.

sexta-feira, 15 de julho de 2016

The Boris

.
ne dites jamais du mal de vous, vos amis en diront toujours assez”, disse uma vez Talleyrand (o ministro dos aféres estrangeiros de Napoleão).
.
Porque nunca se deve ignorar as lições de uma diplomacia que preza a discrição, a modéstia e a manha, e antes que perca dois dos meus três fiéis leitores, permiti-me pois que mude de assunto en passant, por assim dizer tout de suite, a dizer mal dos outros. Como  aliás habitualmente.
.
- A pérfida Albion já tem um novo primeiro-ministro. É uma senhora.  Mas, e já agora a propósito de diplomacia, o novo ministro dos estrangeiros não (não é uma senhora), embora também não seja aquilo a que Talleyrand chamaria um cavalheiro. É Boris Jonhson.
.
Alguém disse (não sei se um amigo) que Boris é “Donald Trump com uma enciclopédia”.
Ora se bem entendi, the Boris é, tal como the Donald, um grunho, só que esclarecido. Ilustrado. Um grunho erudito, portanto. Cheio de referências e tal. Creio ser mesmo esta a mais substancial distinção, no conceito anglo-saxónico dos bifes, entre o novo mundo e o velho.
.
Talleyrand, o diplomata para quem as palavras serviam “para disfarçar o pensamento”, acharia decerto um termo adequado para comentar o esplendor actual da civilização anglo-saxónica. Tenho a certeza de que tudo isto seria para ele ravissant, um refrigério épatant; ou até mesmo sei lá verdadeiramente époustouflant, ou assim.
.

1 comentário:

cid simoes disse...

Depois de alguns anos de merecidos elogios, a minha discordância não merecia uma apreciação tão displicente temperada de “modéstia e manha.” O ‘sitiodosdesenhos’ é de visita obrigatória.