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quarta-feira, 22 de julho de 2009

A pedagogia do riso



neste post me pronunciei sobre questões que dizem respeito ao humor gráfico.
Volto ao assunto instado por este encantador comentário do distinto vereador Vaz a um postal do meu amigo António Agostinho, no seu blogue outra margem.
O ilustre vereador tem a percepção errada de que o meu humor poupa todos, menos o seu candidato. Quanto a isso, sugiro a consulta do arquivo deste blog ou as etiquetas “Caricatura” e “Album Figueirense”.
Resta-me apenas esclarecer o nobre vereador e o seu candidato, ou outros, que o papel do humor numa democracia não é “abater alvos”. Deduzo, no entanto, que se têm necessidade que lho explique, decididamente nunca o irão entender.
O que é lamentável também é sintomático.
E tristemente revelador.
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Apraz-me registar a novidade do ênfase "igualitário" no discurso do partido socialista. É uma lástima que tal se reduza ao meu humor, mas não deixa de me deixar honrado que este seja reivindicado com vista a uma distribuição equitativa.
Presumo que deve ser isto a “consagração”.
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sexta-feira, 19 de junho de 2009

o estado do sítio




(comunicado)


Aos que se preocuparam com a minha ausência, devo uma penosa mas aliviada explicação: após excruciantes exames e quase um mês de angustiosa expectativa, a minha próstata está óóptima, “para um rapaz da sua idade”(!).
Já a coluna lombar, “focada de frente, perfil e oblíquas revela discartrose L4-L5 e L5-S1”.
Ah, e “esboços osteofíticos em relação com a espondilose”. E que não há nada a fazer.
Quanto ao computador, que se apagava a cada dez segundos, técnicos competentes dizem-me que também está bem, isto é, “não tem nada”. Detectado o rooter (não sei se é assim que se escreve isto) marado, técnicos também competentes chegaram à conclusão sensata que o problema foi MEO.
Portanto, “tudo cool, tudo nice”.
Este sítio continuará a ser actualizado com a frequência que permite a normalidade.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

a parada das sardinhas



A parolice não tem limites.
Na Figueira da Foz não há limites. A parolice pomposa só tem comparação com a chicoespertice. E é igualmente inimputável.
O Centro de Artes e Espectáculos (CAE) fez sete anos. A inefável empresa que gere esse (como eles dizem) “equipamento”, resolveu que as comemorações eram coisa para 3 dias. Porque, dizem, “o sete é um número mágico”(!).
Mas o que mais me intriga na “programação cultural” - para além das bandeirinhas e de uma grandiosa exposição (com entrada gratuita) que explica a prodigiosa política cultural da equipa que tem gerido o designado “equipamento” - são coisas como a “dança vertical dinâmica” e a “Sardinha Parade”. Da primeira até tenho medo de perguntar o que seja, mas deduzo que seja mais uma “actividade” para épater competentemente os pacóvios, tal como a segunda, da qual julgo ter lido que se trata de uma “actividade” em que 15 artistas plásticos irão pintar ao vivo outras tantas sardinhas gigantes(!), que durante o Verão serão colocadas em locais estratégicos da cidade, “até serem adquiridas por empresas ou entidades. A receita poderá ser entregue a instituições do concelho, explicou Ana Redondo.” (Devo dizer que não me canso de lastimar que alguns colegas meus continuem a aceitar participar neste tipo de anedotas circenses, ainda por cima, como sempre e lamentavelmente, à borla).
Claro que tão ambicioso programa “artístico” só pode ser acompanhado de um painel de “oradores ilustres” que tratarão de demonstrar quão rutilante terá sido a gestão económica e o brilho cultural do “equipamento” durante os seus sete anos de vida.
Não há sardinha parade sem um correspondente desfile de carapaus de corrida. Ah, e sem a habitual multidão de basbaques. Sim porque presumo que uma espampanante festarola auto-promocional como esta terá sempre, como eles dizem, um “público alvo”.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

