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quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Improviso nº8 - o trópico de Fevereiro


Buarcos enfeita-se de tapumes e penachos.
O Rio de Janeiro continua lindo.
Mas aqui o Trópico é de Fevereiro.
A nortada acaricia a pele de galinha das celulites lívidas em exposição ao sol gelado da avenida.
Nem o Samba deslocalizado acalenta as almas pálidas e transformistas dos foliões tristes de todos os fevereiros.
Mas eu vivo na aldeia. Os basbaques irão todos daqui em romaria, gastar pneus e assomar às paliçadas.
É um descanso.
O Domingo será Gordo. E Terça-Feira.
São três dias.
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terça-feira, 29 de janeiro de 2008

conferência de casino



O ministro das Finanças deu uma conferência no casino da Figueira da Foz.
Sem nomear Marinho Pinto, criticou aqueles que falam muito de corrupção e não apontam nomes: Dar a percepção de que o problema é maior do que efectivamente pode ser, é prejudicar o país”.
É mais uma caricatura. Vão saindo. Directamente do paint para o blogue.
Esta está fresquinha.
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domingo, 27 de janeiro de 2008

extra!!!


a cruzada dos palermas

De volta à caricatura. Hoje o contemplado é António Nunes, uma espécie de grão mestre de uma espécie de ordem militarizada, higienista e sanitária, a ASAE, numa pausa da sua imarcescível cruzada contra o fumo, o fogo, a terra, o mar, o ar, as ginjinhas, as bolas de berlim e outros infiéis.
Ah, e como já vem sendo costume, envio-vos ao blogue do Daniel Abrunheiro para lerem mais uma das suas saborosas crónicas. Hoje é a propósito: "ASAE-vos uns aos outros". Desfrutem.
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sábado, 26 de janeiro de 2008

O meu xadrez

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Trata-se de outra das minhas experiências na recriação de objectos. Não é design. Apenas um object d’artiste. As peças foram concebidas a partir da conjugação de materiais diversos (madeira, latão, aço, ferro zincado, vidro).
Não se trata de uma simplificação do processo de fabrico reduzindo as peças a corpos simples, estereométricos, com o objectivo de facilitar a reprodução, como no caso de Josef Hartwig (o Bauhaus, que deu origem ao design industrial).
Aqui, embora construídas a partir de formas geométricas simples, as peças são elementos fortemente individualizados, com formas caprichosas e carismáticas.
Um capricho e um divertimento, como aqui. A minha filha adora.
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terça-feira, 22 de janeiro de 2008

O anjo das pernas tortas


Devem perguntar-se que faz o futebol neste blogue.
Isto não é futebol. É a magia da infância, o fascínio do milagre. O triunfo da Utopia.
A festa colectiva da alegria inocente.
É Arte. Eleva os espíritos.
E redime-nos deste entretenimento mercenário, meio sórdido meio bufão e programado que conhecemos hoje como futebol.
Isto é Garrincha.
Passam 25 anos que morreu Mané Garrincha, o anjo das pernas tortas.


(Nesta imagem, da Copa do Chile, Mané está rodeado por quase todo o México. Os que faltam, estão quase a chegar, por isso não ficaram na fotografia.)

Vejam o que dele disseram Vinícius de Moraes, Eduardo Galeano e Nelson Rodrigues.
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segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

João Abel Manta


João Abel Manta é um dos maiores artistas portugueses do século vinte.
Um grande artista com uma vasta obra diversificada (arquitectura, pintura, ilustração, etc.), quase secreta e desconhecida. “(…)não é uma pessoa de sociedade, não gosta de se ver misturado nessas multidões de intelectuais que rodeiam os governos, que se mostram nas inaugurações, que comem e bebem nos cocktails. Tão pouco gosta de mostrar a sua obra ao público, nem mesmo aos amigos. A obra é uma criação sua que só mostra ao público quando as condições são adequadas, ou quando sente necessidade, o que costuma ser raro.”
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A parte da sua obra que é mais conhecida do grande público é a sua vertente gráfica. Ficaram célebres as Caricaturas portuguesas dos anos de Salazar e os cartazes da revolução (MFA).

«Sou um pintor que em determinado período político do País, senti a necessidade de me expressar pelo cartoonismo, mas a minha luta de há dez anos para cá é sair da lista dos cartoonistas, já que nunca fiz o autêntico cartoonismo, que é uma anedota com um boneco. É uma profissão de que me sinto desligado, porque está a ser exercida de uma forma absurda, rastejante.»

