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segunda-feira, 21 de julho de 2014

da banalidade

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Leonel Moura, sucialista militante e colunista do “negócios” é também o artista que acredita que a arte morreu e em breve será substituída por uma “maquinização da produção”. Talvez tenha sido por isso que Leonel se tenha dedicado a criar máquinas “com vontade estética” (inventou, entre outras pessegadas a que já me referi aqui, o robot que pinta quadros e decide sozinho quando a obra está acabada). Mas Leonel também faz esculturas. Ou melhor, manda fazer, porque como ele pensa que a arte morreu, o seu acto criativo limita-se a uma ordem de impressão. Em todo o caso vende-as. Vendeu ainda agora uma impressão em 3D de resina ao parlamento (foi uma encomenda) por 18 mil aéreos.– o que leva a crer que com a morte da arte prossegue o comércio, mas de cadáveres; ou seja, ainda há mercado para aquilo (quanto mais não seja o oficial); presumo que seja a isso que se pode chamar, com alguma autoridade, um negócio necrófilo.
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Entretanto, alguma intelectualidade de direita (deduzo que deve ser da nova) vai-se entretendo, na comunicação social, a reflectir sobre o que é a Arte.  Há quem ache um refrigério. O que não deixa de me lembrar o que uma vez li sobre a resposta de Louis Armstrong à pergunta de um jornalista sobre o que seria o swing – diz-se que a Satchmo a resposta lhe saíu espontânea, como um solo: “Se tem necessidade de perguntar é porque nunca vai entender, my friend”.
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A verdade é que vivemos, como refere aqui o Daniel Abrunheiro, a era do vazio. O eco que lhe oferece a comunicação social apenas lhe amplifica o sinal.
E na vida real este sinal invade o quotidiano como uma evidência ensurdecedora e brutal. Torna tudo profundamente hediondo. Medonho. Mas de uma banalidade atroz e indescritível.

- A imagem acima é de há três dias, em Maiorca, Figueira da Foz. Portugal.
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