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quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

o primeiro imbecil do ano

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No dia 30 de Dezembro fui assistir à primeira Assembleia de Freguesia de Maiorca  - o lugar que habito - eleita nas últimas eleições autárquicas. Fiquei elucidado sobre o poder local democrático, quarenta anos depois do vintecincodabril.
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Antes disso tive porém o excelso (mas um tanto equívoco) prazer de ver uma moção proposta pela coligação Somos Figueira (PSD- CDS) aprovada por unanimidade –  uma moção de repúdio pela participação cúmplice do município (de maioria absolutamente sucialista) na canhestra e imbecil privatização do estacionamento no Hospital Distrital. A verdade é que, se em Maiorca em sede de assembleia de freguesia, os eleitos pelo partido sucialista  votaram favoravelmente a moção, já a tinham chumbado em sede de assembleia municipal, de modo aliás previsível, cínico e acanalhado, como de costume. Essa é que é essa.
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Quanto à minha freguesia, fiquei a saber que um executivo de uma junta com um orçamento anual de 190 mil euros não tem capacidade (meios) nem autonomia para quase nada. Nem para tapar um buraco na estrada, nem para colocar um sinal de trânsito.
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Também fiquei a saber que o executivo, que muito justificadamente se queixa de falta de meios, investe setenta mil euros (e imenso, e muito encomiado, trabalho voluntário e não-remunerado de fregueses) numa festa anual com animação e música pimba, tem um retorno de sensivelmente o mesmo valor e, mesmo assim, acha que é para continuar.
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Também fiquei a saber (o presidente do executivo, acabado de chegar de uma assembleia municipal, informou-o) que a tão ansiada requalificação do Largo da Feira Velha foi aí finalmente aprovada, por unanimidade. O que não gostei de saber foi que o projecto aprovado (será executado com meios de QREN) está “fechado” – ou seja, os fregueses de Maiorca poderão, muito “democraticamente”, opinar sobre uma intervenção definitiva num dos seus espaços cívicos mais emblemáticos mas nada podem fazer para influir nos critérios que presidem à sua concepção. Fiquei assim esclarecido sobre o conceito de poder local que informa a sensibilidade da maioria absoluta que governa o concelho – uma sensibilidade que revela uma mentalidade que se acha legitimada para impor de cima soluções concebidas num gabinete por quem não conhece o local, o uso que lhe dão as gentes, as necessidades destas ou os seus costumes (e se se trata do mesmo gabinete de iluminados que congeminou as obras da requalificação da zona envolvente do Forte de Stªa Catarina, então estamos conversados. Espera-se mais uma coisa esperta).
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Trata-se enfim da mesma mentalidade que decide em reuniões de Câmara à porta fechada e, confrontada com um protesto em assembleia municipal, responde pela verve sonsa de deputados municipais como um tal de Mário Paiva, do PS: “A bancada do Ps até poderia rever-se neste voto de protesto se os cidadãos não tivessem acesso à câmara. Uma vez por mês (esclareça-se: reunião de Câmara aberta), é mais do que suficiente”.
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Mário Paiva é um achado (um deleite) para qualquer caricaturista entediado. Tomei a liberdade de lhe fazer o retrato - como é óbvio, para o meu Album Figueirense
De compleição quase tão opulenta quanto o seu aparentemente esquálido discernimento, ele é o inefável presidente da juventude sucialista local. Trata-se, portanto, de um boy. Mas um boy de peso. E de futuro, claro - de um futuro da pesada - denso, dúbio, nefando. Redundante. Como o partido que representa.
Para não variar, começo o ano com um retrato de mais um imbecil. 
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1 comentário:

Rogerio G. V. Pereira disse...

O primeiro? O primeiro que te está perto... nem imaginas o que por cá se passa... tivesse eu o teu traço!