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sexta-feira, 14 de setembro de 2007

desenho 8, Março - 1984

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O estudo de um devaneio. Auto-retrato e fantasia. A Carvão e café.
Não sei se do café, se dos vinte e três anos que já me separam deste desenho, mas hoje escapa-me a transcendência (deliciosa) do pormenor do lápis atrás da orelha, à carpinteiro.
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quarta-feira, 12 de setembro de 2007

visão de horror

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Eis o verdadeiro combate ao terrorismo.
Antero Valério (o provedor satírico dos professores, como lhe chamou Zé Oliveira).
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terça-feira, 11 de setembro de 2007

os pombos verdes

“A pintura compreende três partes principais - desenho, proporção e cor.”
Piero della Francesca

A pintura compreende três partes principais - desenho, proporção e cor
Piero della Francesca
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Eis, como prometido, a outra parte do teste que a mim próprio fiz, em 2000: executar duas pinturas distintas utilizando exactamente a mesma paleta. Queria provar ser capaz de uma pintura leve e ligeira, quase pueril. Queria fazê-lo com os mesmos azuis, verdes, violetas, rosas e brancos com que faria um dos meus difíceis, carregados, inquietantes e habituais quadros.
Enquanto neste, o motivo é a infância, reencontrada através da emoção da paternidade e a petite sensacion é redonda, suave, calma e cálida, em os pombos verdes, o motivo é também, de certo modo, a infância, mas procurada e reminiscente. E aqui a sensação é fria e ânguloso e estridente o desconforto.
Penso que a resposta à questão da temperatura, intensidade e qualidade da emoção numa pintura, se pode sempre encontrar no exemplo e ensinamentos dos antigos, como a frase em epígrafe tão bem ilustra.
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sábado, 8 de setembro de 2007

Pavarotti


Digital. Aconteceu-me à pouco, no Paint.
Parece furioso. Os anjos e os santos é que vão ouvi-las. Que aguentem.
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sexta-feira, 7 de setembro de 2007

a crónica dos dias que passam

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Vivemos tempos sem a mínima glória. Não me lembro de tanta e tão triunfante mediocridade. Nem se me opõe já a clássica dicotomia Governo-Povo. Não, já não. Um e outro são medíocres, menos do que medíocres, rascas. Aquele porque não sabe mas manda, este porque obedece e não quer saber. O 25 de Abril está morto. Resta-me a esperança de que, ao menos, esteja mal enterrado.”
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Leiam aqui, a Língua Portuguesa no seu esplendor, magnífica, amarga e escarninha.
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quinta-feira, 6 de setembro de 2007

os que mudaram

Respondendo ao repto de Carlos Freitas*, de fazer uma lista de dez livros que não mudaram a minha vida, vejo-me na necessidade de esclarecer que o faço relutante, pois sempre achei um tanto frívola esta espécie de jogos de sociedade. No entanto, passeando pelos blogues, vi que “O problema é que as regras do jogo estão a ser outras: as pessoas escolhem os livros que não mudaram as suas vidas de entre obras que, quase sempre, pertencem ao «cânone». O que, ao fim e ao cabo, é sobretudo uma forma encoberta de clarificar opções literárias.”
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Ora, como clarificar opções literárias não é o meu campeonato, e decididamente não aprecio gastar o meu tempo a fazê-lo encoberto, isto é, às avessas, pela negativa e com frioleiras pedantes, vou subverter um pouco a coisa e dar uma lista de apenas 5 (cinco) livros que nem sequer li (nem o pretendo fazer) e que mudaram mesmo a minha vida (que, penso, seria diferente sem a existência de qualquer deles), assim como a de toda a gente.
São livros de receitas. Receitas que têm sido cozinhadas desde há imenso tempo, com sucessos desiguais, mas apreciáveis. Sempre na tentativa de tornar melhor o ser humano.
Alguns deles estão ainda à cabeceira de alguns reputados chefs da actualidade.

