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segunda-feira, 21 de outubro de 2019

Alejo Carpentier

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Cuidémonos de las palabras hermosas; 
de los Mundos Mejores creados por las palabras: 
nuestra época sucumbe por un exceso de palabras.

Alejo Carpentier, "El Siglo de las Luces" (1962)
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sábado, 5 de outubro de 2019

Votem no violinista


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Já decidi.
Vou votar no Manel Pires da Rocha.
Na CDU, claro.
Para dar mais força a quem puxa para a frente.
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sexta-feira, 4 de outubro de 2019

O azara(e)do Lopes



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É bom ter presente, e digo isto sem ironia, eu não fazia a mínima ideia do que era um paiol
Azeredo Lopes
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Há frases que valem por toda uma literatura. Não é o caso desta, em epígrafe. Em todo o caso, vale por toda uma cultura política.
Apesar de dita em modo de cândida estupidez - desarmante, quase  enternecedora - não é (nada) inocente. Diz muito da estranha moral de quem oferece cargos públicos. E de quem os aceita. Diz tudo sobre como se chega a ministro em Portugal. Ou a deputado. Ou a vereador.
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quinta-feira, 26 de setembro de 2019

Fernão de Magalhães (1480-1521)

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"A Igreja diz que a Terra é achatada, 
mas sei que ela é redonda, porque vi a sombra dela na Lua,
 e acredito mais numa sombra do que na igreja."
Fernão de Magalhães
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domingo, 15 de setembro de 2019

Pérolas a porcos.


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A edição de 2019 do renascido festival internacional de cinema da Figueira da Foz decorreu durante dez dias sem perturbar a estação de banhos. Durante dez longos dias (uma ousada ingenuidade da organização, que também me concedeu a liberdade de criar o cartaz deste ano), enquanto o Festival projectava as suas metragens longas e curtas em salas às moscas, todo o glamour desfilava no Picadeiro, que regurgitava de banhistas passeando o bronzeado e o balão de Gin, ou a bjeca, plas esplanadas.
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Assim, e como sou muito próximo de alguém da organização, tive o equívoco privilégio de assistir de camarote a mais uma expressiva demonstração da indiferença dos figueirenses pelas coisas do mundo em geral e pelas do espírito em particular. Trata-se de um fenómeno transversal a toda a sociedade figueirinhas: do lumpen à classe média, passando plos senhoritos e incluindo aquele núcleo de pessoas do milieu, digamos assim, da cultura, e da comunicação social. Todos, mais a população flutuante (a taxa de ocupação hoteleira está acima da média em Setembro) fizeram questão de manifestar o seu total desprezo por uma rara oportunidade de conhecer e discutir 168 filmes, e os modos de os fazer, oriundos de 57 países e culturas habitualmente afastados do sistema de distribuição comercial e dos meios de comunicação de massas.
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Lima Barreto dizia do seu país: “O Brasil não tem povo, tem público”, querendo com isto dizer, creio, que o brasileiro não agia, só assistia. A verdade é que, mesmo para se assumir o papel passivo de espectador é necessário, ainda assim, um mínimo de curiosidade, essa centelha que permite que alguma luz ilumine o cérebro e lubrifique a argamassa cinzenta que edifica a consciência e consolida o entendimento.
Ora a Figueira da Foz de hoje, e de sempre, não só não tem povo como também não tem público. Não age e nem sequer assiste. Este não querer ver-não querer saber é afirmativo, ostensivo, militante, orgulhoso - totalmente destituído de qualquer centelha de curiosidade - o que, curiosamente, não obsta que nas redes sociais figueirinhas pulule a opinião ufana, categórica, definitiva; sobre tudo e sobre nada.
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A Figueira é, por isso, um lugar estranho. Bizarro. Excêntrico e concêntrico. Habitado por uma gente tão amorfa que, embora vote cada vez menos, continua, impune e alegremente, a eleger deputados e vereadores e presidentes. E, extravagante, continua com uma invicta e notável capacidade de atracção, na estação de banhos, de uma gente igualmente vazia, igualmente destituída de curiosidade ou de qualquer interesse que não seja pelo óbvio, ou pelo imediato.
A Figueira é a prova viva(!?), física, definitiva, que o vácuo ocupa lugar – um lugar oco, mas denso; vazio, mas incontornável – opaco, impenetrável a qualquer centelha de luz.
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Mas se as sessões estiveram às moscas, a gala de entrega de prémios esteve compostinha, no Salão de Festas do Casino (essa catedral). O Festival Internacional de Cinema da Figueira da Foz acabou, como de costume, em modo litúrgico e em apoteose com copiosas juras de amor ao cinema, ao som da marcha do vapor.
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quarta-feira, 4 de setembro de 2019

