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Domingo, 19 de Maio de 2013

Jorge Videla


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A Argentina é, como Portugal, um país muito dado a messianismos e a uma cultura popular tão adepta da “autoridade” como propícia à cobardia cívica que torna possível as piores tiranias, com os seus cortejos iníquos de atrocidades.
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Todavia, ao contrário de Portugal (cuja democracia permitiu o exílio dourado dos ditadores, a liberdade impune de todos os seus quatrocentos mil bufos e até a condecoração de alguns torturadores) a Argentina decidiu por fim julgar os seus. E condená-los.
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Foi assim que Jorge Videla, o presidente da Junta militar (até 1981) que governou o país de 1976 a 1983 - com apoio de muito bom povo, do empresariado, dos estados unidos e da santa madre igreja - foi parar à cadeia.
Em 1985 foi detido e condenado a prisão perpétua por 66 assassinatos, centenas de raptos e casos de tortura, mas foi amnistiado, em 1990, por Carlos Menem. Todavia, oito anos depois seria de novo detido e acusado do rapto sistemático de recém-nascidos às mães detidas. Por este crime seria finalmente condenado, em Julho de 2012, a cinquenta anos de prisão.
Acusado ainda pela sua participação no Plano Condor –um acordo com as ditaduras do Chile, Brasil, Bolívia, Paraguai e Uruguai para o assassínio dos seus opositores – seria condenado a prisão perpétua, em 2010, por “crimes contra a humanidade”.
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Morreu esta semana, que se fodeu.
Na cadeia, que é onde devia viver para sempre, o filho da puta.
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Quinta-feira, 16 de Maio de 2013

ameizingue


Miguel Cadilhe é um administrador de ponta - o que num país com as business schools mais cotadas do planeta, não admira (o que admira é o país estar arruinado).

Já foi ministro de Cavaco. Agora dá aulas de economia e gestão na universidade católica do Porto. Mas entretanto administrou montes de merdas e até bancos.

Quando foi administrar a massa falida do BPN, a primeira providência que tomou foi tratar da sua própria reformazinha. 
Entretanto, foi notícia como testemunha (deduzo que abonatória) de Duarte Lima (com Oliveira e Costa e outros concerteza também muito abonatórios e respeitáveis administradores).

Recentemente foi condecorado por Rui Rio, certamente por altíssimos e desinteressados serviços prestados à mui nobre, sempre leal e imbicta cidade do Porto. 
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Agora, com todo o prestígio que um currículum destes importa, Cadilhe apoia a candidatura de Luis Filipe Menezes à Câmara Municipal do Porto. Nem mais.
Mas só se ele "garantir a sustentabilidade das contas da autarquia".
Ah pois, porque Cadilhe é muito exigente  em questões de rigor e sustentabilidade e o caralho, ou lá o que é.

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Domingo, 12 de Maio de 2013

António Mexia

Mexia, o crestianoreinaldo dos gestores portugueses (agora ao serviço do estado chinês) previu, sem papas na língua e do alto da sua visão periférica, que o resultado do dragão seria mau para a economia e para o PIB nacional.
As suas capacidades de previsão são inegavelmente superiores às do ministreiro Gaspar. 
Acertou na mouche. Ontem à noite no lugar que habito, à hora do que presumo ter sido o grande game, não ouvi foguetório - facto que costuma indiciar a esfuziante alegria do povo. 
Deduzo que agora sim, deve ter começado enfim a grande depressão.
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Sexta-feira, 10 de Maio de 2013