A Bíblia
O corão
O Capital, Karl Marx, 1867
Minha luta, Adolph Hitler, 1924
Capitalismo e Liberdade, Milton Friedman, 1962
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* Claro que Carlos Freitas me vai perdoar por ter subvertido o espírito da coisa. E por quebrar a corrente, ao não designar 5 blogues para incensarem a “forma encoberta” de “clarificar as opções literárias".
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terça-feira, 4 de setembro de 2007

a liberdade de expressão e o medo

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Por causa deste desenho, de Lars Vilks, publicado no jornal regional sueco Nerikes Allehanda no passado dia 18 de Agosto, o representante diplomático da Suécia no Irão foi convocado pelo Ministério das Relações Públicas faz hoje precisamente uma semana para ouvir um protesto contra a sua publicação. Quatro dias depois da publicação, uma pequena manifestação demonstrou o seu desagrado pela publicação, defronte da redacção do periódico.
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Galerias de arte suecas decidiram não expor as ilustrações do artista sobre o mesmo tema, alegando correr o risco de irritar os muçulmanos. Eram ainda reflexos dos tumultos do início de 2006, motivados pela publicação de um conjunto de caricaturas num jornal dinamarquês.” (in O buraco da fechadura)Notícias deste género têm-se multiplicado nos últimos tempos, veja-se este outro caso.Mas antes que se depreenda simplisticamente (o mal são os outros) que é apenas mais uma ameaça do fascismo islâmico, convém que não esqueçamos nunca que situações muito similares aconteceram entre nós, ou muito próximo, há bem pouco tempo: a censura no tempo do salazarismo, ou do franquismo, com os seus pruridos em relação a tudo e também à religião, com as repressivas medidas disciplinadoras cujas devastadoras consequências na liberdade de pensamento, a auto-censura e o medo, se sentem ainda hoje na formatação identitária e cultural de inúmeros cidadãos e grupos sociais.Nos últimos tempos, e um pouco por todo o lado, têm-se destacado também outros casos mas com o mesmo sentido único: limitar a liberdade de expressão. Como por exemplo a intenção do governo do Quénia de aprovar legislação no sentido de limitar o acesso ao jornalismo e à profissão de jornalista de pessoas sem formação académica superior (!). Este facto despoletou um protesto da Cartoonists Rights networks, visto que os mais notórios visados da tal medida, supostamente para elevar os padrões de qualidade da imprensa, são, como é fácil de depreender, os cartoonistas e profissionais do humor gráfico, os mais evidentes usuários da liberdade de expressão e sempre as primeiras vítimas das tentativas de a cercear.O curioso da coisa é que estas notícias surgem na nossa imprensa como factos remotos e quase caricaturais. Anedóticos. Típicos do 3º mundo. Mas a proposta do governo de Portugal para o Estatuto do jornalista consagra uma medida (entre outras no mesmo sentido acima referido) em tudo similar à pretensão do governo Queniano. E o facto do Presidente da República a ter vetado mas não a ter enviado ao Tribunal Constitucional não é muito tranquilizador (a proposta, se chumbada pelo TC, necessitaria sempre de uma maioria de dois terços para ser aprovada, depois de alterada).
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Assim, o mais certo é ser de novo aprovada pela absoluta maioria, com alterações muito cosméticas, ficando nós à espera, dependentes de um segundo veto do sr. presidente.
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Então, tranquilos?
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quinta-feira, 30 de agosto de 2007

máscara, 1981

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(acrílico e carvão s/aglomerado 40x60)
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Esta pintura é a mais antiga que eu conservo. Trata-se da minha primeira máscara, “pintada”. Data de muito antes de as máscaras se terem tornado motivos recorrentes. Tenho um grande carinho por ela, apesar de todas as (visíveis) fraquezas, como um pai por um filho mais frágil.
Como comemorei um destes dias o meu 45º aniversário, deu-me para o sentimento. Sempre são vinte e seis de pintura.
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segunda-feira, 27 de agosto de 2007

Desenho 23-24-25 fev/1981

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Mais um desenho “de bolso” que fui resgatar a uma das minhas pastas de “arquivo”. Este é de Fevereiro de 1981, e ainda conserva os vincos das dobras da “arrumação”. Data do tempo das minhas deambulações pelo Porto e dos meus devaneios com a forma e a sua projecção tridimensional, das aulas de desenho com Sá Nogueira na Cooperativa Árvore e da minha fascinação por Henry Moore e Picasso.
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sábado, 25 de agosto de 2007

retrato de mulher enquanto espera, 2000

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(acrílico s/tela - 60x80)
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Este quadro é um de uma série de estudos que fiz por esta altura, cujo motivo era a figura contra o fundo, neutro. Este é outro exemplo. Embora, também neste caso, a qualidade da foto deixe a desejar, ainda assim permite ver o que me interessava nesta série de pinturas: a máxima expressividade com o menor número de meios. Neste caso a figura destaca-se da superfície, não através de agudos contrastes cromáticos mas apenas pela gravidade do desenho.
O jogo de contrastes entre uma trama suave de tons (que vai do branco a tonalidades glaucas e cinzas passando pelo amarelo pálido e o rosado) e o desenho, algo ríspido e vigoroso - atinge o clímax no regaço, no centro visual da pintura, onde a suavidade e leveza dos tons aplicados se encontram com o escorço das mãos (como uma chave de ouro) a carvão, numa execução quase expressionista.
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Creio que existe nesta pintura uma tensão surda, não muito óbvia, mas latente.
Esta tensão que persiste, inquieta e subterrânea, justifica bem o título que escolhi para ele. E também testemunha a minha completa incompetência para a pintura ligeira, e como são sempre vãs e frustradas as minhas tentativas mais amáveis.

