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sábado, 28 de junho de 2008

Jackson Pollock




uma vanguarda
será sempre a retaguarda de qualquer coisa
Pablo Picasso
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Tenho que reconhecer que nunca me apercebi da dimensão da genialidade do dripping (aquela técnica de pintura que consiste em fazer furos no fundo de uma lata de tinta e balançá-la para trás e para diante sobre uma tela).
O próprio Picasso, que era um génio, nunca percebeu patavina da pintura em acção e ainda menos de pintura às pinguinhas.
Confesso que o êxito da action painting entre os milionários e o seu prestígio entre os intelectuais sempre me deixaram perplexo.
Mas finalmente percebi tudo.
-Era tudo contra o comunismo.

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Frances Stonor Sanders escreveu um livro no qual explica quem pagou a conta e porquê. Foi recentemente editado no Brasil e está por lá a dar brado: parece que, entre outros grandes intelectuais, o grande pensador do marxismo soft local, Fernando Henrique Cardoso arrecebeu desde 1969 uma tença da Fundação Ford, o braço financeiro da “força”. Para quê? Ora, para pensar a liberdade, o desenvolvimento, a democracia… Sei lá, essas coisas.
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quarta-feira, 25 de junho de 2008

Soares

Dizem que é fixe.
Talvez sim, (para caricaturar).
É redondo, todo curvas. Fácil de desenhar. Contudo, as linhas das suas formas rubicundas escondem outras linhas, menos óbvias, que sugerem insuspeitados recônditos angulosos e sombrios que, quando descobertas, revelam um carácter sinuoso e equívoco - para alguns florentino, para outros apenas alarve.
Vejamos: há alguns anos, em S. Bento, guardou o socialismo numa gaveta e escondeu a chave. Tão bem escondida que os seus correligionários não a conseguem encontrar (valha a verdade que também não procuram muito).
Agora, que está reformado da acção política e com mais tempo para a reflexão teórica, o velho senador descobriu os ardores esquerdistas da juventude e a chave para acabar de vez com o capitalismo selvagem: o capitalismo porreiro! Nem mais.
Ora digam lá se não é fixe.
Vejam o que diz o pivô.
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segunda-feira, 23 de junho de 2008

Natureza morta com quadrado preto e luz eléctrica



Na Primavera de 1990 executei uma série de pequenas pinturas que acabei por expor, em Agosto e Setembro desse mesmo ano, na então Galeria do posto de Turismo da Figueira da Foz.
Tratava-se de exercícios, não de estilo mas de esforço, com os quais pela primeira vez me confrontei com os mistérios da natureza morta. Uma disciplina que permite a sublimação das subjectividades resultante da carga equívoca, de certo modo transcendente, que certos objectos carregam consigo quando encenados.
Estas naturezas mortas permitiram-me uma abordagem reflexiva sobre os sentidos da imagem. E também me permitiram usar uma bagagem de citações, alusões, ironias e pequenos sarcasmos no sentido da arte pela arte, sem pretensões decorativas e, muito menos, programáticas. Infelizmente, dessa série de 14 ou 15 pequenas aguarelas sobre platex, esta é a única que me resta. As outras foram vendidas, destruídas ou perdidas em mudanças de atelier. Delas não guardei sequer memória fotográfica.
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sexta-feira, 20 de junho de 2008

a arma poderosíssima



Inaugura hoje no Porto a exposição dos cartunes concorrentes do X Porto Cartoon World Festival.
Os direitos humanos foram o tema escolhido para esta edição do Festival. Luís Humberto Marcos citou o mais recente relatório da Freedom House para relembrar que existem ainda “103 países sem liberdade plena.”
A divulgação dos premiados, que podeis ver aqui, foi feita na segunda-feira no Museu Nacional da Imprensa pelo director da instituição, Luís Humberto Marcos, com a presença de alguns membros do júri, incluindo Marlene Pohle, presidente da FECO (Federation of Cartoonists Organizations), organização que já considerou o Porto Cartoon como um dos três principais festivais de desenho humorístico do mundo.
Marlene Pohle explicou que o trabalho de um cartunista requer "reflexão e união entre o artista, os media e o público" que o cartoon "era catalogado como uma arte menor e hoje é já considerado uma arma poderosíssima para criticar a política".
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quarta-feira, 18 de junho de 2008

