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terça-feira, 24 de julho de 2012

Moita Flores, o autarcamóvel


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Há vários “tipos” ou “modelos” de autarcas. Isto é, existem no país profundo muitas formas, ou maneiras, algumas muito pitorescas, de representação política.
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Assim, temos o mais conhecido que é o "autarca-dinossauro". Trata-se de um género muito comum porque é o mais adaptado ao gosto genuíno do eleitor portuga - em geral este é conservador, ou seja, não gosta de mudança, acha sempre que nunca existe alternativa credível; uma filosofia política que aliás se consubstancia na máxima, popular, muito conhecida: “pra pior já basta assim”. Geralmente este autarca morre invicto, de tédio, após um ror atroz de mandatos consecutivos e melancólicos enquanto os seus munícipes vivem felizes e bem-aventurados sem saberem de nada.
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Depois, temos o “autarca-modelo” propriamente dito, que é uma espécie de ideal para venda; um modelo ideal para convencer os “fregueses” mais recalcitrantes: um pouco como o “andar-modelo” dos empreiteiros (depois digam que não sou óptimo com as analogias).
Devo dizer que tanto neste como no anterior modelo, cada partido tem os seus protótipos, adaptados aos terroirs e eleitores específicos de cada região.
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O que eu não conhecia era o "modelo-Moita-Flores".
É o último grito. Ao contrário do autarca-dinossauro e do autarca-modelo, este não ganha raízes. Trata-se de um modelo de político local que adere a qualquer local. É, receio, uma espécie de autarca-universal (não sei se me estão a acompanhar), um autarcamóvel.
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Moita Flores himself foi eleito pelos pacóvios de Santarém por dois mandatos. Todavia pouco pára por lá por via dos seus compromissos mediáticos (Moita é especialista numa data de merdas, o que faz que quando acontece uma merda qualquer as televisões têm logo que o ouvir porque ele é especialista e porque também estão sempre a acontecer merdas, o que só ele sabe explicar) e porque sofre imenso de uma doença muito lá dele que se agrava com o stress.
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Pediu para lhe pagarem metade do ordenado porque, para se tratar, cada vez mais raramente punha os côtos nos paços do concelho escalabitano. Entretanto, chegou a reforma antecipada que, num belo dia de 2011, tinha pedido porque estava farto da política, “um mundo de medos e de mesquinhez”, porque também queria mais tempo para se tratar do stress de uma doença muito lá dele e também para ter tempo para os seus compromissos merdiáticos e literários. Sim porque Moita é escritor (continuam a seguir-me?) escreve enredos de telenovelas e outras tramas light muito apreciadas por leitores pouco exigentes - mais ou menos como a maioria dos eleitores de Santarém.
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Entretanto, pediu a suspensão do mandato que a maior parte dos eleitores de Santarém lhe confiaram e estes viram a dívida da sua bela e gótica cidade upa-upa duplicar.
Ah, e recebeu o “honroso” convite do PSD para se candidatar à autarquia de Oeiras - É nisto que estamos.
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É claro que Moita aceitou porque, à primeira vista, a coisa lhe parece só flores. 
Senão vejamos: Oeiras elegeu repetidamente Isaltino de Morais, um corrupto condenado pelos tribunais e ilibado pelas prescrições – de onde se infere que apesar deste ser o concelho com maior número de licenciados do país o seu eleitorado parece ser tão pouco exigente e pacóvio como o de Santarém - o que para Moita deve ser, humm, digamos de certo modo, tranquilizador.
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Last but not least, em Oeiras a política não é “um mundo de medos e de mesquinhez” - além disso fica longe dessa selva que é a lezíria e muito mais perto das televisões, pelo que Moita pode levar a vidinha sem stress, escrevendo enredos leves, reflectindo solenemente sobre “os nossos destinos colectivos” no seu blogue confessional “projétil” e dando bitaites especializados às televisões; o que, convenhamos, deve ser muito bom para os divertículos intestinais de que padece.
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1 comentário:

cid simoes disse...

Um 'post' exemplar!...