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quarta-feira, 19 de agosto de 2015

ascenso, os bons costumes e a plítica de Caçarelhos

Ascenso Simões fez saber que não apoia nem vai apoiar nenhum candidato à presidência da República. Nem mais. 
Ascenso também acha, e também fez que se soubesse, que há muito que defende “uma revisão da constituição que faça encerrar o anacronismo que é a eleição directa do PR”.
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E agora - perguntais vós - quem é esse pentelho simões?
Ora bem, Ascenso é um rapaz da minha idade. Só que sucialista e muito católico.
 Foi, por exemplo, um feroz opositor da despenalização do aborto. Tal como Guterres e como teria sido Américo Tomás. Mas é, par contre, a favor do fim da eleição directa do Presidente da República. Ascenso prefere escolhê-los a dedo. Como era no tempo do Tomás. E do Carmona, e do Craveiro Lopes. No tempo dos bons costumes.
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Embora se tenha licenciado tarde (tal como Passos Coelho, por causa da plítica) Ascenso é, segundo o seu blogue, “mestre em Gestão pela UTAD, titular do PADE – Programa de Alta Direção para Executivos da AESE/IESE, pós-graduado em Auditoria Pública pelo IDEFF, pós-graduado em Gestão Pública pela UTAD, licenciado em Ciências Empresariais, com especialização em Gestão de RH, pelo ISCET e Bacharel em Administração Autárquica pelo ISPP/UP. Ainda segundo o seu blogue, É conferencista e autor de livros técnicos, de centenas de artigos e textos académicos nas áreas da organização pública, da segurança e defesa, do ambiente e da energia. Tem, ainda, obra poética publicada”.
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Ascenso é um daqueles políticos portugueses que, a exemplo de Durão Barroso, Armando Vara, Assunção Esteves, Passos Coelho ou Edite Estrela, tiveram o início das suas carreiras políticas crismado por esse escol de exigência cívica e de cidadania informada e consciente que é o eleitorado transmontano. Depois disso, qual Calisto Elói, tem sido sempre a subir. Já foi, entre inúmeras outras coisas mais ou menos relevantes e irrelevantes, secretário d’estado, cabeça-de- lista por Vila Real e administrador da ERSE.
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Para um dos seus correligionários “tem conseguido, ao longo dos anos, lidar com as diferentes sensibilidades do partido e manter pontes. [Basta ver] que foi próximo de Sócrates, amigo de Seguro e diretor de campanha de Costa”. Segundo o jornal em linha “O observador”, “talvez isso justifique ter uma lista com mais de 300 pessoas a quem oferece presentes no natal – uma lista de onde nunca cortou qualquer nome”.
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Recentemente contudo, Ascenso foi descenso; tal como Calisto Elói. Quero dizer, foi despedido de director da campanha de Costa - por causa daquela cegada dos cartazes idiotas. 
Mas Ascenso não é nenhum anjo caído. Está de volta a Caçarelhos. Continua a ser cabeçadelista por Vila Real. Tem aliás a eleição garantida. E o direito constitucional, pelo menos por  quatro anos, a dizer mais, muitas, outras merdas.
Por isso fiz-lhe o retrato
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1 comentário:

ascenso luis simões disse...

Só hoje vi este excelente texto.
Muito obrigado por tanto mimo.
Com exceção da comparação com Calisto Eloi (por mim Silos, Benevides e Bermuda seram apelidos bem mais interessante) tudo o resto segue os amores e ódios de muitos.
Gostava de ter o “desenho” para guardar junto da extensa lista de elogios que recebi nestes muitos anos de vida pública. Também gostava de saber como faço chegar ao autor do Blog os meus últimos quatro livros publicados (os restantes 7 já se esgotaram) para que, se achar bem, possa completar a “sova” que aqui me oferece.
Com estima,
Ascenso Simões