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domingo, 13 de novembro de 2016

Manuel Maria Barbosa Hedois du Bocage

É pau, e rei dos paus, não marmelleiro.
Bem que duas gamboas lhe lobrigo;
Dá leite, sem ser árvore de figo,
Da glande o fructo tem, sem ser sobreiro:

Verga, e não quebra, como o zambujeiro;
Occo, qual sabugueiro tem o umbigo:
Brando ás vezes, qual vime, está comsigo;
Outras vezes mais rijo que um pinheiro:

Á roda da raiz produz carqueja:
Todo o resto do tronco é calvo e nú;
Nem cedro, nem pau-sancto mais negreja!

Para carvalho ser falta-lhe um u;
Adivinhem agora que pau seja,
E quem adivinhar metta-o no cu.

Soneto XIII, ou do pau decifrado
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1 comentário:

Rogerio G. V. Pereira disse...

Porque não dás ponta sem nó, diz-me tu
Porquê Bocage só agora
Pois que há muito era já hora
De quem adivinhasse de que pau fosse
A seguir o metesse no cu

Diz-me