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sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Ulrich (da série “o rosto da classe dirigente”)


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Neste país de prodígios não são apenas os fidalgos e os senhoritos que têm berço. Os burgueses também; têm linhagem,  pedigree.
Fernando Ulrich, por exemplo, não precisou de concluir a licenciatura em economia para ser o que é hoje - a coisa está-lhe nos genes – ele provém de uma família ligada à banca e às finanças, com raízes em Hamburgo, na Alemanha do século XVIII (é um espanto o que se aprende na wikipédia).  
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Contudo, ao contrário dos seus compatriotas do Deutche Bank, que empocharam uma fortuna pornográfica com a pobreza dos gregos (isto é, “apesar de estarem expostos às dívidas soberanas dos países periféricos”), o nosso Fernandinho confessa que apostou na dívida grega e perdeu: o seu banquinho, o BPI, apresentou um prejuízo de duzentos e três milhões de euros. Nem mais.
Mas o nosso ulrichzinho não se atrapalha por aí além; já sossegou os accionistas e até os clientes. Espera, diz ele, não fechar nenhum balcão, mas vai reduzir em vinte por cento os rendimentos dos seus “colaboradores”.
Este sim, é um “gestor de topo”. Um banqueiro com agá grande. 
Não é pois de admirar que tal guru da alta-finança seja ouvido com reverência (ou prostração?) pelos jornais de referência e de negócios, sobre tudo e sobre nada.
Agora digam lá se este país não é um alfobre de sumidades.

É um mistério estar como está.
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2 comentários:

Rogério Pereira disse...

Mais um texto à altura
da sua caricatura...

cid simoes disse...

É o retrato da classe dirigente de um país indigente. E já agora para não perder tempo, não se esqueçam de no dia 11 às 15 horas estar no Terreiro do Povo.