Paulo Morais


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Paulo Morais já foi amigo de Rui Rio (ninguém é perfeito: eu próprio já fui amigo de alguns cretinos mas com o tempo fui corrigindo isso).
Paulo Morais não é advogadozeco nem economistazinho, nem jotinha profissional - é professor de matemáticas. 
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O homem fez lá as suas contas e disse que os tugas, ao contrário da versão mil vezes repetida pelos comentadores do regime, não andaram nada a esticar-se (a viver acima das suas possibilidades) - andaram foi a ser roubados - e a eleger os ladrões.
Ou seja, e ele não se cansa de o repetir em todo o lado (o homem já pôs tantas vezes o dedo na ferida que é capaz de já ter uma ferida no dedo): o problema desta choldra é (sempre foi) a corrupção, assim como a estupidez natural.
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Apesar de ser um homem de direita (ele é membro do PSD) o que ele propõe parece-me muito acima dos conceitos de esquerda ou de direita. Parece-me da índole do simples bom-senso, isto é, da mais elementar inteligência.
A saber: entre outras medidas também simples,
1º- a expropriação de todos os bens dos «cavalheiros que nos andaram a roubar»,
2º- a exigência que as casas dos fundos imobiliários paguem IMI (seria quase 1% do PIB)
3º- o património não usado deve ser expropriado (isto já foi testado, creio que com algum êxito, com a Lei das Sesmarias (não consta que D. Fernando, o formoso, fosse comunista).
Ainda segundo Paulo Morais, em vez de incomodar 3 milhões de pessoas o Governo de Portugal teria que incomodar apenas 3 pessoas – António Mota, Ricardo Espírito Santo e Vasco Melo, detentores de 95% das PPPs.
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O problema é que para este programa de bom-senso ser exequível, será preciso fazer uma autêntica revolução.

Eu sempre achei que a verdadeira revolução não é coisa para exaltados.
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Terça-feira, 7 de Maio de 2013

Nigel Evans


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Nigel Evans, o deputado conservador * e speaker da Câmara dos Comuns da Inglaterra, foi detido por suposto “assalto sexual” a dois jovens efebos ingleses.
Pérfida* Albion*. É como se John Bull himself fosse penalizado por praticar, à outrance, as tradições, digamos, mais arcádicas desse pitoresco old country.
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*Conservador é o termo que no Reino Unido se dá à orientação política que pugna pela conservação das tradições mais coevas, dos mais egrégios valores e de outros costumes.
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*Pérfida Albion é uma expressão pejorativa de cariz anglófobo cunhada por um poeta francês que achava que o Reino Unido era o exemplo acabado de uma nação onde se dizia uma coisa e se praticava outra (o nosso Guerra Junqueiro tinha uma visão semelhante) - ambos suspeitavam que, embora não confessada e assumida, a prática mais ou menos generalizada e consentida da sodomia entre os membros varonis da classe dirigente britânica (educada em muito aristocráticos e exclusivos colégios) seria um costume inspirado no modelo arcádico, para não dizer mesmo espartano.
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*Albion era o nome por que era conhecida a pitoresca Inglaterra, entre os gregos antigos.
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Terça-feira, 30 de Abril de 2013

O secretário moedas


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No Alentejo as pessoas transportam apelidos, alguns bem pouco usuais para não dizer pitorescos, que derivam certamente de alcunhas bastante eloquentes sobre o género de actividades a que se dedicavam os seus coevos. Existem por exemplo os Pau-Grosso, os Negreiros, os Cobra, os Borracho, os Serradura, os Pinoca, os Sim-Sim, os Zabumba, os Penetra etc., etc. Assim, se um alentejano hodierno der pelo apelido de “Conas” é bastante plausível que um qualquer antepassado seu se tenha dedicado com alguma proficiência a actividades sei lá, ligadas à ginecologia ou assim.
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Carlos Moedas, o secretário de estado da Troyka, foi eleito deputado pelo círculo de Beja. Do seu apelido alentejano é bem possível, com alguma bonomia, entrever um Moedas de antanho especialista em numismática, mas pelas idiossincrasias do rapaz o mais provável mesmo é ter havido na sua mais ou menos remota ascendência um interesse muito mais do que académico, uma fixação explícita, pelo contado, ou mais prosaicamente, pelo vil metal.
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Todavia o rapaz moedas é dotado. O secretário Moedas não é um secretário qualquer. É o secretário de estado da troyka. Tem assento no conselho de ministros e despacha com o seu compincha, o Borgia das privatarias, com quem já aprendeu imenso na área das “fusões” e “aquisições”. São ambos rapazes Goldman Sachs.
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E ainda estão só a começar. Se os portugueses os deixarem “trabalhar”, como pretende o presidente da república, um algarvio apelidado Cavaco, quando eles acabarem, todo o país estará privatizado. Então, à excepção de umas quantas famílias conhecidas, todos os outros portugueses responderemos pelo mesmo apelido: os Fodidos.

