terça-feira, 26 de fevereiro de 2008
Kissonde
Kissonde é nome de povoado do Kwanza-Sul, perto de Malanje, mas também a designação Kimbundo de uma formiga muito abundante em Angola. Mas não é uma formiga qualquer…
Dorylus Terrificus é o nome científico desta formiga vermelha, temível pela sua picada muuito dolorosa.
A escolha do seu nome para título de um novo jornal de humor gráfico parece-me todo um programa… Um bem achado e auspicioso programa.
A sociedade angolana que agora ressurge, parece-me, bem necessita de riso e do humor que despertem a inteligência, amenizem as malambas e tudo relativizem, salvo a consciência crítica.
Espero que os alvos do Kissonde, os poderes fácticos instituídos, não reajam como os alvos da formiga, ou seja, como habitualmente: com o recurso ao DDT.
Um abraço ao Kissonde e a todos os kambas que o fazem.
Uma longa vida e muitas picadas… a doer!
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segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008
Até já
sábado, 23 de fevereiro de 2008
o tiro no pé

Ou António Costa e a lei das Finanças locais.
A conjugação do desenho e da foto-montagem digitais, para além de um campo imenso de possibilidades, é uma técnica que me diverte.
Apenas imagino o que teriam sido DADA e o agit prop, se George Grosz e John Heartfield e as novas tecnologias…
A conjugação do desenho e da foto-montagem digitais, para além de um campo imenso de possibilidades, é uma técnica que me diverte.
Apenas imagino o que teriam sido DADA e o agit prop, se George Grosz e John Heartfield e as novas tecnologias…
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008
Agora é Tomar
Foto daqui Pode conhecer o texto e assinar aqui.
Não conheço as intenções dos idiotas de mais esta engenharia cultural, mas nada me espanta que esteja em preparação mais alguma oferta pública, de mão beijada, do Património à “iniciativa” privada. Talvez do ramo da hotelaria… Ou do turismo e recreio...
Confesso que não tenho grande fé nestas iniciativas, aliás como na maior parte de outras. Mas é importante assinar. Para que seja notório, até para os imbecis, que a discordância com a estupidez existe. E tem Nomes. Assinam em baixo.
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008
o Abramovich da Tocha
Nesta galeria de notáveis locais que me propus ir desenhando, depois do mágico desconcertante, este é talvez o mais notável de todos... Ou isso.
Um self-made-man. Um fenómeno. A este, nem o céu lhe turva o horizonte, nem vertigens lhe embotam a escalada. Por isso mesmo adquiriu um avião, como Abramovich, para se deslocar nas suas inúmeras viagens empresariais de sucesso. Sim, que ele até já foi condecorado com a Medalha de Ouro de Mérito Profissional, pelo município de Vila Nova de Gaia.
Modesto. Confessa “não ser um homem rico”. Tem interesses e gere projectos, “Gosto muito de comprar terra e apaixono-me por ela. Depois, trabalho-as com muito carinho, não as encho de betão. O sucesso passa por aí.” É nesta parte que nem todos são unânimes.
Benemérito. Interessa-se imenso por causas sociais.
É mesmo o único empresário figueirense que respondeu ao desafio do presidente da República e aderiu à campanha contra a exclusão social, integrando a associação Empresários pela Inclusão Social (EIS). “Dá-me tanto prazer ganhar como dar, e procuro este tipo de situações.”
Ah, e a cultura. Interessa-se imenso pela cultura. Arrebatou em 2004, num leilão, um exemplar da primeira edição de “Os Lusíadas” por 32 mil euros. “Deu-me muito prazer comprar este livro por ser a primeira edição e por gostar de História. O livro há-de ir para um sítio de relevo na hora própria.”
Ah, e o desporto. Interessa-se imenso pelo desporto. É presidente da direcção do clube local há 15 anos. Este homem que garante que “tem parcerias de primeira água”, conseguiu levar o clube à 1ª divisão, após quase 100 anos a vegetar nos escalões secundários do futebol nacional.
Ah, e a Figueira da Foz. Interessa-se imenso pela Figueira da Foz.