o robô-poeta



Portugal tem, como nenhum outro país, a capacidade constante de se suplantar pela parvoíce.
É uma coisa incrível. Trata-se de uma verdadeira patologia nacional, tal como a obsessão pelo Guiness, o livro dos recordes.
Apesar de a zombaria com a política e até com a religião, serem mais ou menos unanimemente aceites e razoavelmente praticadas (embora em pequenos círculos) os tugas, tal como outros ignorantes, têm um respeito reverencial pela Ciência e um sincero terror ao ridículo; o que faz que quando a mais óbvia palermice é anunciada como científica, seja desde logo aceite com respeito circunspecto senão com verdadeiro entusiasmo.
É o caso de Leonel Moura, o artista do século vinte e um. Depois de inventar o robô-pintor (já aqui lhe dediquei uma posta), ei-lo de volta, desta vez com o robô-poeta. Chama-se ISU e “escreve poemas sem sentido(!).
Digam-me lá em que outro país seria possível tão ampla cobertura mediática de uma cabotinice “sem sentido”, sem a mais leve sombra de uma crítica, um remoque, um sorriso (quanto mais de uma gargalhada)?

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

improviso nº20 – Presépio


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“O Natal é bestial para se perceber a casa pia que Portugal é:
um menino nu entre um burro e uma vaca à espera que o crucifiquem não tarda nada.” Daniel Abrunheiro, aqui.
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domingo, 5 de outubro de 2008

improviso nº19 - humor científico


Este ano, o Prémio IgNobel da Economia foi para um estudo sobre a ovulação e as gorjetas das dançarinas de bar. “Segundo os investigadores, que analisaram os ciclos menstruais de 18 dançarinas durante 60 dias, à fase de ovulação corresponde uma maior quantidade de gorjetas. As dançarinas que usaram pílula contraceptiva durante o estudo não tiveram qualquer oscilação nas gorjetas durante o ciclo menstrual.”
Mas há mais. Vejam aqui.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

“Les connoisseurs”

Helas, o capitalismo não jaz morto, apenas ligeiramente arrefecido.
A notícia da sua morte foi, receio, um pouco exagerada.
Agora é tempo de procurar “activos que não desvalorizem”! É uma coisa que os tugas já fazem há muito, muito tempo antes da crise dos créditos hipotecários americanos.

Prevalece contudo um paradoxo que nada tem que ver com Arte e exige o desempenho dos lorpas do costume (enfim, o que seria do mercado sem o logro?) -Mas também de verdadeiros “conoiseurs”!
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Devo dizer que para esta montagem digital utilizei desavergonhadamente a imagem conhecida de “o conoiseur”, do grande ilustrador norte-americano Norman Rockwell.

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

improviso nº17 - a cunha equestre


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Há dias ouvi, distraidamente, na rádio, alguém referir-se à pertinência da erecção (sim, isso) em Portugal, de um monumento à cunha. Esse alguém referia-se mesmo à possibilidade de uma coisa equestre. Com o garbo e o panache das estátuas dos condotieri de antanho.
A cunha, essa ferramenta tão antiga e primitiva, mas primordial.
Para os portugueses ela é ainda a alavanca dos seus mais secretos desígnios.
Torna possível e alcançável desde um lugar no infantário até à ascensão social; desde o sucesso nos negócios à progressão na carreira, ao êxito desportivo (em Portugal, as vitórias cunham-se com mérito), e até mesmo ao reconhecimento do mérito artístico, eu sei lá.
Em Portugal não há oportunidade sem cunha e não há cunha sem merecimento. Sim, porque é preciso merecer uma cunha. O que seria do mérito sem a cunha?...
Urge portanto materializar uma homenagem a esse instrumento de emancipação dos portugueses.
Eu pensei nisso.
Aqui fica uma sugestão, à escala. Monumental.
O pedestal seria compósito, isto é, composto de duas partes, a saber: o pedestal propriamente dito, um bloco trapezoidal do mais negro granito e a cunha, na base, calçando o pedestal, no mais duro aço inoxidável (imperecível como um atavismo lusíada). Sobre o pedestal, empinada no mais alvo mármore de Carrara, a cavalar figura dos portugueses, coroada com uma cara em forma de cunha, em mármore rosa, de Estremoz.
A localização poderia ser em Lisboa, no Terreiro do Paço, a praça dos ministérios. Where else?
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domingo, 13 de julho de 2008

Improviso nº16 - mais uma bestialidade inglesa



Da capital incontestada da arte mundial, Londres (what else?), eis que chega o último grito.
Receio que isto configure assim uma espécie de psicofoda da Arte...

terça-feira, 8 de julho de 2008

improviso nº14- o Allgarve e o golfe de cátedra

Este postal foi-me sugerido por este, de Víctor Dias.
Se por acaso pensardes que estou no gozo, lançai os vossos próprios olhos sobre o “Diário da República”, o único jornal que apenas lida com factos. Consumados (ou, enfim, para consumar).
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quarta-feira, 2 de julho de 2008