José Vieira Marques


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Na véspera do dia em que começa a edição 2019 do renascido Festival Internacional de Cinema da Figueira da Foz, é sempre bom lembrar José Vieira Marques, que foi um dos seus fundadores e seu secretário-geral durante três décadas (até ser suprimido, atribuladamente, em 2002, por Santana Lopes).
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O festival foi muito importante – transformando durante anos, na primeira quinzena de Setembro, uma pasmacenta cidadezinha de província como a Figueira da Foz numa meca do cinema - divulgando cinematografias desconhecidas ou experimentais e modos de produção independentes - atraindo cineastas, críticos, actores, jornalistas e um público cinéfilo anónimo e entusiasta que transformava os seus debates no final das sessões em acaloradas e divergentes madrugadas inesquecíveis. Segundo Lauro António, “Quem gosta de cinema e tem mais de 40 anos, não esqueceu certamente este festival, e quem é mais novo, e não for totalmente tolo, tem obrigação de fazer pela vida e saber de História”. Para Luís Vilaça, “o Festival da Figueira foi um marco importante neste país de brandos costumes e o seu director foi um agitador de consciências. Promoveu como poucos o cinema português".
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Mas Vieira Marques também nunca foi de unanimidades. “tinha o seu feitio,” dizem - que nunca impediu, contudo, o seu amor inquestionável pelo cinema e por todas as maneiras de o tornar possível. Ex-padre de formação humanista e visão plural da vida e da sociedade, encarava o cinema como uma forma de promoção da cultura e do conhecimento. Morreu em 2006 - deixando lamentavelmente por concluir uma, decerto valiosíssima, “História do Cinema”.
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Quanto ao novo festival, herdeiro do de Vieira Marques, já não é o mesmo – os tempos também são outros – já não existe público cinéfilo curioso e noctívago, aberto a outros olhares, à discussão aberta e às ousadias da experimentação. Mas o entusiasmo e o amor incondicional pelo cinema é bem o mesmo - está intacto – certamente nos que trabalharam o ano todo para que esta quinzena fosse, de novo, possível.
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sábado, 31 de agosto de 2019

Contributo para a iconografia alegre de uma ideia de merda

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Quando o grotesco ganha foros de respeitabilidade, está criado o clima favorável à normalidade da infâmia e ao non-sense da desmemória.

A censura social fundamentada, a crítica elevada, ou pedagógica, ou a indignação colectiva são manifestamente inadequadas, e até mesmo contra-producentes, pois encorajam-nos.

O melhor (mais eficaz, penso) é mesmo a derisão. O escárnio. A ideia é avacalhar. Escarnecê-los - até á inanidade.
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sexta-feira, 23 de agosto de 2019

LEVANTA-TE E RI


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No stand-up que é a plítica figueirinhas, o nóvel presidente da câmara Carlos Monteiro é o mestre de cerimónias, o apresentador, o compére - mas também o cómico. E parece ser também quem mais se diverte com esta comédia triste.
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A propósito do caso do freixo tricentenário do largo de Stº António (vítima do furacão Leslie e de variadas demonstrações de apreço da cidadania figueirinhas), o sujeito disse que a Câmara que preside consultou uma empresa especializada e que esta sugeriu que a solução seria o corte. Que também foi solicitado um “parecer” do ICNF e que este terá dado luz verde para o abate. Não satisfeita, a Câmara municipal terá mesmo consultado “um especialista” da universidade de Lisboa que terá indicado a mesma empresa que já tinha sido consultada.
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Monteiro não especificou em que especialidade era especializada a empresa consultada (nâo me espantaria que fosse em abate de árvores). Também não nomeou o especialista do ICNF que deu luz verde ao abate. Ah, e também não especificou de que faculdade da universidade de Lisboa era o especialista - o que indicou a mesma empresa especializada já consultada (não me espantaria que fosse da de Letras ou, sei lá da de Direito ou assim).
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É que o mundo é pequeno; e redondo; e cheio de coincidências. E é dessa redondância que, dizem, se riem as pessoas. Enfim, as que, quando lhes contam uma estória, não se importam demasiado com a omissão dos pormenores importantes.
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terça-feira, 13 de agosto de 2019

