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quarta-feira, 24 de julho de 2019

Um asno de modéstia


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José Miguel Júdice aposentou-se. Da advocacia. Sobra-lhe agora mais tempo para a plítica (tem agora uma cátedra de comentadeiro na SIC). E para dar entrevistas, claro. Deu uma recentemente ao Espesso do Balsemão. Na qual diz que ah e tal “eu devia ser um cavalo de orgulho”. Assim- nem mais. Clara Ferreira Alves, a “jornalista” que fez, enfim, o servicinho, rendida ao charme discreto do velho oportunista, soltou umas pérolas envernizadas e embevecidas a propósito da admirável biografia do estafermo.
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Já uma vez me debrucei sobre a triste figura deste fascista lambe-cus – a quem dediquei todo um verbete, a 13 de Agostro de 2011, no meu álbum dos rostos da classe dirigente, aqui
Sobre a Ferreirinha alves é que ainda não. Nunca calhou. Mas fica prometido. Na rubrica “jornalismo de merda”.
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sexta-feira, 9 de agosto de 2013

o mandatário do candidato ataíde

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Cada terra tem seu uso e cada roca tem seu fuso. E é suposto que cada candidato tenha também seu mandatário.

Na Figueira da Foz, os candidatos têm por uso escolherem para mandatário alguém que, a seus olhos, encarne o conceito de prestígio que cultivam. De modo a que algum do suposto “prestígio” do mandatário recaia sobre o mandatado. Acham que isso lhes trará o sucesso.
O “sucesso”, para os pacóvios locais, aproxima-se muito da ideia que fazem de “prestígio”. Assim, o candidato almeida escolheu para seu mandatário uma ex-vereadora sucialista que integrou a equipa de Aguiar de Carvalho, cuja gestão o candidato almeida combateu e considerava a origem de todos os males do concelho e arredores.

Já o seu adversário, o juiz Ataíde, acaba de escolher para seu mandatário o escritor Gonçalo Cadilhe. O sobrinho de Miguel Cadilhe (de quem também já vos falei aqui). Sim, esse. O mesmo Gonçalo que há apenas quatro anos deu o seu “apoio total” à lista de Duarte Silva, adversária de João Ataíde, onde pontificava o actual candidato almeida.
-Confusos? Eu explico.
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Gonçalo Cadilhe é aquele tipo de escritor de causas fofas e bons sentimentos que defende o ambiente e o património e que, de um modo muuito geral se manifesta contra aquela ideia de urbanismo muito em voga em autarquias dirigidas por políticos dos partidos do candidato almeida e do candidato ataíde (digo de um modo muito geral porque ele não se pode debruçar de modo muito particular sobre as peculiaridades do urbanismo da sua terra natal por motivos profissionais - anda sempre em viagem).
Surfista amador, viajante profissional e escritor da moda, ele volta de quatro em quatro anos à sua terra natal - para uma banhada nas frescas águas do seu atlântico, para surfar a sua onda e, naturalmente, apoiar o seu candidato.
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Em 2009, por exemplo, deu o seu “apoio total” a Duarte Silva - já depois deste patrocinar (ou facilitar, ou assistir sentado e não fazer nada contra) o repugnante negócio do Galante. E também já depois de Duarte Silva assinar com os pés (com o sinistro José Miguel Júdice) o nefando negócio que iria transformar o Paço de Maiorca num hotel de charme e o transformou num pesadelo assombrado pela estupidez.


Todavia em 2013 Gonçalo viu algo em João Ataíde (o candidato contra quem ele apoiou “totalmente” Duarte Silva em 2009) e por isso aceitou mandatar a sua candidatura. 
Pode ser que algum do seu prestígio de escritor de sucesso se venha a derramar sobre o seu mandatado. E que este venha a ter o mesmo sucesso que, sei lá, Duarte Silva, em 2009.
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sábado, 13 de agosto de 2011

estória exemplar do filhodaputismo bi-polar




Se a minha avó tivesse rodinhas era um carrinho de bombeiros”, disse José Miguel Júdice. Bem, não disse mas podia ter dito. O que ele realmente disse (há uns anos e, a brincar) foi: ”se em 1980 o PS fosse como hoje, Sá Carneiro era PS” - o que, na prática, quer dizer que a avozinha do senhor é realmente um tinóní. E o senhor um engraxa-o-cágado (o cágado era Sócrates), ou seja, um merdas.
Mas isso foi há uns anos. Agora, o que ele diz a sério é que acreditou no que os amigos lhe diziam - mal - do novo líder, Passos Coelho. Hoje, nenhuma dessas realidades se mantém. É isso, o cágado, agora chama-se Coelho. E não espantará ninguém por isso que Júdice um destes dias afiance que se fosse hoje Sá Carneiro seria PSD. O que seria natural, pois mesmo em vida o homem passava o tempo a entrar e a sair do partido.

. Agora, mesmo a sério: José Miguel Júdice é um advogado, dos mais influentes do país, dizem (foi licenciado e lente em Coimbra meu deus), sócio de uma empresa que tem uma “visão próxima do cliente” e um empresário esclarecido (presumo que com uma visão próxima do advogado) que deve o seu sucesso a um sem número de qualidades que são o paradigma desse determinismo nacional do qual já vos falei aqui. Duas dessas qualidades são as piéces de resistance (enfim, o je ne sais quoi indispensável) do enriquecimento pessoal e do sucesso de empreendimentos de toda a ordem neste país: cara-de-pau e espinha flexível, para engraxar o cágado que tem o poder no momento. Uns têm, outros não. Ele tem. E sublima-as.

. Por isso mesmo e apesar da sua forte crença nas virtudes do mercado, Júdice deve muito do seu sucesso como empresário à sua prestação como advogado. Do Estado. Não há nada que ele não faça pelo Estado: dá-lhe consultas, dá-lhe pareceres, dá-lhe conselhos, enfim gosta. Mas do que gosta mais é de parcerias com organismos públicos. Câmaras municipais, e assim. Como a sociedade que constituiu com a da Figueira da Foz (com o objectivo da recuperação do Paço de Maiorca e sua posterior utilização como hotel de charme).
O Paço de Maiorca albergava então um valioso espólio de mobiliário e cerâmica (avaliado em 600 mil euros), oferecido ao município por um particular, na condição de ser exposto no referido edifício. A este respeito, António Tavares, actual vereador da Câmara da Figueira, conta, a pags 75/76 do seu imperdível opúsculo “Figueira da Foz – erros do passado, soluções para o futuro”, uma estória exemplar: “(…) veja-se que ainda o edifício não estava em obras, mal a sociedade com a Quinta das Lágrimas estava constituída e já algumas peças tinham “voado” nessa direcção”.

. Recorde-se que embora Júdice seja o feliz proprietário da Quinta das Lágrimas, em Coimbra, a estória da parceria que assinou com o município figueirense (tão bem explicada aqui) e o episódio contado por Tavares são tão exemplares, que podem bem ilustrar um compêndio sobre o enriquecimento pessoal e a prosperidade de muito do filhodaputismo nacional mais freneticamente adepto da economia de mercado.

Ah, José Miguel Júdice é ainda proprietário da “marca” Inês de Castro e escreveu um livro chamado “O meu Sá Carneiro”, pelo que se pode deduzir que já terá também privatizado o malogrado político nortenho (vocês sabem, aquele baixinho com um grande nariz), o que aliás, dadas as convicções económicas liberais de ambos, acho que faz sentido. Em todo o caso, si non è vero, è ben trovato.
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