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domingo, 20 de Abril de 2014

os meios reduzidos

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Então é assim:
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Afinal é simples.
-" Le dessin c'est une peinture avec des moyens reduits".
Voilá.
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sábado, 19 de Abril de 2014

O presidente da associação 25dabril

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O tenente-coronel (ou lá o que é que ele é) na reserva Vasco Lourenço é um dos capitães revolucionários de Abril de 1974. Lourenço também usa aventalinho (é maçon no grandeorientelusitano) e preside todos os anos às almoçaradas comemorativas do movimento dos capitães.
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Lourenço é, no entanto, um revolucionário muito peculiar. Ele é um moderado impetuoso. Assinou, por exemplo, o documento dos nove antes mesmo de o ler (!).
O documento, que representava os militares de tendência moderada, dizia “recusar tanto o modelo socialista da Europa de Leste como o modelo social-democrata da Europa ocidental” e defendia algo “baseado numa democracia política, pluralista, nas liberdades, direitos e garantias fundamentais”.
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O general (ou lá o que é que ele é) anda agora porém muito excitado com as conquistas dabril e tal, mas não sei exactamente de que é que ele se queixa - afinal, o seu modelo alternativo “entre o socialista e o social-democrata” venceu em toda a linha. Aí o tem
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- Ah e tal isto não é carne nem é peixe, pá - diz ele. Mas a maioria que governa democraticamente o país sugere que ele coma e cale - que os cães também o fazem e também andam gordos.
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quinta-feira, 17 de Abril de 2014

segunda-feira, 14 de Abril de 2014

O sr. Carlucci

A poucos dias do quadragésimo aniversário do vintedecincodabril e do estabelecimento da democracia, lembrei-me de Franck Carlucci, o ex-embaixador dos EUA em Lisboa nos idos de 1975. 
Nessa altura conspirou com Mário Soares pla democracia. Depois do estabelecimento desta – enfim, tal como a conhecemos em Portugal - o homem chegou a director da CIA e depois, por fim, dedicou-se aos negócios. Fez fortuna e hoje é o rosto do grupo Carlyle, com interesses em Portugal.
Mas já antes, em 1960 - e sempre, naturalmente, pla democracia - tinha conspirado com o sr. Mobutu Sese Seko, no Kongo, contra o governo de Patrice Lumumba. 
E, em 1964, também tinha supervisionado o estabelecimento da democracia no Brasil (municiando os esquadrões da morte e providenciando a eliminação física de dirigentes da oposição), depois do derrube do presidente João Goulart.

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Por estas e por outras resolvi fazer-lhe um retrato. Para que se não esqueça o rosto de um obreiros da nossa democracia.
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quinta-feira, 10 de Abril de 2014

João Gaspar Simões

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Partindo do princípio de que todos os homens são susceptíveis de se determinar por uma certa ordem de valores, o problema da cultura e, em última instância, o problema da vida estão na atenção que se preste ao próprio homem na organização dos meios favoráveis à sua própria condição humana.
Quer dizer, em última análise, que o valor que a cultura precisa de preservar é o próprio homem, centro de toda a actividade pensante e de toda a orgânica política e social. Uma antropomorfização da vida intelectual, ética, política e social - eis a finalidade de toda a cultura. A convicção de que é este o caminho para solucionar a crise do nosso tempo seria partilhada por todos os homens de bom pensar se não fosse a conclusão de HegeI citada pelo próprio Delfim Santos e é que: «a história só nos ensina que o género humano nada aprende da história».
Isto significa ser mais fácil ao homem vincular-se a fórmulas e identificar-se com sistemas que se lhe afiguram garantir a continuidade dos seus bens adquiridos, por mais mesquinhos que eles sejam, do que procurar resolver o seu problema fundamental, qual seja encontrar novas formas de cultura quando aquelas em que vive já não servem para satisfazer aquilo que é ou deve ser a sua finalidade última: tornar-se verdadeiramente homem.”

João Gaspar Simões, Liberdade do Espírito, Ensaios. Porto: Portugália, 1948
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segunda-feira, 7 de Abril de 2014

A cavaca

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Maria Cavaco Silva, a quem o Diário de Notícias - na sua secção “Pessoas” - chama, sem aspas, “a primeira dama”, foi inaugurar a Feira de Arte e Antiguidades, na Cordoaria Nacional.
A legítima do Cavaco visitou prolongadamente a exposição e, no fim, confessou-se uma apaixonada da arte desde criança.
E mais, reconheceu que "o país está a valorizá-la cada vez mais" e que "a geração jovem está a ter um papel essencial nisso". Este tipo de iniciativas, frisou ainda, "é muito importante para chamar as pessoas para a cultura".
O diário de notícias titulou assim a notícia: Primeira dama quer “chamar as pessoas para a cultura”.
Digam lá que não é lindo.
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Eu também acho que o país valoriza imenso a arte, e a cultura, e isso. E é tal a demanda que, nem sei como, ninguém se lembrou ainda (uma pecha no nacional-empreendorismo) de criar sei lá uma rede de lojas tipo pingo-doce, assim a modos que também a preços baixos, mas só de arte & antiguidades. Aqui fica a ideia. É grátis.
Em todo caso, quem assim tem uma primeira-dama e um diário de notícias para que precisa de um ministério da cultura? Sim, para quê?
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A verdade é que tudo isto me parece o enredo de um daqueles filmes da época de ouro do desenho animado americano. Só que em perverso e pavoroso. Este filme nunca mais acaba; o non-sense é cada vez mais óbvio; tem cada vez menos piada; o ridículo adoptou o tom venéreo da normalidade - o que faz com que o absurdo da coisa tenha cada vez mais um único sentido, sem regresso: o do pesadelo. Acordem o Tex Avery. Ou o Chuck Jones. Ou o Fritz Freleng. Ou as forças armadas. O Salgueiro Maia. Alguém. Mas tirem-me deste filme.
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domingo, 6 de Abril de 2014

