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segunda-feira, 31 de março de 2008

o pássaro na mão

(lápis s/papel, 2003)

"Nunca chega o momento em que se possa dizer:

trabalhei bem e amanhã é domingo.

Assim que se pára, começa-se de novo.

Pode-se pôr de lado uma tela e dizer que não se lhe lhe volta a mexer.

Mas nunca se pode escrever a palavra FIM."

Pablo Picasso

sexta-feira, 28 de março de 2008

aniversário


Quando, há um ano atrás, me propus criar este blogue, entendia-o como um veículo de divulgação do(s) meu(s) trabalho(s) e propunha-me escrever o menos possível, avesso que sou a justificações. Penso que a explicação do visível é sempre redundante e, por isso, ridícula e pretensiosa.
Fui fazendo dele uma espécie de diário de atelier, reflectindo sobre o meu trabalho, tentando enquadrá-lo sem, espero, jamais o justificar ou dar chaves para a sua interpretação.
Também, e “atento ao rumor do mundo”, comentei, talvez de modo demasiado adjectivado, alguns fenómenos exteriores que reclamaram a minha curiosidade, indignação ou mesmo perplexidade.
Peço-vos perdão, amigos que me visitais, por algum exagero menos reflectido.
Espero continuar a merecer a vossa paciente atenção.

quinta-feira, 27 de março de 2008

o porco no espeto

Mais um cromo para o meu “Álbum” Figueirense.
Desta calhou a vez ao líder concelhio do partido socialista.
O grande estratega da esquerda moderna local.
Julgo, porém, que este azougado Maquiavel do porco no espeto ainda procura o seu Príncipe perfeito: aquele que retirará a Figueira da Foz do opróbrio e da apagada e vil tristeza em que vegeta e a levará, incólume e exultante, ao futuro, logo a seguir.
Aguardem, pois.
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terça-feira, 25 de março de 2008

A expo do nacional

Como prometido, aqui estão algumas fotos da exposição do Restaurante Nacional. Como o restaurante tem duas salas, este fim-de-semana “trocámos” as exposições.







sexta-feira, 21 de março de 2008

a princesa e os elefantes do marajá

(mão, sol, elefante, esferográfica s/papel)

Tem onze anos e é muito dotada para as matemáticas, as ciências, as letras. E o desenho.
Tímida e introvertida, desde a mais tenra infância que desenha. Muito, compulsivamente, como se ao fazê-lo quisesse apoderar-se do mundo a que dá corpo com os seus traços. Desenhos precisos, delicados, cirúrgicos de minúcia.
Uma vez, confessei-lhe que o meu animal preferido era o elefante.
A partir de então, quando quer fazer-me um agrado, desenha-me um elefante. Mas não daqueles graves e pesados elefantes africanos da minha melancolia, não. Os seus elefantes são delicados, graciosos, de um humor ingénuo e transbordante, preciosos de pormenores, de mistérios, de atavios e ornamentos, dignos da exuberância e da majestade dos séquitos dos mais afortunados marajás.
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Antes de ontem, foi o Dia do Pai e ganhei mais um elefante.
Não há, nem nunca houve, nem haverá, em toda a Índia ou nos devaneios coloniais mais desvairados de um qualquer Kipling, um marajá com um séquito como o meu.
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segunda-feira, 17 de março de 2008

2 apontamentos para um retrato




Barack Obama é a imagem de uma certa esperança para um certo mundo.
Estes dois apontamentos (a traço simples) enquadram-se no espírito da caricatura, que é para alguns a essência da arte do século vinte. Mais fiel e total na sua verosimilhança do que o mais canino realismo.
Como eu sou um céptico incorrigível, receio que o retrato acabe por se parecer mais com o modelo de que ele consigo próprio. Isto é, receio que a sua essência não seja mais do que apenas uma imagem, vazia de conteúdo, amável e clean, que vende.
Espero sinceramente estar enganado. Porque para alguém que não é um cínico, apenas pessimista, qualquer expectativa gorada será sempre uma agradável surpresa.
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sexta-feira, 14 de março de 2008

A sensatez radical dos imbecis

A vida dos irresponsáveis caricaturistas seria um tédio sem estes cretinos sensatos e radicais.
Quando se está sem assunto, na mais negra das brancas, há-de sempre cair do céu um destes especímenes da estupidez alarve, mesmo que seja porta-voz do partido do governo e vice-presidente da sua bancada parlamentar.
-Claro que sim, excelência. Os caricaturistas merecem tudo o que lhes cai do céu na prancheta. Os imbecis merecem o céu e tudo o que cai da prancheta dos caricaturistas. Estão bem uns para os outros, sim senhor. Trata-se de uma troca tácita. É assim: os imbecis dão o assunto aos caricaturistas que em troca lhes concedem a posteridade. Capisce?

Ou deseja que lhe faça um desenho?
Já está.




