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segunda-feira, 18 de junho de 2007

Mistério, melancolia, bola de ténis e peras



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(acrílico s/tela, 40x60 - 2000)

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.La potenza intellettuale di un uomo si misura dalladose di umorismo che è capace di utilizzare Giorgio de Chirico


Giorgio de Chirico é um artista fascinante. A sua obra é das mais marcantes e fecundas do século que passou.
Italiano, a sua sensibilidade foi indelevelmente marcada por um certo espírito germânico, absorvido nas leituras de Nietzsche e Schopenhauer e na pintura simbolista da Europa central (de Chirico viveu e estudou em Munique).
De Chirico escreveu: “Schopenhauer e Nietzsche foram os primeiros a ensinar o profundo significado do “não sentido” da vida e como esse sem sentido se pode transformar em arte”.
Essa “doença”, de que padeceu desde então, a melancolia, já fora partilhada por todos os artistas transumantes entre o norte da Itália e o sul da Alemanha, desde Dürer, Jacopo di Barbari, Giorgione e até Canaletto e Francesco Guardi.

O termo metafísico, cunhado pelo poeta Guillaume Apollinaire para definir a sua pintura, representava para ele tudo aquilo que se oculta atrás do aspecto quotidiano das coisas.

de Chirico nunca pintou sonhos, como os surrealistas, que o tiveram algum tempo como guru. Não o interessava a explicitação do irreal. O que o movia era “quebrar as relações de sentido entre as coisas, isso torna-as aterradoras”. Por isso a sua obra é mais hermética e refractária à interpretação.
Prodigioso criador de imagens inquietantes e paradoxais, de cidades desertas e congeladas no tempo, povoadas de uma luz crepuscular, misteriosas arcadas, sombras avassaladoras, manequins, torres e estátuas - de Chirico consegue a expressão do inquietante e do angustiante através de subtis e deliberadas incongruências de representação: perspectivas impossíveis e a introdução em cena de objectos estranhos e inusitados.
Fiz este pequeno quadro (usurpando o título e uma figura de um dos seus quadros metafísicos mais conhecidos, Mistério e melancolia de uma rua) em forma de homenagem, algo irónica, à melancolia daquele que foi um dos maiores criadores das imagens que fixaram a angústia e a inquietação do século em que nasci.
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1 comentário:

carlos freitas disse...

Parcas palavras de um mero olhador: Soberbo, Fernando.