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Tenho pelas árvores um fascínio que vem da infância e que se renovou quando há uns anos, depois de muitos devaneios e hesitações, adquirimos por fim (eu, a Isabel e a nossa filha) em Maiorca, “uma casa com árvores”.
Se com essa opção de uma vida descobri em mim talentos que desconhecia (como os de pedreiro, carpinteiro, electricista e canalizador) também tive (a necessidade aguça o engenho) que descobrir os segredos da poda para recuperar o pequeno pomar envelhecido e abandonado. Devo dizer que depressa aquela antiga fascinação infantil se transformou num profundo respeito por esses seres silenciosos e enigmáticos, prodígios de uma generosidade despojada de qualquer religião; ou moral.
Descobri (após alguns erros) que a poda supõe conhecimento e compreensão profundos do “funcionamento“ interno de uma planta. É uma operação delicada que se quer parcimoniosa e que deve exercer-se exclusivamente em função das “necessidades” da árvore. Há pessoas que ensinam isto.
Descobri (após alguns erros) que a poda supõe conhecimento e compreensão profundos do “funcionamento“ interno de uma planta. É uma operação delicada que se quer parcimoniosa e que deve exercer-se exclusivamente em função das “necessidades” da árvore. Há pessoas que ensinam isto.
.Contudo, o que se passou com os plátanos do Largo da Feira Velha em Maiorca, não é poda, é serração. Uma barbaridade a céu aberto. Ou melhor, é phoda, com “h” (já alguém criou um blogue com este nome, dedicado inteiramente a esta modalidade de inverno, praticada nas árvores ornamentais em muitos dos mais insuspeitos municípios portugueses).
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Os animais que perpetraram esta selvajaria (não há que ter medo das palavras) têm nome e, pelos vistos, impunidade: Filipe Dias, o jovem presidente da Junta de Freguesia de Maiorca que, não contente, ainda terá mandado arrasar um bosque de eucaliptos adjacente ao Parque do Lago, alegadamente para saldar uma dívida (da Junta) de trinta mil euros(!). Quanto ao vereador do Ambiente, terá soltado esta pérola de suficiência, humor duvidoso, superioridade presumida e, quiçá também, alguma estupidez natural: "ainda são vícios do passado, difíceis de controlar, porque estamos aqui há pouco tempo" - o que não é bem a verdade pois o “vício” pode até ser “antigo” e “difícil de controlar” mas o executivo da Junta, apesar de vicioso, “está aqui” há tão “pouco tempo” como o da Câmara.
Mas não desanimem, perseverem. Para quem conhece o eleitorado da Figueira e seus contornos, apesar de recém-chegados, têm ambos uma marca do prestígio que é tudo para ficar: são uns verdadeiros autarcas-toyota.
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A imagem (de ontem de manhã) é bem o retrato alarve, bisonho, grotesco e boçal, mas fiel, da choldra triste e nefanda que é este país profundo.
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