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segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Até já



Agora estarei menos por aqui.

Entre outros trabalhos, estou a preparar a exposição que tenho marcada para Março, no Restaurante Nacional, em Coimbra, em parceria com o meu amigo Jorge Rodrigues.

Deixo-vos com uma vista da porta do meu atelier.

sábado, 23 de fevereiro de 2008

o tiro no pé


Ou António Costa e a lei das Finanças locais.
A conjugação do desenho e da foto-montagem digitais, para além de um campo imenso de possibilidades, é uma técnica que me diverte.
Apenas imagino o que teriam sido DADA e o agit prop, se George Grosz e John Heartfield e as novas tecnologias…

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Agora é Tomar

Foto daqui

Está em curso uma Petição, já com muitas e prestigiadas assinaturas, contra a possibilidade do “desmembramento” do conjunto patrimonial do Convento de Cristo em Tomar.
Pode conhecer o texto e assinar aqui.
Não conheço as intenções dos idiotas de mais esta engenharia cultural, mas nada me espanta que esteja em preparação mais alguma oferta pública, de mão beijada, do Património à “iniciativa” privada. Talvez do ramo da hotelaria… Ou do turismo e recreio...
Confesso que não tenho grande fé nestas iniciativas, aliás como na maior parte de outras. Mas é importante assinar. Para que seja notório, até para os imbecis, que a discordância com a estupidez existe. E tem Nomes. Assinam em baixo.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

o Abramovich da Tocha



Nesta galeria de notáveis locais que me propus ir desenhando, depois do mágico desconcertante, este é talvez o mais notável de todos... Ou isso.


Um self-made-man. Um fenómeno. A este, nem o céu lhe turva o horizonte, nem vertigens lhe embotam a escalada. Por isso mesmo adquiriu um avião, como Abramovich, para se deslocar nas suas inúmeras viagens empresariais de sucesso. Sim, que ele até já foi condecorado com a Medalha de Ouro de Mérito Profissional, pelo município de Vila Nova de Gaia.

Modesto. Confessa “não ser um homem rico”. Tem interesses e gere projectos, “Gosto muito de comprar terra e apaixono-me por ela. Depois, trabalho-as com muito carinho, não as encho de betão. O sucesso passa por aí.” É nesta parte que nem todos são unânimes.

Benemérito. Interessa-se imenso por causas sociais.
É mesmo o único empresário figueirense que respondeu ao desafio do presidente da República e aderiu à campanha contra a exclusão social, integrando a associação Empresários pela Inclusão Social (EIS). “Dá-me tanto prazer ganhar como dar, e procuro este tipo de situações.”

Ah, e a cultura. Interessa-se imenso pela cultura. Arrebatou em 2004, num leilão, um exemplar da primeira edição de “Os Lusíadas” por 32 mil euros. “Deu-me muito prazer comprar este livro por ser a primeira edição e por gostar de História. O livro há-de ir para um sítio de relevo na hora própria.”

Ah, e o desporto. Interessa-se imenso pelo desporto. É presidente da direcção do clube local há 15 anos. Este homem que garante que “tem parcerias de primeira água”, conseguiu levar o clube à 1ª divisão, após quase 100 anos a vegetar nos escalões secundários do futebol nacional.

Ah, e a Figueira da Foz. Interessa-se imenso pela Figueira da Foz.
Agora que a cidade ficou sem maternidade pública e que privatizaram a liberalização do aborto, ele quer oferecer-lhe uma clínica toda nova, na várzea da Tavarede. Privadíssima e super-moderna. Por dentro de um hiper centro comercial e com um mega parque de estacionamento por fora.
Sim, porque todos os interesses deste notável são superlativos.

