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terça-feira, 4 de agosto de 2009

Pedro Cruz, um olhar silencioso


“Sempre achei que a estrutura formal de uma fotografia,
a sua composição, eram tão importantes como o próprio tema…
É preciso eliminar tudo o que é supérfluo,
é preciso dirigir o olho com uma vontade de ferro.”
Brassaï


A atenção ao “rumor do mundo” distrai-nos por vezes de “pequenas” zoeiras, mais próximas, mas que aos poucos se vão tornando “ensurdecedoras”. É o caso do talento de Pedro Cruz.
A fotografia, como a pintura, é “a arte” de - como dizia Brassaï, o grande fotógrafo francês de origem húngara – “dirigir o olhar”. É mesmo isso que faz o Pedro Cruz. Dirige-nos o olhar. Nas suas fotos do quotidiano (pedro não encena as suas fotografias) ele encaminha-nos sabiamente o olhar para aqueles segmentos da realidade em que nós, distraídos pelo rumor do mundo, nem sequer reparamos.
O co-autor do blogue “Outra Margem”, é um jovem “pas tout a fait comme les autres”; ao contrário do que é típico na sua idade (tem apenas 22 anos) não é daqueles que descobriram a pólvora seca das verdades insofismáveis; gosta mais de ouvir (e observar) do que de falar. O Pedro é um andarilho e, sobretudo, um observador incansável.
No seu olhar silencioso e perscrutador há algo que o distingue de um mero fotógrafo competente, algo intangível e difícil de descrever: uma sensibilidade poética; ou seja, aquilo que o torna capaz de, com enquadramentos ousados e um sentido da composição notável, transformar o mais banal retrato do quotidiano numa imagem carregada de sentido(s).
Embora ainda aprenda (Pedro estuda Ciências da Comunicação na UBI, Universidade da Beira-Interior), o seu olhar atento e fascinado pela beleza e pela tristeza do mundo ainda lhe permite, sem alardes nem baboseiras, a abstracção e o humor distanciado de um tão sintético quão despojado e minimalista retrato de si próprio como o que ilustra esta posta: uma obra-prima de um jovem, quando artista já consumado.
Mas tem mais. Aqui.

3 comentários:

Pedro Cruz disse...

Obrigado pela gentileza Fernando.
Abraço.

Fernando Campos disse...

Ora essa, Pedro.
A verdade não é gentileza,
é uma obrigação.

António Lopes disse...

É interessante o fim de caminho a que levou um link que me enviaram.
Há uma pessoa talentosa que fotografa, e alguém que manifesta publicamente - talvez mais do que publicamente - o apreço por esse trabalho. É caso raro alguém ter a coragem de manifestar entusiasmo, expôr-se, tomar partido, arriscar (?), por um "fragmento de obra" que merece. É comum as pessoas lançarem-se em manifestações públicas de elogio quando já algum reconhecimento foi assegurado por outros. Nesses casos, não há nada a arriscar. Bonitos exemplos: a fotografia e o reconhecimento.