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domingo, 28 de setembro de 2008

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

improviso nº17 - a cunha equestre


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Há dias ouvi, distraidamente, na rádio, alguém referir-se à pertinência da erecção (sim, isso) em Portugal, de um monumento à cunha. Esse alguém referia-se mesmo à possibilidade de uma coisa equestre. Com o garbo e o panache das estátuas dos condotieri de antanho.
A cunha, essa ferramenta tão antiga e primitiva, mas primordial.
Para os portugueses ela é ainda a alavanca dos seus mais secretos desígnios.
Torna possível e alcançável desde um lugar no infantário até à ascensão social; desde o sucesso nos negócios à progressão na carreira, ao êxito desportivo (em Portugal, as vitórias cunham-se com mérito), e até mesmo ao reconhecimento do mérito artístico, eu sei lá.
Em Portugal não há oportunidade sem cunha e não há cunha sem merecimento. Sim, porque é preciso merecer uma cunha. O que seria do mérito sem a cunha?...
Urge portanto materializar uma homenagem a esse instrumento de emancipação dos portugueses.
Eu pensei nisso.
Aqui fica uma sugestão, à escala. Monumental.
O pedestal seria compósito, isto é, composto de duas partes, a saber: o pedestal propriamente dito, um bloco trapezoidal do mais negro granito e a cunha, na base, calçando o pedestal, no mais duro aço inoxidável (imperecível como um atavismo lusíada). Sobre o pedestal, empinada no mais alvo mármore de Carrara, a cavalar figura dos portugueses, coroada com uma cara em forma de cunha, em mármore rosa, de Estremoz.
A localização poderia ser em Lisboa, no Terreiro do Paço, a praça dos ministérios. Where else?
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terça-feira, 23 de setembro de 2008

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Está tudo ligado

Quereis saber “a portuguesíssima razão inversa dos mega julgamentos com as micropenas tornada proporcional e directa com os processos sumários de despedimento colectivo”?
- Está tudo ligado.
“Sobretudo a avaliar por aquilo não sei quê do Bloco de Esquerda”. O Daniel Abrunheiro explica tudo na sua crónica nº 69. Aqui.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

O sortilégio dos desenhos



É notável a capacidade dos desenhos, simples “papéis pintados com tinta”, se transcenderem. Acontece em países felizes. Com imaginação e (bom) humor.
No Brasil, em S. José do Rio Preto, uma cidade a 440 quilómetros de S. Paulo, há um desenho que é candidato a Prefeito. Grump, o novel candidato, é personagem de uma tira publicada pelo cartunista Orlandeli desde 1995, no Jornal “Diário da Região”.
Podeis conhecer toda a história aqui. E acompanhar a "campanha" do candidato aqui, no blog do seu criador.
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quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Damien Hirst, o formol e as “variedades”

Como estão longínquos os tempos das vanguardas artísticas do século vinte! Nesses tempos, os artistas pretendiam criar novas linguagens, romper com o passado. Hoje em dia, com a cobertura cúmplice dos meios de comunicação de massas, sempre ávidos de noticiar mais um record ou outra bizarria, os artistas mais apreciados (literalmente), pretendem simplesmente, aparecer e enriquecer.
Não, não se trata de uma nova atitude ou de um renovado cinismo dada, não. Trata-se simplesmente da sociedade do espectáculo, no seu esplendor.
Não requer estudo, conhecimentos ou aptidões técnicas específicas. Apenas uma hábil manipulação de conceitos, umas noções básicas das regras do marketing e das sacrossantas leis do mercado. E algum atrevimento. Ousadia, concedo. É tudo muito conceptual (!).


Este, por exemplo, é mais rico do que Cristiano Ronaldo e quase tão rico como Amorim, o das cortiças e dos casinos (comparação escolhida por um jornal de massas para melhor se fazer entender pelo seu público consumidor).
A sua maior influência foi um negociante de arte, um marchand! Acaba de fazer algo “que o colocará na história da arte, desta vez não pela obra em si, mas pelo que decidiu fazer com ela”!!! Nem mais.
Quis fazer-lhe uma caricatura mas hoje não me apetece desenhar.
O retrato já lhe faz justiça.
A arte contemporânea é um retrato fiel do ar do tempo da nossa civilização: muito impacto, reduzida substância e nenhum espaço para fruição estética ou reflexão. Um número de casino no meio de um enorme circo mediático de variedades.
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sexta-feira, 12 de setembro de 2008

contradança


Na "confecção" de um cartum, ou de uma charge, isto é, de um desenho com graça, esta surge-me de um curioso processo mental de alusões (mais ou menos subtis) e ilações (mais ou menos óbvias) no qual apenas me acompanha quem possui o mesmo género de referências culturais.
Confesso que fico sempre perplexo com o curioso processo de associação de ideias que me despertam certas situações.
Este caso (da curiosa e hilariante situação da vereação da Câmara Municipal da Figueira da Foz), sugeriu-me algo que me sugeriu isto, que, por sua vez, penso, foi sugerido por isto.
De qualquer modo é uma situação que, julgo, deve ser sempre acompanhada com "sanfona, triângulo e zabumba".
Acho que por vezes também à guitarra e à viola.
Há lá ritmo mais português.
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quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Os Hadrões e os Hardões