* Os dados referidos neste texto foram recolhidos deste delicioso case study de jornalismo "prestável".
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segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

O mágico desconcertante


De retorno à alegremente ilustrada iconografia de notáveis locais.
Hoje o personagem é desconcertante.
Não tenho notícia de ninguém que goste dele. Ou que, ou menos, o aprecie. Nem populaça, nem adversários, nem apaniguados. O homem faz o pleno.
Tem, no entanto, logrado fazer magia, quero dizer, carreira. Possui um qualquer je ne sais quoi, o invejável mérito (no seu meio), de se ter conseguido fazer eleger (ou nomear) consecutivamente: deputado, vereador, vice-presidente de Câmara Municipal, secretário de Estado, presidente da CCDR, etc. Uuff, um prodígio!
Vejamos que mais sortilégios vai tirar da cartola para sair desta, qual Houdini reencarnado.
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domingo, 17 de fevereiro de 2008

O mestre sem mestre


Já idoso, o seu magnífico rosto era muito semelhante ao do meu avô João: um velho e usado mapa onde intrincados sinais, traços e vincos como que representavam tortuosos caminhos e mistérios apenas iluminados pelo espanto de dois poderosos olhos, inquietos e perscrutadores.
Este desenho é uma pequena homenagem àquele que tendo sido um caricaturista e um homem do humor gráfico, também foi um desenhador compulsivo, um dramaturgo, romancista, ensaísta, pintor, poeta d’Orfeu, futurista e tudo: Almada Negreiros.
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sábado, 16 de fevereiro de 2008

escândalo



A todas as almas que se escandalizam pelo regresso do pudor, da hipocrisia e do medo, a propósito de mais este episódio patético, uma história exemplar:

quando o velho Buonarrotti deu a última pincelada na vetusta parede da capela Sistina, aquilo era uma exuberante desorganização à alentejana. Desde Deus himself, até ao mais anónimo dos diabinhos, estavam todos em pêlo. Roubos, estupros, assassinatos, etc, tudo representado au naturel! Que belo programa para a parede da capela-mor da cristandade! Só após a morte do velho e ousado artista é que um Papa anónimo mandou um aprendiz piedoso pintar uns paninhos à frente das vergonhas. O Juízo Final não era esta espécie de bacanal pífio disfarçado de festa de pijama que os crentes vêem pela televisão de cada vez que o Pontífice vem perorar contra a intolerância dos outros. Não! Era uma coisa muito mais hard. Confrontava directamente os cristãos com o seu próprio corpo, o seu arbítrio e a sua mortalidade. Foi censurado. A obra programática da contra-reforma foi censurada em casa, e mais, amputada ao ponto de não parecer hoje mais do que uma caricatura, muito apreciada por fieis cretinos e por turistas americanos.
E uma caricatura amarga e também irónica é que 500 anos depois, uma insípida Vénus nacarada de Lucas Cranach o velho, (que foi amigo de Lutero e autor da primeira iconografia do austero protestantismo), foi censurada num subterrâneo em Londres, ao abrigo de um desenterrado código moral vitoriano, com a justificação cínica e piedosa de "não ofender os passageiros multiculturais do metro".
Apetece cantar com esse honrado libertino, Jonh Lennon: “God shave the Queen!...”
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sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Depois de mim, a música será assim!


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Este é mais um contributo para a iconografia alegre da inefável ministreza da educação, matéria em que Antero Valério é o reconhecido especialista.
Para uma gente com o alto prestígio, e o dúbio proveito, de ser algo quadrada em matéria musical (veja-se a recente entrevista de Charles Aznavour, em que o conhecido artista francês se queixava de que os músicos portugueses não sabem ler música!), as reformas em curso no ensino da música (e no ensino em geral) serão a cereja no toping. A almejada circulatura do quadrado da qualificação.
A partir desta reforma redentora, ”a música vai ser assim!”.
Num país em que os professores não lêem, os jornalistas escrevem mal e os engenheiros calculam pior, os ministros não sabem ler, escrevem mal e não sabem calcular. É pois, natural, que a tão desejada qualificação passe por “que as escolas de música públicas deixem de oferecer cursos de iniciação nessa área”.
A analfabetização geral está em curso.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Improviso nº12 – pixação


