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quarta-feira, 9 de abril de 2008

O brasil da língua


Confesso que me deixa perplexo todo o alarido e a histeria que se levantaram com o facto de “nos quererem roubar a língua”!! Basta ver a caixa de comentários desta notícia do Público para nos darmos conta de como a língua está “em brasa” e do nível do vernáculo e elevação de fundamentos de alguns dos que discordam do acordo ortográfico. Estala o verniz e logo afloram o preconceito, a suposta (e presumida) superioridade eurocêntrica e a verborreia nacionalista, patriótica e linguareira, enfim, a palermice.
Reconheço que, não sendo muito chegado a consoantes mudas ou não-articuladas, não lamentarei por aí além a sua supressão. Sou dos que acham que apenas o útil é belo.
O que me preocupa, e mesmo irrita, e cada vez mais, é a surdez progressiva da língua falada, ou seja, a supressão das vogais abertas na linguagem que se fala em Portugal. Isto é, os tugas cada vez mais “engolem” ou “fecham” as vogais quando falam. Dizem, por exemplo: “Em Prtgal, a cmida ê ‘ma mêrda.” Traduzindo (para os meus leitores do Brasil): “Em Portugal, a comida é uma merda”.
Eu, que já vou ficando um pouco duro de ouvido, temo que ainda venha a necessitar de legendas para entender um noticiário, ou um filme português…

5 comentários:

Fenrisar disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blogue.
Lelena Lucas disse...

Então, um angolano a comentar sobre as mudanças da língua portuguesa. Brasileira que sou, nascida no mesmo ano que você, cheguei no seu blog nas minhas derivações e me agradei. Aqui no meu estado de Minas Gerais, somos "especialistas" em demorar nas vogais, às vezes em exagero. Tendemos também a comer o final das palavras, a última vogal tônica se prolonga e liquidamos o restante com pouco esforço.
Quando tiver um tempinho sobrando (raridade e ambição de muitos), visite meu blog.
Um abraço, Lelena.

Fernando Campos disse...

Muito obrigado pela visita.
Lelena, erá um prazer retribuir.

Pedro Penilo disse...

Subscrevo inteiramente o que aqui é dito. Como já tive a experiência de viver e falar num país onde a língua escrita corresponde rigorosamente à falada, sei apreciar o tal "útil belo".

Entretanto, vou roubar umas letras ali em cima e levá-las para o meu blogue "Que diz o pivô". Espero que não lhe façam falta.

Abraç..

Pedro Penilo disse...

...e agora que já vi o seu blogue com mais calma, falta dizer que acho as caricaturas espectaculares.