Improviso nº15, a psicofoda

“O termo inglês "mindfuck" coloca um interessante problema de tradução. É um termo com menor circulação do que "bullshit", cuja análise foi feita por Harry Frankfurt no texto intitulado On Bullshit, já traduzido para português com o título Da Treta (Livros de Areia, 2006). O livro de Colin McGinn, Mindfucking: A Critique of Mental Manipulation, vem na sequência do texto de Frankfurt e tem por objectivo a clarificação de um conceito distinto mas que pertence à mesma família que os conceitos de mentira e de treta: o conceito de mindfucking ou psicofoda.“
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sexta-feira, 13 de junho de 2008

postal


Pode ser que o dia de hoje seja o dia de um poeta múltiplo e até de um santo ímpar e popular.
Mas para mim, 13 de Junho sempre foi o dia do aniversário do meu irmão.
É assim, faz hoje cinquenta anos.
Este é um postal fraterno.
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sábado, 7 de junho de 2008

Improviso nº 13, corrida “à portuguesa”




O Tribunal de Lisboa acaba de proibir a transmissão pela RTP de uma corrida de touros, decisão fundamentada na preocupação com a salvaguarda das criancinhas.
A partir de agora, touradas na TV, só a partir das 10.30h e com bolinha vermelha no canto superior direito!
A Justiça portuguesa está sempre muuuito preocupada com a integridade das criancinhas (veja-se o caso Esmeralda e o caso Casa-Pia).
Então, vai daí, o tribunal de Lisboa tomou uma decisão que, por exclusão de partes, cauciona todo o telelixo da programação das nossas estimadas televisões. Tudo é bom e nada prejudica as mentes influenciáveis das criancinhas. Tudo. Desde as manhãs da Fátima às tardes da Júlia; dos morangos com açúcar ao sórdido wrestling açucarado das tertúlias cor de rosa e às doutas e proféticas previsões do prof. Marcelo. Tudo.
Excepto as corridas de touros.
Suspeito mesmo que os fedelhos adeptos do car jacking, do bulling e até quiçá, do filhodaputing, sejam frenéticos aficcionados da Festa Brava e das Corridas televisadas!.
Eu quero que se danem a associação proanimal, a providência cautelar, o tribunal de Lisboa e a sua vara asinina que deliberou obrar tal iniquidade.
A corrida de touros é um jogo. O jogo mais antigo do homem. Um confronto entre o homem e o animal. Sem subterfúgios. Trata-se de um jogo limpo. Ali, o que está em jogo não é o que se pode ganhar mas sim o que se não pode perder. Não existem ali empates nem desforras nem conselhos jurídicos nem apitos nem recursos nem protestos… O que existe é uma noção de fatalidade inexorável. Mas também é um espectáculo e por tudo isto, creio que se trata de um espectáculo honesto.
No entanto, a sociedade do espectáculo não se conforma com espectáculos honestos, porque imprevisíveis. Gosta deles encenados, como o cinema, as entregas dos Óscares e os concursos de misses; ou simulados e com desfechos combinados, como o futebol. É mais tranquilizante.
Se a sensibilidade contemporânea não aprecia a verdade e a honestidade e prefere os simulacros é porque tolera mal a realidade e a consciência da fatalidade e da morte: o sentido trágico da vida.
Se a tourada “à Portuguesa“ já é, em si mesma, um triste simulacro, a mentalidade dos portugueses, muito permeável aos eufemismos do politicamente correcto, torna-se um campo aberto à aceitação de teorias bem intencionadas que pretendem preservar os meninos de todo o mal, potenciar neles uma espécie de estado de eterna inocência, fazê-los viver num eterno limbo, livres da consciência da fatalidade e dos factos da vida. Para esta nova espécie de seres humanos tudo o que lhes é permitido assistir é “a fingir”, nada pode ser real. Ficariam traumatizados.
Resta saber (e eu não sei se quero porque estou furioso) que espécie de mentalidade alienada e distorcida se está a tentar forjar nas jovens gerações, cobaias desta estranha e piedosa pedagogia.
Mas gosto de touros. A tauromaquia sempre foi um manancial para a arte. Pela cor, pela emoção, pelo movimento, pela paixão, pela fatalidade e por um especial acento gráfico em fortes contrastes estimulantes.
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Não, não sou sequer um aficcionado.
Não sou dessa tradição.
O meu amor aos touros é, digamos, platónico.
Gosto de os desenhar. Ao fazê-lo, gosto de pensar que sou capaz, por um instante, de encarnar, transfigurar e até sublimar uma profunda, visceral e atávica violência demolidora: a cornada.
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terça-feira, 27 de maio de 2008