Agostinho da Silva

A vida, para a vida, é sempre longa; mas para a arte é sempre breve; 
só quando se não faz nada há sempre tempo
Agostinho da Silva
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segunda-feira, 31 de Março de 2014

O poeta incómodo


Poeta 
a poesia é uma máquina
de produzir entusiasmo
e é preciso que os versos sejam verdadeiros
na vida dos poetas
como a tua mão erguida
sobre os anos futuros
quando o próprio bronze das estátuas se cobrir
do verdete do esquecimento
e das urtigas
entre as ruínas de um passado morto
e as pequena plaquetes dos sentimentos pobres
dos líricos delírios
das doidas metáforas sem sentido
louvadas pela crítica só tiverem
o arqueólogo encanto de um cabelo de Ofélia...

Então
os teus versos estarão na primeira fila dos pioneiros
cobertos de cicatrizes
porque fizeram todo o caminho do tempo
multiplicados por milhões de vozes
pela alta potência dos alto-falantes
como uma bandeira erguida
sobre os anos futuros.
Joaquim Namorado


Este ano comemoram-se oitocentos anos da língua Portuguesa. Ah pois.
E quatrocentos da primeira edição de “Peregrinação”, de Fernão Mendes Pinto. 
E quarenta do vintecincodAbril, claro. 
Os Correios de Portugal não se esqueceram de nada disto e estão a tratar de o evocar, convenientemente e como de costume, como aliás lhe compete, em belas edições filatélicas.
Os CTT também não se esqueceram dos cem anos do poeta (e matemático) Joaquim Namorado e também lhe dedicaram um selo, integrado numa nova série dedicada a “vultos da história e da cultura” nacionais.
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Joaquim Namorado - que cheguei a conhecer fugazmente (nas mesas do café Nau) e a quem já evoquei aqui a propósito de outra coisa – é um poeta cuja relevância  intelectual e estética (dirigiu durante anos a revista Vértice e foi ele que cunhou uma das correntes literárias dominantes no século vinte português) é tão iniludível como o seu testemunho de cidadania. No entanto, além de poeta da incomodidade e de “Aviso à navegação”, empenhado políticamente (até à militância), também foi capaz da contenção, da ironia profunda, da invenção e do arrojo formal de “Viagem ao país dos nefelibatas”.

A Figueira chegou a ter um prémio literário com o seu nome, que o inenarrável Santana Lopes aniquilou e o actual poder autárquico sucialista substituiu pelo nome de João Gaspar Simões (nada contra, uma coisa não impede a outra). Mas há mesmo uma petição ao presidente da Câmara com o objectivo de “recuperar o prémio literário Joaquim Namorado”. Assine aqui,

- porque a cidade da Figueira da Foz, onde o poeta se fixou, fundou um jornal, foi eleito à assembleia municipal e residiu até á morte, nada. Isto de “vultos da história e da cultura” é, convenhamos, algo que lhe passa ao lado (veja-se os casos de Cândido Costa Pinto e de João César Monteiro).
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A verdade é que ou a cidade tem memória de peixe - as coisas passam-se-lhe – só uma cidade com a memória de uma chaputa (ou de uma tremelga) se esquece dos seus maiores - ou então o poeta da incomodidade ainda incomoda. Mesmo depois de morto.
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quinta-feira, 27 de Março de 2014

O gaspar em avózinha

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Ser economista em Portugal é, sei lá, ter sede de infinito, ou assim. Uma espécie de religião.
Segundo a jornalista Anabela Mota Ribeiro, Teodora Cardoso foi a primeira mulher a usar calças no Banco de Portugal.
Não sei se compreendo bem o que isto quer dizer mas suponho que signifique que, embora a economista Teodora Cardoso - presidente de uma coisa em forma de assim que se chama “Conselho das Finanças Públicas”- seja do sexo feminil, procede como os seus colegas economistas do sexo varonil.
Deve ser este economicismo transsexual que lhe permite processar as mesmas ideias de merda, que tira do mesmo sítio de que invariavelmente os seus colegas varões tiram as suas.

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Em todo o caso, ela diz que o que é preciso é ter ideias
De qualquer modo, como é de provecta idade (são muitos anos a assar frangos) e como são as dominantes, elas saem sozinhas, sem esforço. Ela fá-lo em público. E tira-as com um gancho. De forma sonora, a Teodora.