O grande domesticador da classe operária


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O ministro do Trabalho, da Solidariedade e da Segurança Social podia citar, com propriedade, o pitoresco e anedótico ex-presidente brasileiro Jânio Quadros: “Fi-lo porque qui-lo”.
É verdade. Suaxelência, solidário com o grande patronato da distribuição de combustíveis e notoriamente a pedido deste, acaba - de trotinete e a cavalo numa justa reivindicação de camionistas muito apardalada e convenientemente liderada por um causídico manhoso armado aos cágados – de criminalizar a greve. E fê-lo voluntaria e voluntariosamente. De propósito.
Mas já não é a primeira vez.
Já em 2008, as suas voluntárias e voluntariosas alterações à Lei do Trabalho tinham desvanecido Bagão Félix. “Também não era preciso tanto” terá mesmo comentado este, corado de vergonha, e de embaraço, ao ver-se ultrapassado pla direita pela esquerda democrática.
Mas não é tudo, o reincidente compulsivo José António Vieira da Silva é natural da Marinha Grande. E não é só; ainda há mais: o estafermo desinfeliz foi eleito por Setúbal.
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Não me admiraria que a maioria absoluta já estivesse no papo. Afinal de contas, para que votaria a reacção na direita se a esquerdademocrática faz mais, muito mais, e muito melhor?
Sim, para que votar no PSD ou no CDS se com o PS é um descanso?
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terça-feira, 6 de agosto de 2019