A propósito do Grande Colisor de Hadrões (LHC), o maior acelerador de partículas que começa hoje a desvendar os segredos do Universo, vejam aqui a explicação desta brilhante e delirante ilustração (de que que infelizmente não logrei identificar o autor) de um lapsus linguae na divulgação científica do New York Times. Um lapso freudiano.
Ainda dizem que a língua portuguesa é que é traiçoeira…
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sábado, 6 de setembro de 2008

O regresso do amigo pródigo

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(Paulo Diogo, neo-divisionismo e o fim do mundo, óleo s/tela)

Durante muitos anos (nas décadas de 80 e 90), fizemos exposições em parceria.
Foi com ele que, no já longínquo ano de 1984, fiz a minha primeira exposição.
O meu velho amigo Paulo Diogo está de regresso às exposições, após alguns anos de afastamento.
Será com prazer que lá estarei. Hoje, Sábado, dia 6 de Setembro. Na Galeria da Magenta, na Figueira da Foz. Inauguração às 18.30.
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sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Ansiedade




(Máscara, grafite e café s/papel, 1983)


Hoje em Angola o povo vota.
Estou certo que, enquanto a alguns media portugueses lhes foi negado visto para cobrir o acontecimento, outros (ou talvez os seus subconscientes) esperam ter más notícias para transmitir. Tanto que até enviaram repórteres de guerra.
Espero que se trate apenas de um acto falhado.
Eu espero.
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quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Arnaldo Antunes


Cultura

O girino é o peixinho do sapo
O silêncio é o começo do papo
O bigode é a antena do gato
O cavalo é pasto do carrapato
O cabrito é o cordeiro da cabra
O pescoço é a barriga da cobra
O leitão é um porquinho mais novo
A galinha é um pouquinho do ovo
O desejo é o começo do corpo
Engordar é a tarefa do porco
A cegonha é a girafa do ganso
O cachorro é um lobo mais manso
O escuro é a metade da zebra
As raízes são as veias da seiva
O camelo é um cavalo sem sede
Tartaruga por dentro é parede
O potrinho é o bezerro da égua
A batalha é o começo da trégua
Papagaio é um dragão miniatura
Bactérias num meio é cultura
Arnaldo Antunes

A propósito de uma exposição de desenhos de escritores, desenhei um que considero um dos grandes desenhadores da nossa língua, alguém que consegue maravilhosos achados poéticos através de poderosas metáforas visuais: Arnaldo Antunes.
Para além de músico conhecido e poeta, é também um cultor do desenho e da poesia visual
Leiam aqui o que ele diz do desenho, quero dizer, da Caligrafia
E ouçam-no aqui, em O pulso dos políticos.
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segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Zuerst die fusse (primeiro os pés)

Esta obra, deste artista, está exposta num museu de Bolzano, uma cidade do Tirol italiano e tem feito correr alguma tinta.

Segundo o artista, já falecido, esta obra representa “uma sociedade hipócrita, corrompida internamente enquanto mantém um aspecto exterior irrepreensível”.

A ideia destas boas almas bem-intencionadas e do governador da província, um nobre conservador que até já fez uma greve de fome contra o sapo crucificado, é a remoção da obra do museu onde está exposta. 

Arte ou blasfémia?” clama a imprensa. É curioso como esta não coloca a questão nos termos em que o fez aquando da reacção do mundo muçulmano ás caricaturas dinamarquesas do profeta: “censura ou coacção?”.
Talvez também seja curioso verificar até que ponto o trabalho deste artista alemão, (falecido em 1997, com 44 anos), que foi exposto na Tate Modern e na Galeria Saatchi, em Londres e na Bienal de Veneza e do qual estão em preparação duas retrospectivas em Los Angeles e Nova Yorque, terá com certeza valorizado no mercado internacional da arte…
Talvez este episódio tenha vindo, irónica e postumamente, confirmar a justeza da apreciação que o artista fez da sua própria obra.
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quinta-feira, 28 de agosto de 2008

A senhora Rice



Tem o seu nome inspirado em música italiana (con dolcezza), quem diria.
A senhora é apenas Secretária de Estado do governo dos Estados unidos da América (que corresponde ao nosso ministro dos Negócios Estrangeiros, ou das Relações Exteriores), cargo que infelizmente todos confundem com o de um responsável pela paz mundial.
Graças a esse lamentável equívoco, aparece em todos os noticiários desagradavelmente relacionada com acordos de paz gorados (do Iraque à Palestina e agora à Geórgia). O que lhe dá, em certos quadrantes, um mau perfil.
Mas o seu negócio não é, de todo, a Paz. É outro.
Como responsável emérita pela política externa da águia americana, desenhei-a com um certo ar de grifo. Ou de urubu. Enfim, de ave de... rapina. Creio que é mais esse o seu negócio.
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terça-feira, 26 de agosto de 2008

spleen


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Nasci faz hoje quarenta e seis anos numa terra da qual estou afastado há trinta.
Desde então, não se passou um único dia que nela não tenha pensado.
Por vezes tento vê-la, do céu.
Procurei debalde algo que não fosse um postal, para ilustrar este postal.
O melhor que achei foi esta imagem, não da terra mas do céu.
O céu da minha terra.
Perdoem-me o sentimental mood.
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