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sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Maria quer ir para Belém

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Maria de Belém Roseira é um dos vários candidatos provenientes da área do partido socialista. Como tal, representa uma das sensibilidades mais substanciosas deste partido arco-íris: a mais beata e reaccionária: a que se dá, em simultâneo, à caridadezinha e aos negócios.
Segundo a circunspecta Renascença, Maria terá mesmo integrado o famoso “grupo de Macau” (quando aí exerceu o cargo de administradora da teledifusão local) no qual pontificavam Jorge Coelho, António Vitorino e o inesquecível Melancia, a governador.
Oriunda (como Marcelo Rebelo de Sousa) daquele meio social muito selecto, católico e conservador - o dos senhoritos - que vê o reconhecimento do mérito dos seus como o privilégio natural de uma muito controlada denominação de origem, Maria de Belém exerceu desde muito cedo altos cargos por nomeação. Licenciou-se em direito em 1972 e começou a carreira logo no ano seguinte, por cima, como técnica jurista no então Ministério das Corporações e Previdência Social na então Direcção-Geral da Providência, nos tempos de Marcello Caetano.
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A partir daí foi sempre a subir e quase sempre em instituições ligadas à saúde ou à previdência. Foi secretária d’estado de Pintasilgo, chefe de gabinete do ministro Gonelha, Ministra de Guterres. Mas também foi nomeada para outros cargos, sempre altos, por potentados cavaquistas: Leonor Beleza (a dos hemofílicos) nomeou-a vice-provedora da Misericórdia de Lisboa e Arlindo de Carvalho (um dos do BPN) administradora-delegada do Centro Regional de Lisboa do Instituto Português de Oncologia. Mais tarde haveria de presidir à comissão parlamentar de inquérito "sobre a situação que levou à nacionalização do Banco Português de Negócios e sobre a supervisão bancária inerente”.
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Maria de Belém é uma das duas únicas senhoras que se candidata a presidente. Ao contrário dos homens, reconhecidamente incapazes de se concentrarem em mais do que uma actividade ao mesmo tempo, as senhoras tem nessa capacidade multitasquingue um dos seus trunfos. Assim, embora Maria partilhe com as outras senhoras essa conhecida capacidade de fazer, em simultâneo e na boa, várias coisas que se complementam, possui também, além disso, a de fazer em simultâneo várias coisas perfeitamente contraditórias. Foi assim que logrou presidir à comissão parlamentar da saúde pública ao mesmo tempo que prestava consultadoria remunerada, presumo que para defender interesses privados, ao grupo Espírito Santo.
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Para quem vê nesta capacidade uma mais valia para o desempenho do cargo de Presidente da República, ela é a candidata ideal.

É pelo menos essa “força do carácter”, um dos primeiros slogans escolhidos pela sua candidatura, que desvanece alguns dos seus apoiantes conhecidos - vivos ou mortos; efectivos ou alegados - como o patético poeta Alegre ou a recentemente falecida Maria Barroso. 
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1 comentário:

Rogerio G. V. Pereira disse...

Começo por aqui
não é por nada
apenas me distrai

( e a Tia é como aqui)