osama


Agora que o herói se vai embora, receio que o protagonismo do vilão se dilua cada vez mais na espuma das notícias. O cóboi galã converte-se ao catolicismo e o seu malvado arqui-inimigo suicida-se numa grandiloquente implosão de esquecimento.
Parecem personagens de um cartoon movie. Fazem lembrar o Silvestre e o Piu-piu ou o Coiote e o Bip-bip - só que os guiões, os gags, os desenhos e os efeitos não têm o mesmo humor e inteligência dos velhos filmes da Warner Bros. Apenas o non-sense.
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domingo, 15 de junho de 2008

"el negro" Fontanarrosa

Roberto “el negro” Fontanarrosa é um ENORME artista gráfico e escritor argentino.
Nasceu em 1944 em Rosário, viveu com “a lucidez suficiente para exercer com mestria o mais árduo dos ofícios: o de dizer o mais profundo da forma mais simples, fazendo rir com gosto pelo menos duas gerações,” e morreu em 2007.
“De mí se dirá posiblemente que soy un escritor cómico, a lo sumo. Y será cierto. No me interesa demasiado la definición que se haga de mí. No aspiro al Nóbel de Literatura. Yo me doy por muy bien pagado cuando alguien se me acerca y me dice: «Me cagué de risa con tu libro”.
Tinha uma paixão elevada pelo futebol. Este é um dos seus cuentos:

Podeis ver aqui o catálogo de uma exposição retrospectiva do seu trabalho. E aqui podeis vê-lo dissertando sobre “las malas palabras”.
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sexta-feira, 13 de junho de 2008

postal


Pode ser que o dia de hoje seja o dia de um poeta múltiplo e até de um santo ímpar e popular.
Mas para mim, 13 de Junho sempre foi o dia do aniversário do meu irmão.
É assim, faz hoje cinquenta anos.
Este é um postal fraterno.
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quinta-feira, 12 de junho de 2008

2 variações “Pessoanas”




Na véspera da data do seu aniversário de nascimento, a propósito dos 120 anos do poeta plural e porque a presença de Fernando pessoa nas “artes plásticas” é mais do que “ óculos, chapéu e bigodinho”, deixo-vos dois pequenos apontamentos sobre a imagem do poeta.
Executados com pontos e linhas. Como o universo. E o paint.

terça-feira, 10 de junho de 2008

Viva o 10 de Junho!


Hoje é o dia da “raça”.
Sim, porque apenas um povo selecto, sabe-se lá por que sinergias purificantes ou estapafúrdias eugenias, escolhe dirigentes desta “raça” ou, enfim, deste quilate...
Valha-nos deus. Putaquiuspariu.
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segunda-feira, 9 de junho de 2008

Desenho nº 74 (Julho, 1984)

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Este velho desenho é testemunho de uma experiência: uma prática mais “estouvada”.
Um registo relaxado, quase uma “escrita automática”, deixar “ir” a mão – “quase” sem o “controlo” cerebral.
Por vezes, o resultado pode ser uma “dança” estimulante.
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sábado, 7 de junho de 2008

Improviso nº 13, corrida “à portuguesa”




