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sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Esconjurar demónios

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Está a decorrer uma recolha de assinaturas online para a instalação, em Lisboa (Largo de São Domingos), de um Memorial às Vítimas da Intolerância, evocativo do massacre judaico de Lisboa de 1506.
Assine aqui.
Eu já assinei. Porque sim.
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terça-feira, 27 de novembro de 2007

Nocturno, maternidade com gatos/ 2004

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Esta tela de 2004 pertence a uma série de pinturas, de que já vos falei, e que dediquei a uma reflexão sobre o pintor e a pintura. O artista e a sua obra, não a mundana e algo frívola temática do artista e o seu modelo.
Começou aqui, continuou por aqui, e culminou aqui.
Tratam-se de exercícios de manipulação de imagens, cujas sombras ou reflexos se transferem e se cruzam de plano em plano e sucessivamente se transfiguram numa representação ilusionista. Com todos os seus sentidos, duplos (e dúbios).
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sexta-feira, 23 de novembro de 2007

Pacheco, o pessimista irrequieto


Só se pode ser pessimista e agir como pessimista, até porque a ideia de que os pessimistas não fazem nada é típica dos optimistas na sua beatitude José Pacheco Pereira
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Esta espécie de efígie, ou caricatura, saiu-me assim, abrupta, depois da surpresa que foi a leitura deste texto, assustadoramente lúcido - vindo de alguém ligado a um aparelho partidário dominante, estrela da comunicação social “reverente”, enfim ao milieu, ao reino dos good felas

“(…)Portugal está cheio desta ordem do mando, como há muito tempo não se verificava. Ela está no PS, no PSD, no PP, no PCP e no BE, ela está no Governo dirigido por um conducator tecnocrático, autoritário e vingativo, para quem a liberdade e a democracia são valores menores subordinados à eficácia e ao culto do progresso, ela está numa comunicação social reverente e cada vez mais condicionada por agentes de comunicação profissionalizados, ela está numa economia tão dependente do Estado e do governo que se organiza mais para a influência junto ao poder do que para a competição, ela está numa sociedade civil tão dependente que não gera espaços de liberdade.QUEM FICA MAIS POBRE DEVAGAR ACEITA CADA VEZ MAIS O MANDOPorque é que já estivemos melhor e agora estamos pior e há retrocesso? Porque estamos a ficar mais pobres, com menos esperança, mais presos ao pouco que temos, mais confinados ao mesmo espaço minúsculo, todos em cima dos bens cada vez mais escassos a patrulhar para que os outros não fiquem com eles. Estamos a pagar o preço de um modelo “social” único, de uma Europa única, de um pensamento único que racionaliza este caminho para a pobreza como não tendo alternativa e pune a dissidência.Só se pode ser pessimista e agir como pessimista, até porque a ideia de que os pessimistas não fazem nada é típíca dos optimistas na sua beatitude.”20/11/2007 - 10:48 (JPP)
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quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Desenho 4, Janeiro 1982

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Neste, um pequeno apontamento de uma odalisca de Matisse e um estudo, todo em volume, de um torso feminino.
Ainda Henry Moore e reminiscências da escultura africana.
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terça-feira, 20 de novembro de 2007

A prova é Tintoretto, Jacopo

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Se se derem ao trabalho de ler esta notícia, terão uma dimensão da indigência vegetativa das elites “culturais" deste país, onde as descobertas são sempre feitas por acaso, “A tela foi “descoberta” quase por acaso. Manuel Morais, especialista na música do período maneirista, recolhe-se de vez em quando em Singeverga para trabalhar com tranquilidade e, em Abril passado, deparou ali com esta “Adoração dos Reis Magos”, que o deixou estupefacto. Ficou imediatamente convencido de que estava a olhar para um Tintoretto e informou o seu amigo Vítor Serrão, que se encontrava justamente no Museu do Prado a ver a exposição dedicada àquele artista.” e as soluções, devido à comprovada ignorância, incompetência e impreparação autóctones, têm sempre que passar pelo recurso ao estrangeiro, “Portugal não tem meios para estudar seriamente a obra e defendeu que deveria ser criada uma equipa internacional para o efeito, designadamente com técnicos do Museu do Prado, em Madrid.”
Assim, no país da Inovação (& da propaganda que até já exporta bláblá tecnologia) este episódio Tintoretto apenas põe a nu o... óbvio.
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domingo, 18 de novembro de 2007

