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segunda-feira, 29 de junho de 2009

Lemniscata

Pedro Penilo, do blogue Que diz o pivô, teve a amabilidade de me contemplar generosamente com este Prémio, o que me deixa desvanecido, para mais quando “O selo deste prémio foi criado a pensar nos blogs que demonstram talento, seja nas artes, nas letras, nas ciências, na poesia ou em qualquer outra área e que, com isso, enriquecem a blogosfera e a vida dos seus leitores."
Segundo as regras, é suposto eu atribuir este selo a outros sete blogues. Aí vai disto (por ordem alfabética, meninos):

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Samuel, o cantigueiro


A cantiga é uma arma, eu já sabia.
Mas Samuel, tem outras: o seu blogue o cantigueiro, por exemplo, é de um humor refrescante, por vezes corrosivo, quase sempre demolidor e um dos mais certeiros nos comentários críticos que faz à actualidade, além de ser também um dos mais bem escritos.
Soube que o seu nome vai integrar a lista de candidatos a deputados por Évora, nas próximas eleições. Resta-me desejar-lhe que a sua opção pela política (e a sua acção na política) sejam tão certeiras como o seu blogue, que vai aqui para o lado compor o rubro ramalhete de papoilas que já lá está.
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terça-feira, 23 de junho de 2009

Boris Vian




A juventude precisa de referências (ehehe).

E quem melhor que Boris Vian, que amava o humor (mesmo o mais negro), a patafísica, o jazz, a liberdade e as palavras? De maneiras que é assim. De vez em quando, recuperam-no. Já assim foi em 1968.

Segundo o “Figaro", saiu ontem, em França, um álbum de “homenagem” a Boris Vian, com quarenta canções, (dezanove inéditas), interpretadas por outros tantos “jovens de talento”, entre os quais Juliette Greco e jeanne Moreau. Ah, la douce France! “Ça swingue, valse, vibre avec ironie, humour, sensibilité, «ça joue» comme disent les musiciens quand le son prend aux tripes».
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domingo, 21 de junho de 2009

O candidato Joker


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Eis mais um cromo para o meu Álbum Figueirense.
Trata-se do mais recente candidato a pretender ocupar a cadeira de Santos Rocha.
Se a política é um jogo, este deve ser o Joker local.
Numa cidade em que quase todos os partidos têm candidatos independentes, ele é independente dos partidos. Contudo, nem sempre foi assim: Daniel Santos cumpriu um mandato como vice-presidente do município e vereador do urbanismo no consulado de Santana Lopes e outro como presidente da Assembleia Municipal no primeiro mandato do actual presidente da Câmara.
Este engenheiro civil, com um gabinete de projectos há muito instalado na cidade, sabe de urbanismo como poucos e de planificação urbana como ninguém; pode dizer-se que, de há trinta anos para cá, pelo menos, o urbanismo e o planeamento não têm segredos para ele: à excepção da urbanização das Abadias, do Museu, do seu parque e do bairro do Cruzeiro, últimos exemplos do urbanismo planificado da outra senhora, pouco deve ter sido construído na cidade e arredores sem a sua participação, consciente ou omissa, como agente activo de uma concepção de urbanismo que está à vista de todos.
Daniel Santos, que aprovou (não consta que tenha manifestado reservas) a privatização dos serviços municipalizados de Água e Saneamento, a recolha de lixo e a criação das mil e uma “empresas municipais”, está agora consternado com a “dissipação de recursos” e com o estado a que a cidade chegou. E está até muito preocupado pela imagem desta “no país e no estrangeiro” – dizem-me (eu não sei, vivo nos arredores de Maiorca, sou um simples vilão) que dos bueiros do Bairro Novo, impávidas, famílias inteiras de ratos passeiam o seu esplendor pela tardinha…
Estranhamente (ou talvez não…) este Joker, cuja candidatura independente dos partidos veio alterar o xadrez político figueirinhas, é agora apoiado pelas mesmas forças vivas que o apoiaram quando foi eleito por um dos partidos do alterne local.
Contudo, ao contrário de um outro de quem já falei aqui, este notável não tem inimigos (!), é honesto (!), e, o que não é pouco, é figueirense; é aliás, um figueirense de lineu: não torce nem amola; não aquece nem arrefece; não adianta nem atrasa; não chove nem molha; não cheira nem fede. O inenarrável Santana Lopes conta tudo nas suas “memórias da Figueira”: “É o chamado homem bom da terra. Sério, honesto, cabelo grisalho, barba grisalha, respeitado. Um homem querido por toda a gente. (…) Mas, quando falei com ele, não deixei de lhe dizer: «o senhor é de uma raça que me faz muita impressão, por uma razão simples: não há quem diga mal de si. Nem sempre confio nas pessoas de quem todos dizem bem porque, em política, quem decide, fá-lo a favor de alguém e contra alguém. Arranja adversários. Quem gera consensos em todo o lado, normalmente, não decide». Viria a ser muito útil.”Estamos pois conversados.
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sexta-feira, 19 de junho de 2009

o estado do sítio




(comunicado)