Stª Catarina de Ribamar, os piratas e os grunhos

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Há monumentos ou sítios que se tornam símbolos, ícones, ex-libris de um local ou de uma comunidade. Há outros que, além disso, se tornam também emblemáticos de uma atitude colectiva e de uma prática sistemática, por indiferença ou premeditação. De certa maneira, uma maneira muito enviesada e figueirense, este é o caso do Forte de Stª Catarina de Ribamar da Figueira da Foz.
Em todo o concelho há, infelizmente, mais casos semelhantes (o fortim de Palheiros, a capela de Stª Eulália, o Paço de Maiorca, o convento de Seiça), mas esta fortificação militar é o exemplo acabado e ilustrado deste paradigma genuinamente figueirense. Trata-se de um monumento que representa emblematicamente, como talvez nenhum outro, a indiferença ressentida e rancorosa e o desprezo vingativo que são os ingredientes da atitude, do sentimento, que os figueirenses (as autoridades e os paisanos, de geração em geração) nutrem pelos seus sinais identitários, pelo seu património em espaço público e pela história, a memória, a cultura e a arte em geral (sobre este assunto específico já me permiti algumas copiosas considerações, aqui).
Embora esta sanha vingativa e exterminadora, prazenteiramente masoquista na auto-mutilação, tenha vindo a ser notícia, nos últimos tempos, a propósito da mais recente investida municipal contra o património vegetal, esta posta é sobre o edificado, a memória histórica e, mais precisamente, sobre o Forte de Stª Catarina. Muitos já se lhe referiram e eu próprio, não desfazendo, também já uma vez me debrucei sobre ele neste blogue, mais precisamente a propósito das obras na sua zona envolvente. É que o velho forte está de novo na posse dos piratas – ou dos grunhos (no es lo mismo, pero es igual), senão vejamos:
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O forte de Stª Catarina integrava, com a fortificação de Buarcos e o Fortim de Palheiros, o sistema defensivo da enseada que se estendia para norte até ao cabo Mondego, contra os assaltos de corsários e piratas, frequentes neste litoral ao tempo dos Filipes. Edificado nessa altura, sobre uns rochedos a que chamavam Monte de Stª Catarina de Ribamar, foi tomado por Sir Francis Drake, “el draco” em pessoa, em 1602.
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Em 1643, no contexto das guerras da Restauração, foi reforçada uma das suas cortinas para comportar quinze peças de artilharia. Mas em 1680 já apresentava sinais de ruína (..)inspecionado pelo Sargento-mor Jerónimo Velho de Azevedo que avaliou a reparação em 600.000 reis. Tendo o Conselho da Fazenda mandado arrematar a obra em hasta pública, não se sabe se chegou a ser feita a reparação.
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Em 1808 foi de novo tomado, desta vez pelo duque de Abrantes himself pardon, pelo general Junot lui-même, Junot la tempête em carne e osso. Retomado pla tropa fandanga do académico Zagalo, foi entregue ao almirante Charles Cotton que, no comando da esquadra britânica ao largo da costa portuguesa, pôde dessa forma assegurar o desembarque seguro de 13.000 homens sob o comando do general Arthur Wellesley, futuro duque de Wellington, na costa de Lavos.
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Em 1822 está de novo em ruínas, "Precisa-se levantar os 3 merloens da Bateria, fazerem-se as 8 plataformas da mesma, concertar-se o telhado, paredes, portas e janellas da caza arruinada proxima ao Forte, e fazerem-se as tarimbas". dizia então o relatório do Nacional e Real corpo de engenheiros.
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Em 1888 foi instalado um farol de ferro no centro da fortificação, importante auxílio à navegação na entrada da barra do Mondego, desativado em 1969.
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Em 1911 uma casamata da bateria foi provisoriamente cedida ao Instituto de Socorro a Náufragos. 
Em 1930 parte da esplanada anexa ao forte foi arrendada à direcção do inenarrável Tennis Club Figueirense (como este, inexplicavelmente, ainda lá está, presumo que tenha sido arrendado definitivamente).
Entretanto, durante todo o século vinte, foi sendo vítima de todo o tipo de tropelias e sevícias mais ou menos trepanantes às mãos do inevitável Tennis Club e de outras entidades ligadas ao turismo e, claro, à animação de praia.
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Last but not least, e como não há nada de patético ou grotesco que não lhe aconteça, foi classificado imóvel de Interesse Público, pelo Decreto n.º 44.075, publicado no Diário do Governo, I Série, n.º 281, de 5 de dezembro de 1961.
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Este é um monumento mártir, como aliás a santa de quem usa o nome. Só lhe saem duques e cenas tristes no jogo da História. Sempre que é tomado aos piratas é, invariavelmente, entregue aos grunhos.
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Sob a tutela da gloriosa Marinha Lusitana (ou do Ministério da Defesa ou lá o que é) até há poucos anos, foi finalmente entregue à Câmara Municipal. E os resultados estão à vista. Se as obras da zona envolvente, em 2013 (às quais já me referi aqui) foram o que se sabe, o uso que os grunhos que dirigem o município lhe reservaram indicia que o único interesse que o público figueirinhas vê num imóvel classificado é o da venda da cervejola a copo.
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O Forte está hoje tomado, ou ocupado, por uma bjecaria – um botequim, uma loja de bjecas gurmê. O logo de uma cervejola, pintado num toldo, flutua agora, como um pavilhão de piratas, ao lado do velho farol que, obsoleto, foi transformado num triste e surrealista bibelot decorativo. A sua capela maneirista foi transformada num alarve armazém de vasilhame e os seus baluartes e passadiços, pejados agora de ladrilhos vidrados, de guarda-sóis tropicais e de mobília de jardim, numa nefanda esplanada-de-praia. Só falta envidraçar todo o conjunto para transformar de vez o velho forte numa marquise, como todos os outros ícones da restauração figueirinhas (lá chegaremos, com certeza).
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- É verdade que o imóvel podia ter sido aproveitado para um museu militar ou de História, um local de exposições sei lá, um centro de interpretação, onde se explicasse aos fedelhos e aos pais deles (que também não gostam muito de ler) a história das devastadoras investidas dos piratas no tempo dos Filipes, a das guerras da Restauração, a da resistência à ocupação napoleónica, a do socorro a náufragos e a do auxílio à navegação. Ou a história das centenas ou milhares de pescadores que o forte viu embarcarem para a Gronelândia ou para a Terra-Nova e dos que não tornaram a vê-lo porque nunca voltaram desse infame degredo esclavagista. E, já agora, também se lhes podia explicar quem foram Sir Francis Drake, o duque de Abrantes e o de Wellington, o almirante Cotton e até o académico Zagalo.
- Poder, podia. Se o objectivo fosse o conhecimento, e a sua divulgação.
Mas não era a mesma coisa. 
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Porque o verdadeiro objectivo assumido, ainda que inconfessado, é o entorpecimento, pela animação – o entretenimento, o mais elementar e redondo utensílio daquilo que eu chamo educação para a estupidificação.
Afinal esta é a terra que festeja corsários e piratas (os mesmos que outrora aterrorizavam os antepassados dos actuais figueirinhas) e até lhes dedica uma feira temática anual onde, mui pedagogicamente e com o alto patrocínio da Câmara Municipal, do seu pelouro cultural e da junta de Freguesia, eles são alegre e amnesicamente apresentados como muito patuscos, amigáveis e folgazões - exactamente, sem tirar nem pôr, como nos filmes do Errol Flynn que o presidente da junta via, quando era rapaz novo, no galinheiro do Parque-Cine, essoutro ícone do esquecimento e da (auto)degradação figueirense.
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*A foto que ilustra esta posta foi tirada do exterior porque o “estabelecimento” estava encerrado. De qualquer modo, o leitor interessado pode sempre deslocar-se lá para aferir com os próprios olhos o critério de sofisticado bom-gosto que presidiu à escolha dos novíssimos ladrilhos que “alindam” agora os pavimentos superiores, bem como dos guarda-sóis, da mobília de jardim e do bar de praia instalado no baluarte a nascente.

