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sexta-feira, 20 de junho de 2014

João, o lobo Antunes e o hipotálamo intelectual da nova direita

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João Lobo Antunes é um mui reputado sábio português oriundo daquele meio social (a classe dirigente portuguesa, sobre a qual já me pronunciei aqui) que presume grande prurido pelo brio da hereditariedade e igual vaidade por antepassadas fidalguias.
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Cientista famoso e considerado, o seu verbete da wikipédia em inglês é mais loquaz do que o em português - embora profusamente eloquente a respeito dos seus brios hereditários e relações familiares é, ainda assim, curiosa e misteriosamente omisso e enigmático quanto aos seus supostos méritos científicos ou académicos - a este respeito diz apenas que “escreveu centenas de artigos científicos”, quatro livros (nenhum sobre ciência) e que implantou um olho electrónico num gajo cego (não diz se o pobre homem sobrevive e que caralho ele vê) e que o seu foco de interesse científico é o hipotálamo e a hipófise. Que foi mandatário das candidaturas de Jorge Sampaio e de Aníbal Cavaco Silva (curiosamente, não diz nada sobre o que o douto neurologista Antunes acha do hipotálamo e da hipófise deste). Ah, e que é, desde 2006, membro do Conselho d’Estado.
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Assim, o lobo João Antunes é o segundo dos seis filhos do cirurgião e professor João Alfredo de Figueiredo Lobo Antunes (que foi colaborador de Egas Moniz) e de Margarida da Beira Cardoso de Melo Machado (filha de Joaquim José Machado, 70º, 82º e 91º governador de Moçambique  e 11º governador da Índia) – eis aqui o pedigri científicócolonial. O de fidalguia vem já a seguir: o nosso lobo João é o bisneto orgulhoso de um filho ilegítimo de  Bernardo António de Brito Antunes, primeiro visconde da Nazaré (personagem de que não faço ideia quem tenha sido e de quem até a wikipédia desconhece os feitos) o que explica que, em certos meios, a bastardia acentua o tom cerúleo do sangue e a jactância nos pergaminhos. Contudo, também tem pedigri intelectual: é irmão do genial cronista (e romancista assim-assim) António Lobo Antunes, que também já retratei aqui.
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A cronologia dos acasalamentos deste lobo Antunes também é elucidativa dos meios em que se move e da sua consaguinidade com a ciência, a fidalguia e a alta-finança.
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João Lobo Antunes tornou-se conhecido dos portugueses porque, além de ser famoso e proeminente e conselheiro d’estado, cada vez que abre a boca só diz merda (o que talvez explique o estado a que chegou o Estado que ele aconselha).
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- Desta vez a anta cavaquista defendeu que não havia perseguição intelectual antes do vintecincodAbril. O que, de certo modo, é capaz de ser natural: os meios académicos que então frequentava (a juventude universitária católica) e em cujas publicações colaborava até estavam isentos de passar pla censura. Talvez tenha sido por isso que nunca ouviu falar de Abel Salazar. Ou de Mário Silva. Ou de Bento de Jesus Caraça. Ou de Ruy Luís Gomes.
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Que filho da puta de conselheiro d’estado. Que filho da puta de estado que tal conselheiro tem.
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1 comentário:

Rogerio G. V. Pereira disse...

E se espetássemos com um carimbo da censura
nas trombas da criatura?