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

a cidade e as serras (II)

O texto que se segue é, como prometido, o resto da estória da minha viagem ao Lorvão, no regresso de Penacova.


(o "cadeiral" do coro)

De visita ao Mosteiro, por entre os urros que me chegavam do hospital psiquiátrico (que ocupa uma das suas alas), lá fui ouvindo a ladainha amargurada do guia e pude constatar in loco o estado de abandono do património e da cultura no país berardo do faz de conta que é modernaço, que quer avanços tecnológicos e até arte contemporânea (!).
Eu vi, de um órgão com 61 registos e duas fachadas opostas, apenas o rococó decrépito das fachadas.
Vi um claustro destroçado e decadente.
Vi duas telas enormes (uma delas representa Stª Teresa, filha de D. Sancho I), “acabadinhas de chegar do restauro”, encostadas no chão a uma parede e já manchadas pelos dejectos dos pombos.
Vi, numa sacristia, um sórdido caos de dezenas de telas, tábuas e esculturas (dos séculos XIV a XVIII) a precisar de restauro, talvez já impossível.
Vi, no cadeiral do coro, em nogueira e jacarandá negro do Brasil, uma parte deteriorada por um incêndio em 1970(!) e nunca recuperada.
Vi na sala do capítulo, entre pó e teias de aranha, em vitrina carcomida pela traça, uma Custódia em prata, entre outros tesouros mais ou menos deteriorados.

Bem se vai para fora , fica-se mal por dentro.
Mas eu recupero.
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sábado, 18 de agosto de 2007

mulher sentada com máscara negra e cachorrinho branco

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(acrílico s/tela, 50x70)

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António Menano, que já por diversas vezes se debruçou sobre o meu trabalho, é ele próprio, além de poeta, também um pintor e tem uma magnífica exposição da sua pintura (até ao dia 31 de Agosto) na Casa Museu Bissaya Barreto, em Coimbra.
Foi com António Menano à frente dos Serviços Culturais da Câmara Municipal da Figueira da Foz (no final do consulado de Aguiar de Carvalho), que o Museu Santos Rocha conheceu os seus melhores tempos, no que diz respeito à atenção às artes (e a artistas vivos).

É dele o texto que se segue, sobre o meu trabalho e, um pouco, sobre esta pintura. Foi publicado no semanário “O Figueirense”, em 2001