O Tribunal de Lisboa acaba de proibir a transmissão pela RTP de uma corrida de touros, decisão fundamentada na preocupação com a salvaguarda das criancinhas.
A partir de agora, touradas na TV, só a partir das 10.30h e com bolinha vermelha no canto superior direito!
A Justiça portuguesa está sempre muuuito preocupada com a integridade das criancinhas (veja-se o caso Esmeralda e o caso Casa-Pia).
Então, vai daí, o tribunal de Lisboa tomou uma decisão que, por exclusão de partes, cauciona todo o telelixo da programação das nossas estimadas televisões. Tudo é bom e nada prejudica as mentes influenciáveis das criancinhas. Tudo. Desde as manhãs da Fátima às tardes da Júlia; dos morangos com açúcar ao sórdido wrestling açucarado das tertúlias cor de rosa e às doutas e proféticas previsões do prof. Marcelo. Tudo.
Excepto as corridas de touros.
Suspeito mesmo que os fedelhos adeptos do car jacking, do bulling e até quiçá, do filhodaputing, sejam frenéticos aficcionados da Festa Brava e das Corridas televisadas!.
Eu quero que se danem a associação proanimal, a providência cautelar, o tribunal de Lisboa e a sua vara asinina que deliberou obrar tal iniquidade.
A corrida de touros é um jogo. O jogo mais antigo do homem. Um confronto entre o homem e o animal. Sem subterfúgios. Trata-se de um jogo limpo. Ali, o que está em jogo não é o que se pode ganhar mas sim o que se não pode perder. Não existem ali empates nem desforras nem conselhos jurídicos nem apitos nem recursos nem protestos… O que existe é uma noção de fatalidade inexorável. Mas também é um espectáculo e por tudo isto, creio que se trata de um espectáculo honesto.
No entanto, a sociedade do espectáculo não se conforma com espectáculos honestos, porque imprevisíveis. Gosta deles encenados, como o cinema, as entregas dos Óscares e os concursos de misses; ou simulados e com desfechos combinados, como o futebol. É mais tranquilizante.
Se a sensibilidade contemporânea não aprecia a verdade e a honestidade e prefere os simulacros é porque tolera mal a realidade e a consciência da fatalidade e da morte: o sentido trágico da vida.
Se a tourada “à Portuguesa“ já é, em si mesma, um triste simulacro, a mentalidade dos portugueses, muito permeável aos eufemismos do politicamente correcto, torna-se um campo aberto à aceitação de teorias bem intencionadas que pretendem preservar os meninos de todo o mal, potenciar neles uma espécie de estado de eterna inocência, fazê-los viver num eterno limbo, livres da consciência da fatalidade e dos factos da vida. Para esta nova espécie de seres humanos tudo o que lhes é permitido assistir é “a fingir”, nada pode ser real. Ficariam traumatizados.
Resta saber (e eu não sei se quero porque estou furioso) que espécie de mentalidade alienada e distorcida se está a tentar forjar nas jovens gerações, cobaias desta estranha e piedosa pedagogia.
Mas gosto de touros. A tauromaquia sempre foi um manancial para a arte. Pela cor, pela emoção, pelo movimento, pela paixão, pela fatalidade e por um especial acento gráfico em fortes contrastes estimulantes.
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Não, não sou sequer um aficcionado.
Não sou dessa tradição.
O meu amor aos touros é, digamos, platónico.
Gosto de os desenhar. Ao fazê-lo, gosto de pensar que sou capaz, por um instante, de encarnar, transfigurar e até sublimar uma profunda, visceral e atávica violência demolidora: a cornada.
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sexta-feira, 6 de junho de 2008

quarta-feira, 4 de junho de 2008

deu Obama

Fables of Faubus, de Charles Mingus:


Oh, Lord, don't let 'em shoot us!
Oh, Lord, don't let 'em stab us!
Oh, Lord, don't let 'em tar and feather us!
Oh, Lord, no more swastikas!
Oh, Lord, no more Ku Klux Klan!

Name me someone who's ridiculous, Dannie.
Governor Faubus!
Why is he so sick and ridiculous?
He won't permit integrated schools.

Then he's a fool! Boo! Nazi Fascist supremists!
Boo! Ku Klux Klan (with your Jim Crow plan)

Name me a handful that's ridiculous, Dannie Richmond.
Faubus, Rockefeller, Eisenhower
Why are they so sick and ridiculous?

Two, four, six, eight:
They brainwash and teach you hate.
H-E-L-L-O, Hello.

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