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quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

O ano novo

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“a maior desilusão do ano foi para mim a descoberta ou melhor a consciência que a maioria das pessoas que há uns anos ainda protestavam nas ruas neste momento só esperam cinicamente que este governo acabe. Para mim, o conceito do ano foi o Não-Sebastianismo, o oposto da crença num salvador, apenas a esperança que os idiotas que nos governam um dia hão-de acabar por se ir embora.”
Mário Moura, aqui.
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Quando toda a gente se apraz em “balanços do ano” eu não posso, infelizmente, deixar de concordar com o autor do blogue “The Ressabiator”(com link na barra lateral).
A verdade é que a idiotia abúlica e o conformismo cínico generalizadamente instalados não prometem – na vida como nas artes - nada de bom, e de novo, para o ano que agora começa.
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No que me diz respeito porém, o facto de nunca ter permitido que qualquer marchand estipulasse preço ao meu trabalho fez de mim, receio, aquilo a que chamam um artista marginal - colocou-me fora do “mercado” – posição bastante desconfortável que, se limita em muito uma mais ampla difusão do meu trabalho, ainda assim me vai permitindo a liberdade de que careço para a expressão da minha sensibilidade.
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Por isso mesmo este blogue vai, humildemente como de costume, continuar usando sem parcimónia nem eufemismos do escárnio e da bela língua portuguesa contra todas as formas da estupidez (como o acordo ortográfico, por exemplo) e do desenho livre e sem concessões contra o conformismo das ideias feitas e todas as suas muitas outras máscaras ou facetas.
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6 comentários:

Maria Eu disse...

Saí à rua muitas vezes. Cansa. Continuo a sair. Continua a cansar. talvez haja cinismo. Talvez desgaste de serem sempre os mesmos...

Feliz 2015!

Rogerio G. V. Pereira disse...

Continua
Desertar
é sair deste espaço
e da rua

A Esperança?
Essa velha louca
que se manda lá do alto e voa
e para depois, cada ano que passa, voltar a ser criança

O poeta diz ter olhos verdes

Judite Castro disse...

BOM ANO de 2015. E que seja feliz :)

cid simoes disse...

Na rua, dentro deste nevoeiro cerrado, um quente abraço.

curiososempre disse...

Acabo de deixar um comentário ao sr. Mário Moura sobre o dito post.Carece de aceitação,vamos ver. Aproveito para aqui deixar também um pequeno comentário, ao comentário de Maria Eu. Não se deixe amedrontar, por aqueles (e só esses) que à mesa só gostam de ser servidos.

curiososempre disse...

Pois: o sr. Mário Moura acaba de me deixar a seguinte mensagem. "Comentários fora de tópico, violentos, incompreensíveis ou insultuosos serão sumariamente apagados." Não especificou a categoria que o motivou a deitar para o esgoto virtual o meu comentário ao seu escrito!!!!!!! Só por isto, este blog já faz a diferença. Correndo o risco de me tornar "chato" transcrevo aqui, mais ou menos integralmente o que escrevi ao sr. Mário Moura sobre tão "filosóficos" pensamentos.
É OBRA: a sua maior desilusão do ano foi "a descoberta ou melhor, a consciência que a maioria das pessoas que ainda há uns anos protestavam nas ruas neste momento só esperam cinicamente que este governo acabe".
Sugiro-lhe que levante o cu do sofá e vá perguntar aos desempregados, aos reformados, aos artistas e intelectuais sérios sérios e honestos qual a sua maior desilusão do ano findo. Listas alternativas, (mesmo no mundo das artes) sempre as houve e, agora para alguns é alta moda: fimes negligenciados sempre foram vistos: o não Sebastianismo já é velho, não lhe registou patente.
Sr. Mário Moura, tire uns dias de férias para refrescar ideias ou, caso não possa dê um salto aos Montes Hermínios e dê uns gritos, gritos bem altos pois ninguém o ouve, durante uns minutos, ou mesmo horas, conforme a gravidade da patologia e verá que vem muito melhor (por muito tempo espero, sinceramente).
Parece que melindrei o sr. Mário Moura com isto, enfim, nada a fazer.