Uma das boas coisas da democracia é que esta não obriga (ainda) os caricaturistas ao sufrágio universal, nem a qualquer outro tipo de avaliação. Se o fizesse, não tenho dúvidas que neste país até o humor seria triste.
Embora já vá havendo caricaturistas sensatos e titulares, que se prestam à avaliação do chiste à peça, o humor em Portugal vai sendo como em todo o lado, desopilante e irresponsável. É a sua índole, livre, imprevisível e libertária.
É por isso que eu vou sendo um democrata.
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quinta-feira, 13 de março de 2008

O nosso olímpico


Achacado por uma forte gripe, deixo-vos hoje uma caricatura do nosso olímpico, João Carlos Costa. É um apontamento amável e bem disposto do único figueirense que integra a comitiva de atletas que nos vai representar nos Jogos Olímpicos de Pequim.
Trata-se de uma caricatura que fiz a pedido para o blog Aldeia Olímpica.
Espero que não me leve a mal e que não falhe nem um.
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sábado, 8 de março de 2008

Hoje é à mesa


Sete e pico, oito e coisa, nove e tal.
Enfim, será mais ou menos pla hora de jantar que inauguraremos (eu e o meu amigo Jorge Rodrigues) a exposição que será a 92ª edição de “A Arte serve-se à mesa”, iniciativa que teve início em 1999 e já envolveu setenta e seis artistas.
No Restaurante Nacional, na Rua Mário Pais nº12, 1º - Coimbra.
Estão todos convidados. Depois mostro fotografias.

quarta-feira, 5 de março de 2008

3 esboços






Estou finalmente nos acabamentos do meu tríptico A Parábola dos cegos que, exposto no ano passado em Maio na Galeria da Magenta e embora bastante elogiado pelos meus pares, nunca me satisfez inteiramente.
De volta ao atelier e quase totalmente refeito, ali tem estado numa espécie de limbo, inacabado. Até agora. Será um dos oito trabalhos que levarei para a exposição do Restaurante Nacional, a 8 de Março, em Coimbra.
Estes são três estudos de mãos, dos inúmeros que realizei para esta obra que me tem ocupado (e mortificado) o corpo e o espírito há quase dois anos.
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segunda-feira, 3 de março de 2008

um esboço feliz





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No dia 15 de Novembro fiz este esboço de um pessegueiro.
Vejam o que acontece, na Primavera, com os desenhos felizes.

sábado, 1 de março de 2008

Improviso nº4 - A Nova Parvónia, ou o país dos patos-bravos








António Barreto, o sociólogo que foi ministro da Agricultura, achava que o país não precisava de produzir o que consumia, bastava importá-lo. Por isso, restituiu as propriedades agrícolas aos seus “legítimos proprietários”, que delas fizeram belas segundas residências, campos de golfe, reservas de caça ou estâncias (agora diz-se resorts) de turismo rural. O bom homem pensava, certamente bem fundamentado, que o desígnio nacional seriam os “serviços”: aviar copos e fazer camas aos turistas seria o destino traçado para um glorioso desenvolvimento.

O sociólogo realizou recentemente um muito celebrado documentário para a televisão onde pintava um retrato dourado e amável do Portugal dos últimos trinta anos, por fim livre do atraso da ruralidade.

Só que agora Barreto anda deprimido. Pessimista. Azedo. Desgostoso, pinta imagens tenebristas da mentalidade indígena. O país rural está às moscas, o litoral está apinhado, há mais velhos do que crianças e uma em cada quatro delas corre o risco de pobreza. Em três anos o preço do pão subiu 50%.
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Mas há algo de novo!
Um dado sociológico novo. Tão novo e tão extravagante, que me parece estranho que tenha escapado aos argutos observadores, comentadores, politólogos e sociólogos que do alto das suas colunas nos jornais de referência, vão fazendo opinião.
Este fenómeno novo é revelador de quão longe o país de hoje está daquele cliché rural tacanho e atrasado que tanto compungia Barreto, o pobre sociólogo.

E este dado novo, segurem-se, é a Arte.
A atitude do português perante a arte. “São poucos os sectores que não se queixam da crise em Portugal, mas um deles é o da arte, cada vez mais um bom negócio. Só no último ano apareceram em Portugal três novas leiloeiras”.

Os portugueses descobriram que a arte pode, em tempo de crise, ser “um activo diferente dos tradicionais”. E mais: “as pessoas aperceberam-se que a arte pode ser um investimento que não desvaloriza, pelo contrário”.


Ora digam lá se isto não é novo. O País está tão moderno que o burguês apreciador de arte já não se interessa apenas pelo que reconhece (as tradicionais paisagens, retratos ou marinas).

Agora até reconhece numa abstração ou mesmo numa instalação, activos que não desvalorizam!
Isto sim é um passo de gigante na evolução da mentalidade de lineu das elites endinheiradas!Trata-se do adeus definitivo à tacanhez dos tempos da ruralidade. E em tempo de crise!

O país não faz nada (os cereais que produz não chegam para bio-diesel), compra tudo feito.

Mas entrou definitivamente na contemporaneidade.
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terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Kissonde

(clicar para ampliar)
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Kissonde é nome de povoado do Kwanza-Sul, perto de Malanje, mas também a designação Kimbundo de uma formiga muito abundante em Angola. Mas não é uma formiga qualquer…
Dorylus Terrificus é o nome científico desta formiga vermelha, temível pela sua picada muuito dolorosa.
A escolha do seu nome para título de um novo jornal de humor gráfico parece-me todo um programa… Um bem achado e auspicioso programa.
A sociedade angolana que agora ressurge, parece-me, bem necessita de riso e do humor que despertem a inteligência, amenizem as malambas e tudo relativizem, salvo a consciência crítica.
Espero que os alvos do Kissonde, os poderes fácticos instituídos, não reajam como os alvos da formiga, ou seja, como habitualmente: com o recurso ao DDT.
Um abraço ao Kissonde e a todos os kambas que o fazem.
Uma longa vida e muitas picadas… a doer!
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