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João Abel Manta morreu; aos 98 anos. Trata-se de um artista visual cuja obra monumental e multifacetada tem uma dimensão que não cabe num obituário. Era filho único do pintor Abel Manta e da pintora Maria Clementina Carneiro de Moura. Em 1971 auto-retratou-se, como sempre “com traço limpo e maneirinho”, com o seu amigo José Cardoso Pires em demanda do burro-em-pé. A verdade porém é que João Abel andou toda a vida nessa peregrinação; quase sempre sozinho - “circulando entre os dedos espetados, alçapões e sinais de alto lá que povoam a comarca e suas regedorias”. Toda a sua vasta e diversificada obra é uma crónica, “em papel público”, disso mesmo. Desenhou selos e cartazes, cenários e tapeçarias, painéis de azulejos e padrões de calçada portuguesa, edifícios e caricaturas.
E fez-se cartunista - primeiro contra a ditadura e depois pela revolução. Após a morte desta, e de seu pai, dedicou-se finalmente à pintura. "Nestas obras pratico uma inocente pintura a óleo sobre tela, […] para explicar a quem interesse o que penso do mundo e das coisas do passado e do presente", diz que disse.
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1 comentário:
Merecidissima homenagem!
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