Sobre Fernando Campos

Há alguns anos, Fernando Campos ofereceu ao Museu Municipal um trabalho intitulado “A Batalha do Huambo”. Pintado a acrílico sobre tela, de grande formato, a tela foi juntar-se a outras também oferta de pintores, cujas mostras eu “patrocinara”. Forma de divulgar valores locais, ou radicados na nossa cidade, de retrospectivas de Mário Silva a Michael Barrett, e de tantos outros.
Serão, pois, sobre Fernando Campos, radicado na Figueira da Foz após a descolonização de Angola, também do grupo “resistente” do atelier do Bairro Novo, as palavras deste texto. Não estamos perante um autor de compromissos ou cedências. Diz não ao fácil, ao imediato, ao vulgar, mesmo ao comercial. Não pactua com o “gosto” aquisitivo mais interessado em decorar as paredes da casa, da empresa, ou do comércio, do que em compreender, ser a arte mais do que cópia do real, ou o “bonito”, de que Picasso tanto fugia a sete pés.
Na pintura de Fernando Campos encontraremos o gosto pelo clássico. Miguel Ângelo e Rembrandt influenciaram alguns dos seus trabalhos. Recentemente no Art à La Carte II, do Kiwanis Clube da Figueira, expôs um quadro que fazia recordar “Leda e o Cisne” de Miguel Ângelo (1529-1530), que, posteriormente, Augusto Hesse desenhou, e Lemercier litografou, em meados do século XIX. Aparecia na obra de Fernando Campos, mais realista, no sentido “baconeano” do termo (Bacon será outro dos autores “fetiche” de Fernando Campos), uma sensualidade ilustrada pela justaposição do cisne (ou pato), ao corpo feminino.
Não se saberá hoje, precisamente, o que é a arte. Mais do que tudo será libertação, mas será uma produção solitária a cuja acção poderemos “aplicar” as palavras de Lukacs: “o homem só age realmente se imagina, pelo menos subjectivamente, um significado para a sua actividade”. Outro quadro de F. Campos, intitulado “Retrato de mulher sentada com máscara negra e um cachorrinho branco”, dá-nos pistas para entendermos a sua arte. Nele há o mistério (a máscara), a cor negra (as raízes africanas do autor), a mulher (presença constante nos seus trabalhos) e um cachorrinho (que poderá simbolizar a pureza, a busca da simplicidade).
A unidade dos trabalhos do artista, sejam eles colagens, naturezas mortas, figuras femininas, será a metamorfose de quem, ao mesmo tempo, oculta e desvenda.
Não estamos perante uma pintura de fácil adesão. Não encontraremos nos trabalhos de Fernando Campos artifícios, ou a fácil “cópia”. A sua posição é feita da harmonia entre a experiência e a técnica, ambas procurando transgredir, mas sem deixar de estabelecer a relação entre a emoção, e a mais fria racionalidade.
Nikias Skapinakis disse: “Pode considerar-se que o acto criador é egoísta, desinteressado da comunicação e da acessibilidade da obra”. Nada mais verdadeiro, em relação aos trabalhos de Fernando Campos. Neles, o amor, a dor, a solidão, e até a morte, são momentos representados no impulso criador.
Mas não nos admiremos. O autor está em boa companhia, de Durer a Ribera, de Rembrandt a Goya, em cujas obras a morte inspirou alguns dos trabalhos.
A beleza não reside só no cor-de-rosa, ou no azul, ou no verde. Considerados, isoladamente terão a sua dinâmica.
O “extravasar de emoção” de que Ricardo Reis acusa Álvaro de Campos, pertence à obra de Fernando Campos. Talvez para alguns fria e cerebral, mas, principalmente uma “viagem” sem paisagens que não sejam (quase) as interiores.

António A. Menano in "O Figueirense", de 2001/10/12

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quinta-feira, 16 de agosto de 2007

um banho de humor lúcido

A propósito do desenho de humor gráfico e dos seus cultores, tão desvalorizados e constantemente acusados de “quanto pior melhor”, aqui vos deixo um testemunho de uma silly season de há cem anos:




(clicar para ampliar a imagem)

uma magnífica página, tirada daqui, de Manuel Gustavo Bordallo Pinheiro, filho do grande Rafael, sobrinho de Columbano e neto de Manuel Maria (uff, a linhagem é de Talento, a única excelência que reverencio).
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terça-feira, 14 de agosto de 2007

menina com pomba, 2000

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(acrílico s/tela 40x60)
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Ao meu trabalho, desde sempre, malgré moi, tem sido atribuída uma aura de “difícil” ou “pesado” e à minha paleta conotada uma pulsão “inquietante” ou “carregada”. E outros mimos, que se colam aos artistas como etiquetas.
Embora sinta uma certa incomodidade com pinturas leves e muito decorativas e sempre tenha manifestado total inaptidão para a pintura ligeira, por esta altura (2000) quis fazer-me um teste: executar duas pinturas distintas utilizando exactamente a mesma paleta. Queria provar ser capaz de uma pintura leve e ligeira, quase pueril. Queria fazê-lo com os mesmos azuis, verdes, violetas, rosas e brancos com que faria um dos meus difíceis, carregados, inquietantes e habituais quadros.

Para este escolhi como motivo uma menina brincando com uma pomba (na época eu gozava das delícias da paternidade, ainda recente).
Para o outro, os pombos verdes, que vos mostrarei em breve, o motivo é também, de certo modo, a infância. Ou pelo menos a sua memória.
Será a subjectividade uma questão unicamente da cor? Ou também da modulação, da intensidade, da intenção, da proporção e do desenho?
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domingo, 12 de agosto de 2007

disparate, 1987

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(acrílico s/tela 45x53)
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Possuo desta pintura apenas o registo fotográfico, dado que já não existe. Na mesma tela já pintei um outro.
Embora seja um trabalho algo atípico, tem as mesmas características do meu trabalho nesta época: fundos escuros e uma paleta muito contrastada. Trata-se do testemunho de um devaneio, um sonho de improviso, um disparate. No sentido dos de Goya: a materialização da visão de um pesadelo.
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