Começou ontem, com muita fanfarra e não menos polémica, a festividade de curiosidades e bizarrias que o mainstream cultural tem para vender a tolos endinheirados e pretensiosos: A Arco de Madrid.
Mas a dinâmica mercantil do caldo de cultura liberal em que vivemos, ou seja, a lógica teixeiradossantos, já se apossou até do discurso de um insuspeito criador cultural, que fala agora como se fosse um secretário de Finanças. Gilberto Gil, o ministro da cultura do Brasil (país convidado, com mais de 100 artistas convidados), para justificar os 2.6 milhões de reais que empatou num evento comercial, soltou esta pérola: “A arte contemporânea que se faz no Brasil é cada vez mais apreciada como manifestação cultural mas também como valor no mercado”. E é «irrecusável» reconhecer a dimensão económica da cultura, pois esta representa aproximadamente 8% do PIB do Brasil.
Sempre me deixou algo perplexo o fascínio que este festival de bizarrias exerce sobre os media e até sobre artistas meus amigos. Há mesmo deles que fazem viagens organizadas ao logro. Olhem, aproveitem que estão lá, e vão ao Prado. A arte (helas) está no museu. A feira é de curiosidades. Digo eu.
Vivemos cada vez mais uma perversão cultural profunda: noutros tempos, era necessária uma caução de qualidade para a Arte vender. Agora, a qualidade é garantida e caucionada pela venda. Deve ser isto a função reguladora do mercado(!). Isto não tem que ver com liberdade, mas tem que ver com confusão de conceitos. E também de valores.
Apetece pixar tudo. Pode ser que venda.
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terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Ruy Duarte de Carvalho


O CCB iniciou ontem um ciclo dedicado à obra multifacetada do angolano Ruy Duarte de Carvalho.

É a primeira vez que o CCB dedica este tipo de destaque a um autor de língua portuguesa.


Conheço a obra deste angolano invulgar desde o final dos anos 70, quando adquiri um livrinho seu numa livraria em Chaves: “Exercícios de crueldade”, (a ilustração deste postal é a reprodução da magnífica gravura que acompanhava, em hors-texte, essa edição de poemas. É da autoria do pintor, também angolano, António Ole).





Ruy Duarte é um homem fascinado pelo Sul, pelo deserto e pelos povos transumantes dessas paragens de Angola, e eu acompanho-lhe desde então a desmesura e o percurso desse fascínio, através dos seus livros: Chão de Oferta; A decisão da idade; Como se o mundo não tivesse leste; Ondula, savana branca, Os papeis do Inglês, etc.


A explicação do cacto
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Um cacto reservado
acrescenta lateral o seu crescer
como se fora um cancro
em feminino sexo.

Emite um espinho novo que anuncia
O altear suave da excrescência-mãe.
Impele o corpo à volta, a modelar-se em bordos.
Depois adere à pele e funde-lhe os contornos.
Promove inchaços para expandir raízes.

Da inocência vegetal da posse
medida em seus segredos de expansão
um cacto aufere a graça
de acrescentar-se em escamas de silêncio.

Conquista assim
razões para a vocação que o determina.
A vocação do cacto:
fundir-se em carne e prosperar em gomos.
A explicação do cacto:
a mineral tendência para sentir-se imóvel.
O fascínio do cacto:
a carne imóvel exposta aos apetites.


A imobilidade do cacto enfrenta o quanto sabe
da curva das pressões e da língua dos ventos
quando encrespa as águas.