Domingo, 21 de Abril de 2013

A literatura peixota


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Gostaria de pôr tudo de pernas para o ar para ver o que se encontra no fundo. Acho que estamos de tal modo emaranhados e somos tão terrivelmente manipulados, que a nossa vida, para que a possamos estudar, temos primeiro que rebentar com ela, queimá-la, para depois recomeçar tudo de novo.
August Strindberg
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Os portugueses são uma gente que tolera, com entusiasmo alarve diga-se, a estupidez, a arbitrariedade e todo o género de iniquidades. Esta predisposição atávica e natural permitiu-lhes, sem grandes sobressaltos, sobreviverem a quase três séculos de inquisição, da qual só se viram livres pela acção conjugada de um terramoto e de um tirano esclarecido (Pombal, em 1755, aboliu a distinção entre cristãos-novos e velhos). Foi contudo de pouca dura. Morto D. José, a sua herdeira mandou buscar de volta os frades de S. Domingos e os tugas lá se amancebaram outra vez com a santíssima, pelo menos até 1821.
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Paradoxalmente, o país de hoje vive de novo sob a mesma teologia do sacrifício predicada pelos dominicanos. É preciso que sejamos todos mais pobres para sermos mais felizes, dizem eles: os comentadores avençados, os políticos corruptos, os banqueiros filhos-da-puta, os filósofos de merda. A república é presidida por um imbecil cavernoso e imprestável e governada, com a mão de ferro do inepto Gaspar, pelo pugrama Exel.

Por todo o lado triunfa a mediocridade. Até a cultura deu o seu imprescindível contributo a este caldo infecto. A cultura portuguesa aliás vive a sua época de ouro da pessegada: depois da arte-vasconcelos eis agora a literatura-peixota.
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O inenarrável, imarcescível e premiadíssimo José  Luís Peixoto propôs-se,  não fazer versões dos clássicos para crianças (como outrora o figueirense João de Barros) mas sim, com o patrocínio da revista Visão - versões dos clássicos para atrasados mentais. Já começou com Camões e com Os Lusíadas
Veja aqui o I Canto na redacção do peixoto-zinho xcritor - é ou não é inacreditável?.
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E contudo, os portugueses, pelo menos a maioria deles, não vê a alternativa credível a toda esta apagada e vil tristeza.
-Confesso que nem eu. 
Os portugueses não têm particular tendência para mudar seja o que for através de uma revolução política (quando o fazem, três quinze dias depois está tudo como dantes no quartel de Abrantes).
E, convenhamos, a hipótese de lhes calhar na rifa outro tirano esclarecido é muito remota (um raio nunca cai duas vezes no mesmo lugar).
-Por isso mesmo é que eu deposito todas as minhas esperanças enfim, no terramoto.
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Sexta-feira, 5 de Abril de 2013