A Humorgrafe, (link aqui ao lado) do crítico e especialista em caricatura e cartoon, Osvaldo de Sousa, e o BDJornal, publicação especializada em banda desenhada, estão a promover uma homenagem a João Abel Manta, a propósito do seu 80.º aniversário, que se cumpre a 29 de Janeiro de 2008.


Os trabalhos deverão ser entregues até final de Janeiro, estando já garantida uma exposição dos mesmos, no CNBDI - Centro Nacional de Banda Desenhada e da Imagem da Amadora e a sua edição num catálogo evocativo.
Até que enfim algo de jeito, uma verdadeira homenagem a um verdadeiro artista, num país onde elas costumam ser póstumas e onde prolifera a promoção quotidiana e impune da nulidade pedante e de outras mediocridades.
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sábado, 19 de janeiro de 2008

Eros e o segredo

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(desenho nº IV- Dez. 1983)


Este blogue não é propriamente a Biblioteca Nacional de França. Nem o meu baú se pode comparar com as suas caves.
Le voilá.É o número IV de uma série de desenhos eróticos que fiz sobre papel, em Dezembro de 1983 e foi sonegado desde então aos olhares públicos, tal como os tesouros licenciosos da Bibliothèque.
Também é para maiores de 16 anos.
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quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

o sr. Comendador



Não é uma caricatura (os traços caricaturáveis do personagem são mais a fala e a linguagem, não tanto os fisionómicos), mas mais um retrato.
Um retrato de um certo país fascinado com o ouropel da encenação mediática e da especulação bolsista de sucesso.
À composição, simples e estática, de três rectângulos sobrepostos, acrescentei algum dinamismo com as linhas cruzadas das pernas.
Esta simplicidade algo depurada e minimalista é realçada com o contraste das cores: contra o negro-armani do traje oficial do figurão, o acorde sempre feérico e kitsch das cores nacionais.
O que, convenhamos, se adequa a alguém a quem o Estado paga para ser visto como mecenas das artes.
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terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Conheça o mundo


(clicar nas imagens para ampliar)

Estes “gráficos” correram mundo através de correio electrónico como um trabalho intitulado "O Poder das estrelas", atribuído ao diplomata norueguês Charung Gollar (ONU – 2005), supostamente como uma apresentação do estado do mundo em 2004.
Pode ver mais aqui.
Na realidade são um trabalho de um publicitário brasileiro chamado Ícaro Dória, para a revista portuguesa “Grande Reportagem”, em 2004.
Sem dúvida muito criativo. Uma peça de arte de marketing político… Mas apesar disto os dados são reais, “foram tirados dos sites da Amnistia Internacional e da ONU.”
Ele explica tudo, aqui.
Uma pena o “estudo” não incluir a bandeira de Portugal estrelando dados, com certeza também muito interessantes…
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domingo, 13 de janeiro de 2008

a cidade dos prodígios


A realidade é mais prodigiosa que a imaginação.
Vejam este diálogo, trancrito de uma reunião na Câmara Municipal da Figueira da foz e digam lá se não parece ter saído da imaginação de Terry Jones ou de qualquer dos outros estarolas do non-sense e do absurdo.
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sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

A indústria do roubo de Arte


O Mercado ilegal de obras de arte é um dos principais crimes internacionais.
O crime movimenta tantos recursos quanto o tráfico de armas, drogas e animais selvagens.
Verdade seja dita que o trabalho dos ladrões é muito facilitado em países como o Brasil ou Portugal, pela falta de catalogação das obras e por deficientes condições de segurança dos museus ou Pinacotecas.
Um prazer distinto e solitário
O retrato de Susanne Bloch, de Picasso e o Plantador de café de Portinari, avaliados em 100 milhões de dólares, estão de volta ao MASP (Museu de Arte de S. Paulo). Este furto, ocorrido a 20 de Dezembro veio lançar a discussão sobre o contrabando internacional de obras de arte.
Para José do Nascimento Júnior, director do departamento de Museus do Ministério da Cultura do Brasil, é difícil estabelecer o perfil do receptador de obras de arte contrabandeadas. "É o chamado crime de distinção. São pessoas que gostam e entendem de arte, conhecem o valor de cada peça e têm um altíssimo poder aquisitivo. Quem encomenda ou fica com uma obra dessas tem o chamado prazer solitário, pois jamais vai poder dizer que é dono de tal peça. Por mais fechado que seja seu ciclo de relacionamento, não poderia haver ostentação."
Veja aqui a cronologia dos roubos de arte registados em 2007.

Quanto ao boneco que ilustra este postal, trata-se de um velho desenho meu, uma vinheta que servia de cabeçalho à “crónica do crime” no jornal A Linha do Oeste.
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