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segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Improviso nº11, o grito


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Os bancos preparam-se para cobrar 1,50€ por cada levantamento nas caixas multibanco. Isto é, de cada vez que levantar o seu dinheiro com o seu cartão, o seu banco vai à sua conta.
Este "imposto" (trata-se mesmo de uma imposição unilateral) aumenta exponencialmente os lucros da banca, que continuam a subir na razão directa da perda de poder de compra dos Portugueses.
Claro que estes podem como é de hábito, fechar os olhos, gritar e esperar que passe, mas assinando aqui - como fizeram já 165 000 outros desgraçados - talvez não seja pior.
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sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Improviso nº 10 - humor de carneiros

Em Espanha, a palermice também está no auge.
Depois da estória da apreensão da edição do el jueves e do processo em tribunal aos humoristas que ridiculizaram a actividade (re)produtiva dos principezinhos consorte, agora é um outro desenhador que se vê em bolandas com um processo judicial porque ironizou uma manifestação idiota liderada por dirigentes desportivos!
Vejam a estória toda e o boneco polémico aqui.
Como bem refere Bonil, “Hay querellas que tan solo llegan... a dar tema para otro dibujo.”
Aqui fica este, de improviso, em solidariedade com Lambert.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

o enlace







S.A.R. está na moda.
Os portugueses estão enlevados com D. Carlos.
Até o prof. Marcelo, um real republicano, acha que o monarca era um grande pintor (!), e um oceanógrafo de mérito. O presidente da República inaugurou-lhe um monumento. Em cascais.
O fenómeno editorial que acompanha este enlevo com a real figura demonstra bem que para os portugueses, à míngua de futuro, o passado é sempre radioso.
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Soube há dias, nas notícias, que o regicídio nunca foi esclarecido. O processo desapareceu dos arquivos do ministério da Justiça. A República, hoje, continua fiel aos seus pergaminhos. Quereis mais provas de verdadeira realeza?
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Estes esponsais são bem dignos um do outro.O boneco regista isso mesmo: uma espécie de “O casal Arnolfini”, o testemunho de um enlace, só que sem espelho nem cachorrinho, nem sentidos invertidos, nem mistérios. Que quereis, não é Van Eick quem quer.

Saiu assim uma espécie de Botero mais perverso, mais literal, o retrato possível do fascínio entre um passado radioso ideal e um real presente de opereta.
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segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Os projectos do engenheiro (quando jovem)


Este é um retrato (algo cubista) do engenheiro e dos seus projectos de juventude. Sim porque, para mal dos nossos pecados, o infeliz estafermo já vai tendo obra feita
Acho irónico que os liberais, que tanto juram pelo credo anglo-saxónico, minimizem agora a estória das engenhosas peripécias da juventude do sr. primeiro ministro.
E não acho que seja frívolo duvidar da índole, competência, capacidade e autoridade moral de alguém que arenga ao povo a toda-a-hora com o discurso da qualificação e assina coisas destas.
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sábado, 2 de fevereiro de 2008

Um anjo em ascensão

Este é o mês do Carnaval. Quero inaugurar os postais deste mês cumprindo a promessa que aqui fiz de ir mostrando caricaturas de notáveis locais. Aqui vai uma:



Ex-vereador, director - presidente (ou lá o que é) de várias empresas públicas, deputado do PSD com uma actividade frenética e incansável (ver aqui), ainda tem tempo para pertencer grupo parlamentar de amizade Portugal - Cuba. E queimar uns puros, que um homem não é de ferro.

Ainda recentemente, a propósito de um decreto governamental aprovando a transferência a custo zero para as Câmaras municipais dos terrenos desafectados às administrações portuárias, o ouvimos dizer: “Sou contra a especulação imobiliária, mas os terrenos da zona ribeirinha também não podem ser transferidos para depois ficarem sem nenhuma hipótese de utilização.”

Qual Calisto Elói, sempre em defesa dos valores do Portugal profundo, ainda ontem o vi no Parlamento, muito contrito por detrás de Santana Lopes, enquanto este apresentava, cem anos depois do real passamento, uma proposta de voto de pesar pela morte “de S. A. R., O rei Dom Carlos”.
Espero que a este (re)eleito pelo sempre soberano e sábio povo do distrito de Coimbra, não lhe aconteça o mesmo que ao anjo de Camilo.
Que nunca se deixe seduzir pelo luxo e pelo prazer e nunca caia na malhas insidiosas da depravação. A bem da nação.
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