Urbano a presidente


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O tour-de-force que, nas redes figueirinhas do Face-Book, tentou impor Urbano Pinto, o bobo da corte noctívaga local, para rei do carnaval não logrou sensibilizar os doutos decisores do grande turismo da praia da Claridade. Estes não o julgaram com dignidade suficiente para tão circunspecto evento. Em tempo de crise e em vez de um autêntico bobo preferiram um simples idiota, embora cínico mas bem mais mediático que, para gáudio alarve da populaça, em troca de uma soma pornográfica não se importou de fazer de bobo pelo tempo de um desfile, ou dois.
Confesso que o que inicialmente me pareceu uma bem-humorada pândega para debochar o patético entrudo figueirinhas, o movimento “Queremos Urbano Pinto a rei do Carnaval”, depressa se revelou algo muito mais sério – sem ponta de graça – uma espécie de movimento fundamentalista bastante abrangente (chegou a juntar seiscentos e tal laiques) em defesa acrisolada da pureza imaculada dos valores regionais figueirinhas e da genuinidade imbecil do seu rei mômo contra os perversos reis mômos vindos de fora, pagos a peso de ouro pela  malvadez corrompida dos malvados decisores da Figueira-Grande-Turismo.
Ou seja, o que no princípio me parecia sinal de algum sentido de humor enfim, de alguma vida inteligente, depressa se revelou um fórum de labregos semi-analfabetos e envaidecidos da sua hereditariedade. Fui descomposto por uma menina analfabeta de apelido sonante e consoantes dobradas que se sentiu ultrajada por que lhes chamei “pândegos” e por achar que “caralho” é um palavrão. Enfim, fiquei elucidado sobre o género de causa que mobiliza a cidadania figueirense nas redes sociais.
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Agora contudo que o carnaval das autárquicas se aproxima, já se perfilam as habituais candidaturas que, como de costume, propõem natural e alegremente mais do mesmo ao bom povo que aprecia obra feita, merdas bonitas, sorrisinhos fótóxope, carnavais sérios, aventais de plástico e reis mômos impantes de dignidade.
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A mais idiota de todas estas candidaturas é porém a do santanéte Miguel Almeida. Miguel, como eu penso que demonstrei aqui e aqui, não é um simples idiota. É um autêntico cretino, um verdadeiro asno. Um profissional, portanto. Para aferir isto, nada melhor do que ver como ele se expressa, por escrito. Por exemplo, no seu blogue. Fui ver e, para além de um voluntarismo ingenuamente bacôco e egomaníaco, o seu discurso bisonho e paroquial está repleto de lugares-comuns, alguma esperteza saloia, imensas banalidades e erros ortográficos: logo no post mais recente fui agredido pela “metrologia”, que me impediu de o ler até ao fim. Combalido, ainda tentei ler o seguinte mas desisti quando fiquei a saber da “primeira vez” que conheceu Pedro Santana Lopes porque deduzi que a vida social do pobre diabo deve ser um tanto entediante, de repetitiva.
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Foi então que cheguei à conclusão que não compreendo porque uma populaça - que acha que a seriedade do carnaval e a dignidade do rei mômo são uma questão de prestígio regional, que se queixa dos políticos mas não vê alternativa credível ao rotativismo repetitivo e que já elegeu uma anta como Miguel Almeida vereador e até deputado* - não elege Urbano Pinto para presidente.
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Com um verdadeiro bobo a presidente, a animação seria permanente. Mais simples sei lá, mais pura. Mais autêntica. Sem o cinismo velhaco e pretensioso deste género de idiotas.
Agora sim, faria sentido uma vaga de fundo – no Face-Book ou ailleurs -que levasse o pobre Urbano ao lugar – esse sim - que lhe é devido, com todo o merecimento.
O non-sense faria enfim algum sentido.
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*deputados são uns senhores que propõem, discutem, aprovam e redigem as leis porque a populaça se rege.
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Terça-feira, 2 de Abril de 2013

Honoré Daumier


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Honoré Daumier foi um dos mais notáveis artistas franceses do século dezanove. Gravador, pintor, ilustrador e escultor, foi um desenhador compulsivo e torrencial, produziu mais de quatro mil litografias e quinhentas pinturas mas é conhecido ainda hoje sobretudo como “caricaturista”. Tanto, que lhe chamaram, no seu tempo, o “Miguel Ângelo da caricatura”.
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E foi, de facto, Honoré Daumier que transformou a caricatura de imprensa numa arma política. E foi ele também um dos primeiros a demonstrar, sistemática e metodicamente, como a usar de forma contundente (veja-se como ele representou, por exemplo, a nossa guerra civil de 1831-1834). Quando foi aprovada uma lei de censura que restringia fortemente as liberdades da sátira política (Daumier foi o único caricaturista que cumpriu prisão em toda a história da imprensa francesa) dedicou-se à caricatura de costumes - veja-se o que ele fez, em gravura, com les gens de la Justice e com les bons bourgeois ou, em escultura, com as 36 “celebrités du juste milieu” (uma colecção de bustos caricaturais de eminências políticas do “arco da governação” da sua época).
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