sexta-feira, 26 de julho de 2019

A Alves


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Como o prometido é de vidro, lá me debrucei sobre mais uma figura do jornalismo-de-merda, com retrato e tudo.
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Ao contrário do que se possa pensar, o jornalismo de merda, o verdadeiro jornalismo de merda, não se faz só com carregadores de pianos. Também tem os seus virtuosi; e até, naturalmente, a sua prima donna. Este é o caso de Clara Ferreira Alves, a ferreirinha Alves, que assina no Espesso, há mais de vinte anos, uma coluna de opinião com o capitoso nome de Pluma Caprichosa.
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A Alves licenciou-se em Direito por Coimbrameudeus mas nunca exerceu. Segundo a sua página da Wikipédia, “abandonou o estágio de advocacia para se tornar jornalista”. Fez o seu tirocínio com Nuno Rocha, no jornal “A Tarde”, esse farol do “centro-direita”. A seguir foi sempre a subir, por aí abaixo: o Correio da Manhã, a “experiência política no gabinete de imprensa de Mário Soares” e finalmente o Espesso, onde assinou reportagens de guerra(!), entrevistas, críticas literárias e a pluma caprichosa, lado-a-lado com outras divas e virtuosi do nosso jornalismo-de-merda como esta, e este.
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Pelo meio a Alves, que também é xcritora, foi, alternadamente, santanéte e socratista, assumidamente anglo-saxónica (só lê livros em inglês e compra-os todos na amazon) e anti-comunista praticante (até espumar), descobriu a fé católica (que também pratica até ao delíquio), recusou um convite para ser directora do “Diário de Notícias” e aceitou outro para uma reunião do clube de Bilderberg. O seu trabalho, em palavras suas, escritas pela sua própria pluma caprichosa e desassombrada, “vende opiniões sujeita ao rating das audiências e comentários online”.
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Ora se para emporcalhar reputações o jornalismo-de-merda serve-se sempre, sobretudo, de carregadores-de-pianos - para as limpar (sobretudo reputações mais sujas do que um pau de galinheiro - como a do sinistro Júdice, um velho coirão oportunista e troca-tintas a quem entretanto foi concedida uma cátedra de comentário político num canal de televisão do mesmo grupo impresarial) o Espesso recorre invariavelmente a virtuosi ou primas donnas, como a Alves.
Porque para um jornalista-de-merda qualquer sale besogne é uma oportunidade. Para a Alves é muito mais - é um desígnio, e um refrigério.
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quarta-feira, 24 de julho de 2019

Um asno de modéstia


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José Miguel Júdice aposentou-se. Da advocacia. Sobra-lhe agora mais tempo para a plítica (tem agora uma cátedra de comentadeiro na SIC). E para dar entrevistas, claro. Deu uma recentemente ao Espesso do Balsemão. Na qual diz que ah e tal “eu devia ser um cavalo de orgulho”. Assim- nem mais. Clara Ferreira Alves, a “jornalista” que fez, enfim, o servicinho, rendida ao charme discreto do velho oportunista, soltou umas pérolas envernizadas e embevecidas a propósito da admirável biografia do estafermo.
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Já uma vez me debrucei sobre a triste figura deste fascista lambe-cus – a quem dediquei todo um verbete, a 13 de Agostro de 2011, no meu álbum dos rostos da classe dirigente, aqui
Sobre a Ferreirinha alves é que ainda não. Nunca calhou. Mas fica prometido. Na rubrica “jornalismo de merda”.
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