Agora que a cidade ficou sem maternidade pública e que privatizaram a liberalização do aborto, ele quer oferecer-lhe uma clínica toda nova, na várzea da Tavarede. Privadíssima e super-moderna. Por dentro de um hiper centro comercial e com um mega parque de estacionamento por fora.
Sim, porque todos os interesses deste notável são superlativos.
* Os dados referidos neste texto foram recolhidos deste delicioso case study de jornalismo "prestável".
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segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008
O mágico desconcertante
De retorno à alegremente ilustrada iconografia de notáveis locais.
Hoje o personagem é desconcertante.
Não tenho notícia de ninguém que goste dele. Ou que, ou menos, o aprecie. Nem populaça, nem adversários, nem apaniguados. O homem faz o pleno.
Tem, no entanto, logrado fazer magia, quero dizer, carreira. Possui um qualquer je ne sais quoi, o invejável mérito (no seu meio), de se ter conseguido fazer eleger (ou nomear) consecutivamente: deputado, vereador, vice-presidente de Câmara Municipal, secretário de Estado, presidente da CCDR, etc. Uuff, um prodígio!
Vejamos que mais sortilégios vai tirar da cartola para sair desta, qual Houdini reencarnado.
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domingo, 17 de fevereiro de 2008
O mestre sem mestre
Já idoso, o seu magnífico rosto era muito semelhante ao do meu avô João: um velho e usado mapa onde intrincados sinais, traços e vincos como que representavam tortuosos caminhos e mistérios apenas iluminados pelo espanto de dois poderosos olhos, inquietos e perscrutadores.
Este desenho é uma pequena homenagem àquele que tendo sido um caricaturista e um homem do humor gráfico, também foi um desenhador compulsivo, um dramaturgo, romancista, ensaísta, pintor, poeta d’Orfeu, futurista e tudo: Almada Negreiros.
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sábado, 16 de fevereiro de 2008
escândalo

A todas as almas que se escandalizam pelo regresso do pudor, da hipocrisia e do medo, a propósito de mais este episódio patético, uma história exemplar:
quando o velho Buonarrotti deu a última pincelada na vetusta parede da capela Sistina, aquilo era uma exuberante desorganização à alentejana. Desde Deus himself, até ao mais anónimo dos diabinhos, estavam todos em pêlo. Roubos, estupros, assassinatos, etc, tudo representado au naturel! Que belo programa para a parede da capela-mor da cristandade! Só após a morte do velho e ousado artista é que um Papa anónimo mandou um aprendiz piedoso pintar uns paninhos à frente das vergonhas. O Juízo Final não era esta espécie de bacanal pífio disfarçado de festa de pijama que os crentes vêem pela televisão de cada vez que o Pontífice vem perorar contra a intolerância dos outros. Não! Era uma coisa muito mais hard. Confrontava directamente os cristãos com o seu próprio corpo, o seu arbítrio e a sua mortalidade. Foi censurado. A obra programática da contra-reforma foi censurada em casa, e mais, amputada ao ponto de não parecer hoje mais do que uma caricatura, muito apreciada por fieis cretinos e por turistas americanos.
E uma caricatura amarga e também irónica é que 500 anos depois, uma insípida Vénus nacarada de Lucas Cranach o velho, (que foi amigo de Lutero e autor da primeira iconografia do austero protestantismo), foi censurada num subterrâneo em Londres, ao abrigo de um desenterrado código moral vitoriano, com a justificação cínica e piedosa de "não ofender os passageiros multiculturais do metro".
Apetece cantar com esse honrado libertino, Jonh Lennon: “God shave the Queen!...”
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E uma caricatura amarga e também irónica é que 500 anos depois, uma insípida Vénus nacarada de Lucas Cranach o velho, (que foi amigo de Lutero e autor da primeira iconografia do austero protestantismo), foi censurada num subterrâneo em Londres, ao abrigo de um desenterrado código moral vitoriano, com a justificação cínica e piedosa de "não ofender os passageiros multiculturais do metro".
Apetece cantar com esse honrado libertino, Jonh Lennon: “God shave the Queen!...”
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sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008
Depois de mim, a música será assim!
