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sexta-feira, 24 de julho de 2009

Lady Day


Billie Holiday morreu há cinquenta anos. Tinha 44.
Eu tenho 46. Mas, talvez porque até me tenho sentido bem, passei a noite a tentar desenhá-la enquanto a ouvia. Again and again (as palavras são de Abel Meeropol).
Não pude deixar de reflectir sobre a “música popular”, esse estranho fenómeno que, desde o advento do disco de 45 rotações se foi transformando cada vez mais num produto de consumo adolescente. A “música negra” seguiu o mesmo caminho: com o clip e a MTV tudo se transformou definitivamente nesta “coisa” visual e infantilizada, muito ruidosa, agitada e colorida mas vazia de referências e conteúdo que permite que se diga, sem contestação, que Michael Jackson foi um génio “musical”.
Ainda bem que Billie já não assistiu a tudo isto.
Nesta “árvore”, ela seria (outra vez) um bem “estranho fruto”.
STRANGE FRUIT
Southern trees bear a strange fruit
Blood on the leaves and blood at the root
Black body swinging in the southern breeze
Strange fruit hanging from the poplar trees
Pastoral scene of the gallant south
The bulging eyes and the twisted mouth
Scent of magnolia sweet and fresh
And the sudden smell of burning flesh!
Here is a fruit for the crows to pluck
For the rain to gather, for the wind to suck
For the sun to rot, for a tree to drop
Here is a strange and bitter crop.

1 comentário:

josé machado disse...

Este Blog é fenomenal, os meus parabens.

Abraço