O (meu) fantas

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(aguarela e nanquim s/papel)
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Há anos atrás, tentei ir para além das experiências com a impressão no meu pequeno atelier de artes gráficas, serigrafia e publicidade. Levei a ênfase(!) criativa ao ponto de participar em concursos de ideias e soluções gráficas, cartoons, cartazes, etc., um pouco por todo o lado.
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Estas eram duas das minhas sugestões para a mascote do FantasPorto.
O concurso para uma solução gráfica de uma mascote do conhecido festival de cinema fantástico ocorreu por volta de 1992 ou 93, não me recordo ao certo, como também não me recordo qual a solução escolhida, e premiada. Não terá contudo sido muito “utilizada” no marketing de promoção do referido festival, porque dela não tenho memória.
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Da memória, e de entre os papeis do meu baú, resgatei estas duas tentativas que julguei, na época, se adaptariam bem ao espírito “enfant terrible”, fantástico, rebelde e bem-humorado que o festival pretendia dar de si e não tanto à coisa mais generalista, nem carne nem peixe, em que se foi transformando… para ir sobrevivendo.
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sexta-feira, 16 de novembro de 2007

A falta e o respeito

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Picasso, As meninas

“(…) por paradoxal que seja, o que a falta de respeito implica acima de tudo é um conhecimento aturado do objecto de agravo, sem o qual o respeito nunca poderia ter existido e a sua falta nunca haveria de encontrar expressão.”
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Confesso que não estou habituado a concordar ipsis verbis com algo que vejo publicado.
É o caso deste texto de João Paulo Sousa.
Com um temperamento muito céptico, desde sempre me vi confinado a ser uma espécie de caso isolado, contra uma corrente massificada de teorias politicamente correctas, quase unanimemente aceites.
Confesso que me irrito, e convivo mal com isso, com a atávica tendência para a aceitação de modelos importados.
Agora, a moda generalizada e bem aceite, é a adopção cega, canina e deleitada dos preceitos da cultura anglo-saxónica, desde as suas vanguardas artísticas e culturais aos modelos económicos. O ridículo disto vai ao ponto de, por exemplo, os pivots da informação televisiva referirem nomes francófonos, germânicos, russos, etc., com a pronúncia anglo-saxónica. Mas o ridículo estende-se já à grafia, por exemplo, a capital da China deixou mesmo de ser Pequim e passou a ser Beijing.
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Mas agora, quando toda a propaganda oficial prega a sacrossanta Inovação, (a Inovação passou a ser o credo da república e de toda a opinião publicada), deixem-me exprimir alguma perplexidade:
-Como se pode inovar o que quer que seja se não se conhece?
-Como se pode pretender o novo se não se conhece o dado adquirido?
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.Retomando o texto em epígrafe, como se pode “faltar ao respeito” ao passado se não se tem dele conhecimento?
Penso que em vez de se promover o facilitismo, a ignorância, a informação pela rama e a adopção cega de modelos importados, talvez não fosse má ideia investir mais no Conhecimento. No auto-conhecimento. A inovação virá daí. Não de cima. Nunca vem de cima.
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Mas receio que, como sempre, e como escreveu um dia Daniel Abrunheiro, ”vamos todos a caminho do esquecimento, essa doce praia.”
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quinta-feira, 15 de novembro de 2007

Um esboço

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É Outono, quarto minguante.
Hoje de manhã, comecei um desenho. De um pessegueiro.
Olhem para ele, entre duas obras-primas, duas vetustas macieiras.
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quarta-feira, 14 de novembro de 2007

vejam bem

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A ministreza da cultura, srª drª Isabel P. de lima acha que "É de um provincianismo atroz pensar que só se qualifica a cultura mostrando o que é nosso. Isso é serôdio e provinciano".
Vai daí, para encantar basbaques pindéricos e o jetset da Caras ou quejandos, gastou uma pipa de massa nas rendinhas e ouropeis dos Romanov do Hermitage, fez um negócio asinino com o grossista madeirense da bolsa, o grunho berardo e, não contente, prepara-se para inaugurar mais três museus já em 2008.
Enquanto isso…
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segunda-feira, 12 de novembro de 2007

O nu e a máscara, 2006

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(acrílico s/tela, 80x100)