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Este é mais um contributo para a iconografia alegre da inefável ministreza da educação, matéria em que Antero Valério é o reconhecido especialista.
Para uma gente com o alto prestígio, e o dúbio proveito, de ser algo quadrada em matéria musical (veja-se a recente entrevista de Charles Aznavour, em que o conhecido artista francês se queixava de que os músicos portugueses não sabem ler música!), as reformas em curso no ensino da música (e no ensino em geral) serão a cereja no toping. A almejada circulatura do quadrado da qualificação.
A partir desta reforma redentora, ”a música vai ser assim!”.
Num país em que os professores não lêem, os jornalistas escrevem mal e os engenheiros calculam pior, os ministros não sabem ler, escrevem mal e não sabem calcular. É pois, natural, que a tão desejada qualificação passe por “que as escolas de música públicas deixem de oferecer cursos de iniciação nessa área”.
A analfabetização geral está em curso.
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008
Improviso nº12 – pixação
Começou ontem, com muita fanfarra e não menos polémica, a festividade de curiosidades e bizarrias que o mainstream cultural tem para vender a tolos endinheirados e pretensiosos: A Arco de Madrid.
Mas a dinâmica mercantil do caldo de cultura liberal em que vivemos, ou seja, a lógica teixeiradossantos, já se apossou até do discurso de um insuspeito criador cultural, que fala agora como se fosse um secretário de Finanças. Gilberto Gil, o ministro da cultura do Brasil (país convidado, com mais de 100 artistas convidados), para justificar os 2.6 milhões de reais que empatou num evento comercial, soltou esta pérola: “A arte contemporânea que se faz no Brasil é cada vez mais apreciada como manifestação cultural mas também como valor no mercado”. E é «irrecusável» reconhecer a dimensão económica da cultura, pois esta representa aproximadamente 8% do PIB do Brasil.
Sempre me deixou algo perplexo o fascínio que este festival de bizarrias exerce sobre os media e até sobre artistas meus amigos. Há mesmo deles que fazem viagens organizadas ao logro. Olhem, aproveitem que estão lá, e vão ao Prado. A arte (helas) está no museu. A feira é de curiosidades. Digo eu.
Vivemos cada vez mais uma perversão cultural profunda: noutros tempos, era necessária uma caução de qualidade para a Arte vender. Agora, a qualidade é garantida e caucionada pela venda. Deve ser isto a função reguladora do mercado(!). Isto não tem que ver com liberdade, mas tem que ver com confusão de conceitos. E também de valores.
Apetece pixar tudo. Pode ser que venda.
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Apetece pixar tudo. Pode ser que venda.
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terça-feira, 12 de fevereiro de 2008
Ruy Duarte de Carvalho

O CCB iniciou ontem um ciclo dedicado à obra multifacetada do angolano Ruy Duarte de Carvalho.
É a primeira vez que o CCB dedica este tipo de destaque a um autor de língua portuguesa.
Conheço a obra deste angolano invulgar desde o final dos anos 70, quando adquiri um livrinho seu numa livraria em Chaves: “Exercícios de crueldade”, (a ilustração deste postal é a reprodução da magnífica gravura que acompanhava, em hors-texte, essa edição de poemas. É da autoria do pintor, também angolano, António Ole).

Ruy Duarte é um homem fascinado pelo Sul, pelo deserto e pelos povos transumantes dessas paragens de Angola, e eu acompanho-lhe desde então a desmesura e o percurso desse fascínio, através dos seus livros: Chão de Oferta; A decisão da idade; Como se o mundo não tivesse leste; Ondula, savana branca, Os papeis do Inglês, etc.
A explicação do cacto
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Um cacto reservado
acrescenta lateral o seu crescer
como se fora um cancro
em feminino sexo.
Emite um espinho novo que anuncia
O altear suave da excrescência-mãe.
Impele o corpo à volta, a modelar-se em bordos.
Depois adere à pele e funde-lhe os contornos.
Promove inchaços para expandir raízes.
Da inocência vegetal da posse
medida em seus segredos de expansão
um cacto aufere a graça
de acrescentar-se em escamas de silêncio.
