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sexta-feira, 17 de novembro de 2023

A figura de urso


 

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Este é o último desenho da colecção que me propus fazer para retratar o incontornável carácter cantinflesco (que expliquei aqui) da galeria inacreditável de figurinhas ineptas e inaptas que constituíram o desinfeliz XXII Governo Constitucional de Portugal.

O triste fim, abrupto, auto-infligido e burlesco de um governo de maioria absoluta não deixou de ter o seu patético grand finale - com o desempenho grotesco (numa performance tão equívoca como patarata, magistralmente cantinflesca) do seu derradeiro protagonista, o inacreditável Mário Centeno.

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quinta-feira, 9 de novembro de 2023

terça-feira, 26 de setembro de 2023

Albuquerque, as rosas e o pã

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Miguel Albuquerque é Presidente do Governo Regional da Madeira desde 2015. Acaba de ser reeleito, se a memória não me falha, pela terceira vez consecutiva. Albuquerque é daquele género de políticos, como Isaltino de Morais, que agradam às mais amplas maiorias. As pessoas acham-lhes um piadão.

Sujeito com muitos predicados, além de advogado, floricultor e criador de rosas (e nessa qualidade, membro da Royal National Rose Society, da The World Federation of Rose Societies e da American Rose Society) Albuquerque também é suspeito num processo-crime por corrupção, participação económica em negócio e prevaricação, para além da eventual violação das regras comunitárias em matéria de adjudicação. A investigação foi aberta em 2019, no Funchal. Em causa está a eventual relação entre negócios privados imobiliários de Miguel Albuquerque e o ajuste directo da concessão da Zona Franca da Madeira ao Grupo Pestana. Em 17 de março de 2021, na sequência de uma denúncia anónima, vários serviços do Governo da Madeira foram alvo de buscas, estando em causa “factos susceptíveis de integrar a prática de crimes de prevaricação, corrupção e participação económica em negócio”. Elementos da PJ e do Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP) realizaram também, a 13 de maio de 2021 buscas nas instalações do Governo da Madeira, no âmbito do concurso relativo à ligação marítima entre o Funchal e Portimão, confirmou o executivo regional”.

Outro dos predicados que faz dele um político tão do goto popular é a sua capacidade, admirável, de dar o dito por não-dito. As pessoas que votam como jogam no totobola, pondo a cruz naquele que acham que tem mais probabilidade de vencer, adoram políticos assim. Sentem que também ganham quando eles vencem. É tudo psicológico, claro. Mas eles não se importam.

Porém, além de tudo isto Albuquerque também é um homem de sorte. E algum engenho, convenhamos: mesmo quando não logra a vitória eleitoral absoluta, Miguel tem artes de logo encontrar um partido, pequenino e prestável, que se põe a jeito para a garantir. Em menos de vinte e quatro horas achou o Pã. Ele não é esquisito. Além da plítica, do poder, das rosas e do imobiliário, Albuquerque gosta de toda a bicharada.

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- toda a informação a respeito do curriculum de Miguel Albuquerque foi retirada, ipsis verbis, do seu verbete na wikipedia, ao qual apenas me permiti corrigir o infame ortografês em que vem redigido.

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segunda-feira, 25 de setembro de 2023

Rasgar novos horizontes


 

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Sábado, 23 de Setembro. 07h28 da manhã.

Algures, por detrás das dunas, a Figueira da Foz. Ao fundo, no horizonte, divisa-se a Serra da Boa-Viagem e à esquerda, para lá do se vê, adivinha-se o Cabo Mondego (foto tirada da porta das Urgências do Hospital Distrital onde estive, desde as 04h00, acompanhando uma pessoa muito próxima num fim-de-semana alucinante que só acabou segunda-feira ao meio-dia).

O Hospital parece não gostar muito de senhoras (não tem ginecologia) nem de fedelhos, pois também não tem Maternidade. Alguém, que parece padecer agudamente de uma estirpe mórbida de misoginia e de pedofobia, acha que não é preciso. Ah, e a urgência de urologia mais próxima também fica em Coimbra.

Enfim, nada que melindre demasiado os figueirenses e as figueirensas porque agora a cidade vai ser dotada de uma “nova entrada”. O “jornal” As Beiras diz mesmo que é para “rasgar novos horizontes”.

Quanto a mim, “que alegria quando me disseram”, também estou desvanecido. E já empolgado, claro, com as futuras obras de rasgação dos novos horizontes, e isso. Só peço a suaxelência o presidente da Câmara Municipal, e ao júri do concurso internacional de ideias, que a “nova entrada” da Figueira não perca valências (como o hospital) e preserve os mesmos dois sentidos. Assim como assim, que mantenha plo menos também a serventia de saída - das ambulâncias para Coimbra; e de nós-outros, todos, para qualquer dos azimutes dos horizontes rasgados.

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domingo, 17 de setembro de 2023

Fernando Botero (1932-2023)


 

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Lo que me interesa no son los seres, sino la manera en que sus volúmenes se inscriben en el espacio. Veo la vida en volúmenes.

Fernando Botero

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sexta-feira, 15 de setembro de 2023

Camilo e os (des)encantos do Porto patarata


 

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O Eclesiastes, no cap. 1º, falava profeticamente do meu Porto, quando escreveu: o número dos tolos é infinito.

Camilo Castelo Branco


A propósito da telenovela da remoção do monumento a Camilo, o mínimo que se pode dizer é que os portuenses actuais esforçam-se como nunca para merecer a opinião que deles tinha o genial escritor.

Quanto à minha opinião sobre o monumento de que tanto se fala, escrevi-a aqui, em 2016, numa pequena crónica a propósito de uma viagem ao Porto.

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quarta-feira, 13 de setembro de 2023

Do desenho, e da cor local


 

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Maiorca, 13 de setembro de 2023.

7.45h. Sol nascente.

Vista do meu sítio, a paisagem é toda minha

(vai-se fazendo - como um desenho - de hesitações, arrependimentos, acasos e achados ou inspirações).

Mas as cores não

- são todas (já) do Outono.

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