Aos que se preocuparam com a minha ausência, devo uma penosa mas aliviada explicação: após excruciantes exames e quase um mês de angustiosa expectativa, a minha próstata está óóptima, “para um rapaz da sua idade”(!).
Já a coluna lombar, “focada de frente, perfil e oblíquas revela discartrose L4-L5 e L5-S1”.
Ah, e “esboços osteofíticos em relação com a espondilose”. E que não há nada a fazer.
Quanto ao computador, que se apagava a cada dez segundos, técnicos competentes dizem-me que também está bem, isto é, “não tem nada”. Detectado o rooter (não sei se é assim que se escreve isto) marado, técnicos também competentes chegaram à conclusão sensata que o problema foi MEO.
Portanto, “tudo cool, tudo nice”.
Este sítio continuará a ser actualizado com a frequência que permite a normalidade.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Carlos Paredes



Primeiro, uma declaração de interesses.
Nunca gostei de fado. Nem sequer gosto daquilo que chamam guitarra portuguesa, que é uma coisa que os portugueses tocam com dedais na ponta dos dedos, mais ou menos como as portuguesas cosem os botões. Detesto o seu estridente timbre metálico e odeio os lânguidos trinados piegas que em Lisboa, dizem, identificam a alma portuguesa, seja lá isso o que for.
Posto isto, Carlos Paredes era um génio. E tinha talento. Apenas um génio com talento seria capaz de tanger a alma com instrumento tão duvidoso.
A alma portuguesa que eu pressinto na sua guitarra vem de mais longe e de mais fundo; é mais forte, mais grave e tem uma afinação mais acima (Coimbra). Possui subtilezas e um lirismo viril que não têm nada que ver com a melíflua e dengosa pieguice dos trinados que se ouvem no país, pelas capelinhas, pelas lezírias ou em Lisboa, pelas vielas.
Este desenho é uma homenagem a um artista que para além disso é uma espécie de mártir dos artistas. A sua longa e terrível agonia representa o pior pesadelo de todos nós: ele suportou sozinho e impotente, durante 11 longos anos, o espectáculo devastador da própria incapacidade física para concretizar o seu talento. Presumo que deve ser isso o fado; ou a alma portuguesa. Ou a puta que pariu.
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segunda-feira, 1 de junho de 2009

a parada das sardinhas



A parolice não tem limites.
Na Figueira da Foz não há limites. A parolice pomposa só tem comparação com a chicoespertice. E é igualmente inimputável.
O Centro de Artes e Espectáculos (CAE) fez sete anos. A inefável empresa que gere esse (como eles dizem) “equipamento”, resolveu que as comemorações eram coisa para 3 dias. Porque, dizem, “o sete é um número mágico”(!).
Mas o que mais me intriga na “programação cultural” - para além das bandeirinhas e de uma grandiosa exposição (com entrada gratuita) que explica a prodigiosa política cultural da equipa que tem gerido o designado “equipamento” - são coisas como a “dança vertical dinâmica” e a “Sardinha Parade”. Da primeira até tenho medo de perguntar o que seja, mas deduzo que seja mais uma “actividade” para épater competentemente os pacóvios, tal como a segunda, da qual julgo ter lido que se trata de uma “actividade” em que 15 artistas plásticos irão pintar ao vivo outras tantas sardinhas gigantes(!), que durante o Verão serão colocadas em locais estratégicos da cidade, “até serem adquiridas por empresas ou entidades. A receita poderá ser entregue a instituições do concelho, explicou Ana Redondo.” (Devo dizer que não me canso de lastimar que alguns colegas meus continuem a aceitar participar neste tipo de anedotas circenses, ainda por cima, como sempre e lamentavelmente, à borla).
Claro que tão ambicioso programa “artístico” só pode ser acompanhado de um painel de “oradores ilustres” que tratarão de demonstrar quão rutilante terá sido a gestão económica e o brilho cultural do “equipamento” durante os seus sete anos de vida.
Não há sardinha parade sem um correspondente desfile de carapaus de corrida. Ah, e sem a habitual multidão de basbaques. Sim porque presumo que uma espampanante festarola auto-promocional como esta terá sempre, como eles dizem, um “público alvo”.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Don't blame me