“a pintura é a arte de escavar superfícies”
Paul Claudel
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Nesta pintura, de 2006, embora ao nu e à máscara esteja atribuído todo o protagonismo do primeiro plano, é mesmo do fundo que vem (talvez) a revelação.
Do fundo, de muito para lá de uma superfície escavada de acordes de vermelhos intensos, laranjas, terras, rosas e ouro – há, num outro fundo, azul e negro, outro personagem, que parece observar.
O recorte, a contra-luz, da figura do artista que à porta observa a obra, será apenas um fundo literal, ou – como num jogo de espelhos, apenas uma imagem reflectida do pintor ou do espectador (vouyeur) que, assim, num ilusionismo perverso e manipulador é absorvido pela pintura? – verdade seja dita que, se um nu revela, uma máscara oculta ou, pelo menos, disfarça; dissimula.
Confesso que esta perversidade algo intelectual da “arte pela arte” já a perpetrei aqui, e aqui, e em outras ocasiões que vos mostrarei.
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Reconheço que o meu fascínio pelos enigmáticos, ocultos ou dúbios sentidos da imagem é uma questão de temperamento e também da minha devoção por artistas como Velásquez, ou de Chirico ou Picasso, cujas obras são exemplos manifestos contra a banalidade de todos os sentidos óbvios e literais.

sábado, 10 de novembro de 2007

os amigos de Alice

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os amigos de Alice- (80x100- acrílico s/tela)
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"As pinturas de António Menano parecem convidar quem as vê de olhos lavados a crer que essas pinturas são coisas simples, digamos como haikus espontâneos que saltam de uma boca falante e ficam pelo ar, brilhando quais pérolas naturais em suspensão. As coisas elementares parecem simples, e sê-lo-ão enquanto sobre elas a inteligência não se debruça, porque então, um haiku espontâneo, por exemplo, envolve-se em todo o seu denso mistério." Arsénio Mota
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Hoje às 16.30 o Museu Municipal Dr. Santos Rocha, na Figueira da Foz, inaugura uma exposição retrospectiva de António Menano. Pintura 1994-2007.
Procurei debalde nas edições on-line dos periódicos da cidade uma referência (pequena que fosse) a este evento. Nada. Lamentável. A opinião publicada da cidade dos melindres continua a pontificar pela estupidez e ignorância.
António Menano, com 71 anos, jornalista, poeta, escritor, crítico, dinamizador cultural, é um dos vultos "figueirenses" mais prestigiados das últimas décadas, responsável, há alguns anos, pelo período de maior atenção à criatividade contemporânea desta cidade.
Eu estarei lá.
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quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Desenho nº35, 1980

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(lápis s/papel)


De volta aos meus velhos papéis.
Este esboço de uma maternidade é de uma época em que o meu trabalho sofreu um forte impacto da escultura, sobretudo de Henry Moore. A preocupação com o volume e sobretudo com a forma orgânica é uma constante bastante evidente neste, como noutros da mesma época.
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segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Villafranca de los Barros

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(acrílico s/tela - sem título, Sandra Ferro)

Em finais de Agosto, uma vintena de associados da Magenta participaram em dois concursos de pintura em Villafranca de los Barros, um município com cerca de 12 mil habitantes, na Extremadura espanhola, quarenta quilómetros a sul de Mérida e oitenta de Badajoz.


Estes eventos, organizados por duas forças vivas do povoado, a Cooperativa de vinhos (Villafranca fica no centro de uma extensa região vinhateira), e o Centro Recreativo e Cultural, conseguiram aliciar artistas de toda a Espanha e de Portugal.


Foi a mim, como membro da direcção da Magenta, que me calhou levar as obras a Villafranca e testemunhar o vigor económico e cultural e o optimismo convicto de uma região muito semelhante pela geografia, clima e condições endógenas ao nosso abandonado e derrotado Alentejo mas muito diferente da nossa Figueira da Foz, cujas condições naturais para o desenvolvimento económico, social e cultural nos permitiriam almejar um outro patamar de desenvolvimento e elan cultural, não a apagada e vil tristeza que um fugaz contacto com a energia extremenha proporciona.


Tudo isto para vos dizer que está patente na galeria da Magenta, até ao fim do mês de Novembro, uma exposição dos quadros dos associados da Magenta que participaram nesses dois concursos-exposições, em Villafranca de los Barros, excepto um: o de Conceição Mendes, que venceu o 2º prémio e foi adquirido pela organização. Estão todos os outros, incluindo os três que mereceram menções honrosas: Miguel Oliveira, de Cucujães; e Gonçalo Mexia, de Lisboa e o magnífico e vigoroso abstraccionismo expressionista de Sandra ferro, de Aveiro, que ilustra este postal.
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