Pois que
reinaugurando essa criança
pensam os homens
reinaugurar a sua vida
e começar novo caderno,
fresco como o pão do dia;
pois que nestes dias a aventura
parece em ponto de voo, e parece
que vão enfim poder
explodir suas sementes:
que desta vez não perca este caderno
sua atração núbil para o dente;
que o entusiasmo conserve vivas
suas molas,
e possa enfim o ferro
comer a ferrugem
o sim comer o não.
João Cabral de Melo Neto
.
Feliz Natal, ou lá o que é, a todos os ápifiú que ainda frequentam este pobre
sítio ultimamente tão abandonado (espero que não se aborreçam demasiado, até
porque podem sempre servir-se da prateleira, ou consultar o arquivo, pois
quase nada do que lá está para a eternidade não a desmerece – que é como quem
diz, citando o Lobo Antunes citando o grande Bocage: “isto é meu, isto não
morre”).
E Boas Festas também, claro. E um Ano novo
melhor ainda. Cheio do mais profundo escárnio pela estupidez em todas as suas
formas.
No que me diz respeito prometo que vou tentar fazer como sempre fiz:
rir-me de tudo (sobretudo dos lobos antunes). Ou, pelo menos, arreganhar-lhe os
dentes.
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