De todos os músicos de jazz, Thelonius Monk é aquele que mais parece desenhar quando improvisa sobre as suas composições. Monk toca como quem desenha. Quando delineia as suas desconcertantes composições ele, como um desenhador, hesita, reflecte, calcula. Contudo, mesmo quando recria os standards (como o artista com o seu modelo) o seu desenho não é nunca atormentado com qualquer prurido de verosimilhança e o resultado final é sempre de uma fidelidade rejuvenescida e estimulante.
Trata-se de um desenho aparentemente simples embora nunca óbvio, misteriosamente calculado, como a mais deslumbrante matemática.
Ora, os desenhos sobre o jazz dificilmente não ficam contaminados por essa espécie de descontracção, característica de quem lida com o improviso.
Este retrato de Thelonius padece disso mesmo e talvez ainda de outra característica da sua música, que o tornam (talvez) pouco acessível: uma composição de ornamentos espartanos, quase abstracta - o que, no entanto, reforça o seu carácter reflexivo.
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Para ver (e ouvir) o sr. Monk, tenham a bondade de desligar o som ao sr. Shepp.


sexta-feira, 22 de maio de 2009

o nau-au do professor e as laranjas do Algarve



Que bem! As mulheres social-democratas do Algarve estão motivadas para a vida pública e política.
Mas é bom saber que um ilustre figueirense não se importa de partilhar com elas “o seu know-how em matéria de Protocolo Autárquico e Organização de Eventos".

quarta-feira, 20 de maio de 2009

o colhão do generalíssimo


Desenhar é uma maneira de compreender o mundo. Os velhos mestres orientais advogavam que o exercício do desenho das coisas simples e das suas formas potencia um entendimento mais profundo da sua verdadeira natureza. Eu penso que deve ser isso a Arte.
Esta revelação fez-me lembrar Picasso e o seu sueño y mentira de Franco.
Em Janeiro de 1937 (o ano de Guernica), Picasso criou uma série de 18 gravuras destinadas a serem impressas em forma de cartão postal e vendidas a favor dos soldados da república espanhola. Nesses desenhos, concebidos quase como uma “estória de quadrinhos”, está já a génese gráfica do que viria a ser Guernica. Neles, Franco é escarnecido e caricaturado de várias formas. Contudo, o segundo desenho é o que me trouxe à memória este sueño y mentira de Franco.
O caudilho é aqui retratado como um estranho tubérculo que, com uma espada numa mão e uma espécie de cometa ou nuvem (uma versão derisória do espírito santo?) na outra, transporta na ponta do seu descomunal membro viril um pendão religioso (o generalíssimo via-se como alguém que chefiava uma cruzada, guiado pelo espírito santo). Segundo Josep Palau y Fabre (um dos mais conhecidos conoiseurs de Picasso), a dimensão exagerada do membro e dos testículos era o mais difícil de interpretar nesta gravura. Todavia é sabido que em Espanha a masculinidade (a hombridade) era, e ainda é, valorizada muito acima de outros atributos. Era mesmo a única “virtude” que nunca tinha sido regateada a Franco.
Mas Picasso era um demiurgo, alguém capaz de revelar a verdade mais intrínseca através do exagero e da desmesura de um simples desenho satírico. Não foi aliás ele mesmo que disse que “a arte é uma mentira que serve para mostrar a verdade”?
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segunda-feira, 18 de maio de 2009

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Nelson Fernandes


Agora que os partidos se mobilizam para as eleições locais que se avizinham, eis mais um cromo para actualizar o meu Álbum de notáveis figueirenses.
Este é o “retrato” de Nelson Fernandes, de novo o cabeça-de-lista da CDU à Assembleia Municipal da Figueira da Foz.
É lamentável que as reuniões deste importante órgão do poder local sejam olimpicamente ignoradas pela imprensa; de outro modo todos poderíamos aquilatar o gabarito dos eleitos do povo. Nessas reuniões, e embora integre um dos grupos parlamentares menos representados, Nelson Fernandes parece ser sempre quem mais se diverte (como o anfitrião de um jantar de palermas).
Pessoa de espírito, senhor de um humor fino, clínico e incisivo, destaca as suas intervenções pela consistência, coerência e justeza dos argumentos.
Trata-se do único político a quem concedo o trato por tu.
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