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quarta-feira, 22 de outubro de 2008

o ouro das medalhas


Quando era mais novo, o reconhecimento dos outros era-me indiferente. Contudo, como dizia Bernard Shaw, ”a juventude é uma moléstia que passa com a idade”. Agora concedo que sem esse reconhecimento, a nossa existência não passaria de um nada triste e equívoco. Se o que fazemos não se repercutisse nos outros, pouco mais de nós sobraria que o vácuo inicial.
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Vem isto a propósito de um convite que recebi, do Presidente da Câmara Municipal da Figueira da Foz, ”para a Sessão Solene de Entrega de Distinções Honoríficas a diversas personalidades, no dia 24 de Outubro, Sexta-feira, às 17.30 horas, no salão Nobre dos Paços do Concelho”.
Como estou em maré de reconhecimento, também o faço em relação a quem (pela cidade) decidiu atribuir três Medalhas de ouro da Cidade a estes três cidadãos: Isaías Cardoso, Luís de Melo Biscaia e Mário Silva (a propósito das outras distinções não me pronuncio porque não conheço os homenageados).
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Regra geral, as Cidades distinguem os cidadãos que se destacam da mediania (ou da normalidade). Ora, se na Figueira da Foz a norma é medíocre, a excelência é superlativa. Senão vejamos:
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Isaías Cardoso é o arquitecto que é responsável pelos poucos (pouquíssimos) projectos civis de arquitectura de qualidade edificados na Figueira da Foz nos últimos 50 anos.
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Luís de Melo Biscaia é um advogado e político cuja conduta corajosa (quando foi preciso), compostura moral e lisura cívica devia servir de exemplo a todas as gerações de políticos e advogados que se lhe seguiram. Um cidadão atento que ainda hoje, quase diariamente no seu blogue, continua a fazer a pedagogia do bom senso e da tolerância, o que hoje pode parecer antiguado. É, no sentido literal, um aristocrata. Se o poder fosse exercido apenas por homens assim, até eu me tornaria miguelista.
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Mário Silva é um dos maiores artistas portugueses vivos e um espírito livre. Um artista excêntrico, obstinado, anárquico e contestatário. Nunca obedeceu a qualquer corrente. Assumiu um estilo independente e, não obstante, “conseguiu vingar”- o que, neste país, é obra!
Fora disso, é uma espécie de duende folgazão cuja existência nos iliba da nossa irreprimível e atávica melancolia. Gosta de cães, de mulheres, de vinhos (tintos), de amigos e da arte (não necessariamente por esta ordem. Aliás, o Mário detesta qualquer tipo de ordem). Ah, e é meu amigo.
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O CAE inaugura, segundo informação que tenho, no dia 24 deste mês, a exposição Antológica Mário Silva - ½ século – Obra & Vida:
“… algumas das mais representativas peças da obra de um dos maiores autores da arte portuguesa contemporânea. Exemplares originais (muitos inéditos) da pintura, do desenho, gravura, cerâmica, e escultura reunidos numa exposição monumental, que ultrapassa a dimensão de uma retrospectiva vulgar. Trata-se da revelação cronológica (quase) integral da sua evolução, ao longo de mais de meio século de uma atribulada carreira profissional, em Portugal, na Europa e em todo o mundo, reconstituída (em tempo record) pela competência e dedicação duma equipa pluridisciplinar de investigadores, que explora importantes aspectos ignorados (ou desconhecidos) da sua vida e do significado cultural e humanístico do seu trabalho.” 
Lá estarei, para lhe dar um abraço.
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5 comentários:

Afectos disse...

se o mario silva e a namorada alemã tivessem feito a revolução pacífica (se isso é possível!) contra o tal. seria que estariamos mais em frente? acredito que sim.

PDuarte disse...

uma vez pedi ao Mario Silva para pintar três cenarios para umas variedades.
só me pediu uma grade de minis para os dois.
durante uma tarde voaram todas.
isto já foi há mais de 25 anos.

PDuarte disse...

não 20 anos.

vermelho disse...

Mas atenção, há uma obediência que o Mário Silva tem de manter...
Abraço.

Anónimo disse...

Descobri o vicio de colecionar arte, pela "mão" do Mestre Mário Silva, esta dádiva da natureza, incompreendido e desconhecido por muitos, para além de um artista brilhante é um ser humano unico e cativante. Viva o Mar e o Silva ;)