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terça-feira, 13 de abril de 2010

O monóculo da pátria ou uma Prússia de opereta


No centenário do seu nascimento, António de Spínola acaba de ser homenageado pelo município de Lisboa e pelo presidente da República.
A pátria de Cavaco está em festa.
Mas a coisa foi consensual, visto que “a ideia foi de João Soares, decidida por Santana Lopes e concretizada por António Costa”. Ó ié. Vendo bem, trata-se do último governador e comandante militar da única das frentes da guerra colonial que estava irremediavelmente perdida.
Num dos actos da cerimónia (o marechal vai dar nome a uma avenida, com estátua e tudo) Cavaco disse que "Portugal concedeu-lhe as mais altas distinções. Mas não estou certo de que tenhamos estado sempre à altura do exemplo de vida que nos legou".
Nem mais! - que o palmarés do homenageado não se ficou pelo brilharete da Guiné - eleito a dedo para presidente da República, viria a demitir-se uns meses depois, após ter patrocinado um falhado “putch” direitista. Depois disso, advogou patrioticamente uma invasão espanhola e a "eliminação física dos seus adversários políticos", presidiu ao ELP, uma organização humanitária fundada pelo ex-PIDE Barbieri Cardoso e ao MDLP e fugiu para o estrangeiro onde andou a recolher fundos para comprar armas para salvar a pátria dos comunas; finalmente, acabou promovido a Marechal, condecorado por Mário Soares e nomeado chanceler das antigas ordens militares.
Germanófilo convicto, já na sua juventude, em 1941, tinha participado “como observador voluntário” nas movimentações da Wehmacht no cerco de Leninegrado. Já nesse tempo o monóculo, as botas de montar e o pinguelim eram ridículos, mas que fazer? - a dimensão da pátria vê-se pela estirpe dos heróis que reconhece.
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2 comentários:

cid simoes disse...

A corja continua coesa.Cuidado!

Não consigo encontrar as fotografias tiradas na Alemanha quando foi comprar as armas.isdic9

daniel.abrunheiro@gmail.com disse...

Vergonha.