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sexta-feira, 26 de julho de 2019

A Alves


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Como o prometido é de vidro, lá me debrucei sobre mais uma figura do jornalismo-de-merda, com retrato e tudo.
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Ao contrário do que se possa pensar, o jornalismo de merda, o verdadeiro jornalismo de merda, não se faz só com carregadores de pianos. Também tem os seus virtuosi; e até, naturalmente, a sua prima donna. Este é o caso de Clara Ferreira Alves, a ferreirinha Alves, que assina no Espesso, há mais de vinte anos, uma coluna de opinião com o capitoso nome de Pluma Caprichosa.
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A Alves licenciou-se em Direito por Coimbrameudeus mas nunca exerceu. Segundo a sua página da Wikipédia, “abandonou o estágio de advocacia para se tornar jornalista”. Fez o seu tirocínio com Nuno Rocha, no jornal “A Tarde”, esse farol do “centro-direita”. A seguir foi sempre a subir, por aí abaixo: o Correio da Manhã, a “experiência política no gabinete de imprensa de Mário Soares” e finalmente o Espesso, onde assinou reportagens de guerra(!), entrevistas, críticas literárias e a pluma caprichosa, lado-a-lado com outras divas e virtuosi do nosso jornalismo-de-merda como esta, e este.
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Pelo meio a Alves, que também é xcritora, foi, alternadamente, santanéte e socratista, assumidamente anglo-saxónica (só lê livros em inglês e compra-os todos na amazon) e anti-comunista praticante (até espumar), descobriu a fé católica (que também pratica até ao delíquio), recusou um convite para ser directora do “Diário de Notícias” e aceitou outro para uma reunião do clube de Bilderberg. O seu trabalho, em palavras suas, escritas pela sua própria pluma caprichosa e desassombrada, “vende opiniões sujeita ao rating das audiências e comentários online”.
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Ora se para emporcalhar reputações o jornalismo-de-merda serve-se sempre, sobretudo, de carregadores-de-pianos - para as limpar (sobretudo reputações mais sujas do que um pau de galinheiro - como a do sinistro Júdice, um velho coirão oportunista e troca-tintas a quem entretanto foi concedida uma cátedra de comentário político num canal de televisão do mesmo grupo impresarial) o Espesso recorre invariavelmente a virtuosi ou primas donnas, como a Alves.
Porque para um jornalista-de-merda qualquer sale besogne é uma oportunidade. Para a Alves é muito mais - é um desígnio, e um refrigério.
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quarta-feira, 24 de julho de 2019

Um asno de modéstia


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José Miguel Júdice aposentou-se. Da advocacia. Sobra-lhe agora mais tempo para a plítica (tem agora uma cátedra de comentadeiro na SIC). E para dar entrevistas, claro. Deu uma recentemente ao Espesso do Balsemão. Na qual diz que ah e tal “eu devia ser um cavalo de orgulho”. Assim- nem mais. Clara Ferreira Alves, a “jornalista” que fez, enfim, o servicinho, rendida ao charme discreto do velho oportunista, soltou umas pérolas envernizadas e embevecidas a propósito da admirável biografia do estafermo.
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Já uma vez me debrucei sobre a triste figura deste fascista lambe-cus – a quem dediquei todo um verbete, a 13 de Agostro de 2011, no meu álbum dos rostos da classe dirigente, aqui
Sobre a Ferreirinha alves é que ainda não. Nunca calhou. Mas fica prometido. Na rubrica “jornalismo de merda”.
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quarta-feira, 17 de julho de 2019

há racistas que são superiores a outros?


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Há meninas, porqueiras, calondros, cabaças, manteiga, gilas, de pescoço, italianas, francesas, libanesas, até japonesas, mas todas oriundas da américa central. Curiosamente, há quem acredite que umas são superiores às outras. Por isso fazem concursos de abóboras – mais ou menos como os de misses - porque também há quem acredite que há mulheres superiores às outras. Trata-se, receio, muito mais de uma pulsão do que de uma decisão racional. É tudo gente de muita fé, que acredita em tudo, mas sobretudo na competitividade. Sim, porque são imensamente competitivos, entre eles.

Indiferentes porém a este frenesim de imbecilidade, as abóboras em geral crescem lado a lado, ou cada uma no seu terroir, despreocupadas e sem grandes pruridos competitivos - limitam-se a ser redondas ou oblongas, lisas ou em gomos, glaucas ou douradas, num regalo para a vista.

Entretanto, a pulsão de estupidez natural e irracional atingiu o grau mais elevado do competitivismo, o supremacismo himself. E a coisa entrou numa vertigem delirante. Todos querem agora mostrar quem é mais coirão, racista e idiota do que a Fátima Bonifácio. Esta, convenhamos, é bastante racista. O cómico e entertainer João Miguel Tavares, não desmerecendo do seu público-alvo, é igualmente idiota e coirão. A competição, notoriamente redundante, indagora começou.

No entanto, à pergunta - “há um supremacista superior?,” a resposta óbvia é - “Não”. Porque eles são todos iguais.
A verdade é que, ao contrário das abóboras na sua imensa diversidade os supremacistas são todos da mesma estirpe. Estão uns para os outros na mesma imbecilidade. Mas não sabem. Se soubessem, perdiam o único sentido que acham para a vida.
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sábado, 13 de julho de 2019

O supremacismo bonifácio


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A milonga da “pureza” da “raça” e da sua pretensa “superioridade” está de volta. O velho e recesso racismo português, puro e duro, saiu do armário. Sem vergonha na cara e absolutamente nenhum medo do ridículo.
Tomei a liberdade de lhe fazer um retrato.
Como a coisa tem um ar de anedota, ainda que triste e trágica, dei-lhe um ar de madame e os traços de Fátima Bonifácio - a historiadora que escreve umas merdas no carrapatoso Observador e no inefável Público da Sonae. É ela, por estes dias, o rosto do supremacismo lusito.
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A canção “Pra quê discutir com madame”, de Dorival Caymmi, que por estes dias passa aqui - na barra lateral - na voz de João Gilberto, parece que foi escrita para ela. Madame não gosta que ninguém sambe.
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