
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É este o caso de Paulo Rangel. 
Ao contrário de pensadores que fazem realmente pensar (como Eduardo Lourenço, Agostinho da Silva, Viriato Soromenho Marques ou José Gil), Rangel é um daqueles pensadores que de cada vez que abre a boca só provoca o riso ou, mais provavelmente, o vómito.
Segundo a sua inefável e complacente visão de si próprio, Rangel orgulha-se da sua escola, diz que gosta de escrever (já engendrou mais livros do que filhos) mas que a vida pô-lo a falar; que se morresse amanhã ainda seria feliz e que depois, acrescenta candidamente, não sabe. Trata-se de um inacreditável auto-retrato satisfeito de um autêntico piça d’aço do pensamento mentecapto; de corpo inteiro. Só visto, aqui.
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Eu já o tinha retratado aqui, com outro aspecto, a propósito de outra das suas manifestações alvares. Agora porém, apesar de ter desinchado e de ter deixado crescer a barbela, continua a dizer merda. Desta vez em Castelo de Vide, na universidade de Verão do seu partido (a lusapenas do pêpêdê), resolveu esganiçar umas papaias a respeito de qualquer coisa relacionada com as aventuras da justiça no maravilhoso país do alterne que é o nosso.
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Foi a oportunidade para lhe aggiornar o retrato. O meu parecer continua o mesmo; apenas actualizei os traços ao seu aspecto exterior mutante. Rangel continua, afinal, igual a si próprio.
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