Conquista assim
razões para a vocação que o determina.
A vocação do cacto:
fundir-se em carne e prosperar em gomos.
A explicação do cacto:
a mineral tendência para sentir-se imóvel.
O fascínio do cacto:
a carne imóvel exposta aos apetites.
A imobilidade do cacto enfrenta o quanto sabe
da curva das pressões e da língua dos ventos
quando encrespa as águas.
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segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008
Improviso nº11, o grito
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Os bancos preparam-se para cobrar 1,50€ por cada levantamento nas caixas multibanco. Isto é, de cada vez que levantar o seu dinheiro com o seu cartão, o seu banco vai à sua conta.
Este "imposto" (trata-se mesmo de uma imposição unilateral) aumenta exponencialmente os lucros da banca, que continuam a subir na razão directa da perda de poder de compra dos Portugueses.
Claro que estes podem como é de hábito, fechar os olhos, gritar e esperar que passe, mas assinando aqui - como fizeram já 165 000 outros desgraçados - talvez não seja pior.
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sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008
Improviso nº 10 - humor de carneiros
Em Espanha, a palermice também está no auge.
Depois da estória da apreensão da edição do el jueves e do processo em tribunal aos humoristas que ridiculizaram a actividade (re)produtiva dos principezinhos consorte, agora é um outro desenhador que se vê em bolandas com um processo judicial porque ironizou uma manifestação idiota liderada por dirigentes desportivos!
Vejam a estória toda e o boneco polémico aqui.
Como bem refere Bonil, “Hay querellas que tan solo llegan... a dar tema para otro dibujo.”
Aqui fica este, de improviso, em solidariedade com Lambert.
Depois da estória da apreensão da edição do el jueves e do processo em tribunal aos humoristas que ridiculizaram a actividade (re)produtiva dos principezinhos consorte, agora é um outro desenhador que se vê em bolandas com um processo judicial porque ironizou uma manifestação idiota liderada por dirigentes desportivos!
Vejam a estória toda e o boneco polémico aqui.
Como bem refere Bonil, “Hay querellas que tan solo llegan... a dar tema para otro dibujo.”
Aqui fica este, de improviso, em solidariedade com Lambert.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008
o enlace

S.A.R. está na moda.
Os portugueses estão enlevados com D. Carlos.
Até o prof. Marcelo, um real republicano, acha que o monarca era um grande pintor (!), e um oceanógrafo de mérito. O presidente da República inaugurou-lhe um monumento. Em cascais.
O fenómeno editorial que acompanha este enlevo com a real figura demonstra bem que para os portugueses, à míngua de futuro, o passado é sempre radioso.
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Soube há dias, nas notícias, que o regicídio nunca foi esclarecido. O processo desapareceu dos arquivos do ministério da Justiça. A República, hoje, continua fiel aos seus pergaminhos. Quereis mais provas de verdadeira realeza?
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Estes esponsais são bem dignos um do outro.O boneco regista isso mesmo: uma espécie de “O casal Arnolfini”, o testemunho de um enlace, só que sem espelho nem cachorrinho, nem sentidos invertidos, nem mistérios. Que quereis, não é Van Eick quem quer.
Saiu assim uma espécie de Botero mais perverso, mais literal, o retrato possível do fascínio entre um passado radioso ideal e um real presente de opereta.
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segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008
Os projectos do engenheiro (quando jovem)

Este é um retrato (algo cubista) do engenheiro e dos seus projectos de juventude. Sim porque, para mal dos nossos pecados, o infeliz estafermo já vai tendo obra feita…
Acho irónico que os liberais, que tanto juram pelo credo anglo-saxónico, minimizem agora a estória das engenhosas peripécias da juventude do sr. primeiro ministro.
Acho irónico que os liberais, que tanto juram pelo credo anglo-saxónico, minimizem agora a estória das engenhosas peripécias da juventude do sr. primeiro ministro.
E não acho que seja frívolo duvidar da índole, competência, capacidade e autoridade moral de alguém que arenga ao povo a toda-a-hora com o discurso da qualificação e assina coisas destas.
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