Improviso nº5, a eloquência, avec elegance

Se a meia-idade pode ser “aquela em que um homem corre o sério risco de comportar-se como um ordinário”, também pode ser aquela em que a lucidez e o sentido do humor se refinam. Mas é, de certeza, aquela em que a veemência e uma certa gravidade se tornam mais eloquentes. Avec elegance

quarta-feira, 21 de maio de 2008

o mau-gosto e o péssimo ambiente


“Romper las normas de lo establecido, romper los esquemas del lector, buscar la transgresión debe ser, a mi entender, una de las herramientas básicas del dibujante satírico. Hurgar en la moral, desafiar el poder, romper ideas y gustos preestablecidos o saltarse los límites de las convenciones son nuestros recursos.”
Se o objectivo do desenho satírico é provocar uma reflexão, nada melhor, como escreve Kap, do que um forte impacto visual para “iniciar o processo intelectual que leva a massa cinzenta do leitor à ebulição”.
E porque “cualquier recurso que encienda la chispa en el cerebro del receptor es válido”, esta variação sobre o Improviso nº 11 foi-me sugerida pela leitura destas declarações do “presidente executivo” da Galp Energia.
Trata-se do contributo do mau-gosto para o discurso satírico.
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sábado, 1 de março de 2008

Improviso nº4 - A Nova Parvónia, ou o país dos patos-bravos








António Barreto, o sociólogo que foi ministro da Agricultura, achava que o país não precisava de produzir o que consumia, bastava importá-lo. Por isso, restituiu as propriedades agrícolas aos seus “legítimos proprietários”, que delas fizeram belas segundas residências, campos de golfe, reservas de caça ou estâncias (agora diz-se resorts) de turismo rural. O bom homem pensava, certamente bem fundamentado, que o desígnio nacional seriam os “serviços”: aviar copos e fazer camas aos turistas seria o destino traçado para um glorioso desenvolvimento.

O sociólogo realizou recentemente um muito celebrado documentário para a televisão onde pintava um retrato dourado e amável do Portugal dos últimos trinta anos, por fim livre do atraso da ruralidade.

Só que agora Barreto anda deprimido. Pessimista. Azedo. Desgostoso, pinta imagens tenebristas da mentalidade indígena. O país rural está às moscas, o litoral está apinhado, há mais velhos do que crianças e uma em cada quatro delas corre o risco de pobreza. Em três anos o preço do pão subiu 50%.
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Mas há algo de novo!
Um dado sociológico novo. Tão novo e tão extravagante, que me parece estranho que tenha escapado aos argutos observadores, comentadores, politólogos e sociólogos que do alto das suas colunas nos jornais de referência, vão fazendo opinião.
Este fenómeno novo é revelador de quão longe o país de hoje está daquele cliché rural tacanho e atrasado que tanto compungia Barreto, o pobre sociólogo.

E este dado novo, segurem-se, é a Arte.
A atitude do português perante a arte. “São poucos os sectores que não se queixam da crise em Portugal, mas um deles é o da arte, cada vez mais um bom negócio. Só no último ano apareceram em Portugal três novas leiloeiras”.

Os portugueses descobriram que a arte pode, em tempo de crise, ser “um activo diferente dos tradicionais”. E mais: “as pessoas aperceberam-se que a arte pode ser um investimento que não desvaloriza, pelo contrário”.


Ora digam lá se isto não é novo. O País está tão moderno que o burguês apreciador de arte já não se interessa apenas pelo que reconhece (as tradicionais paisagens, retratos ou marinas).

Agora até reconhece numa abstração ou mesmo numa instalação, activos que não desvalorizam!
Isto sim é um passo de gigante na evolução da mentalidade de lineu das elites endinheiradas!Trata-se do adeus definitivo à tacanhez dos tempos da ruralidade. E em tempo de crise!

O país não faz nada (os cereais que produz não chegam para bio-diesel), compra tudo feito.

Mas entrou definitivamente na contemporaneidade.
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quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Improviso nº12 – pixação


Começou ontem, com muita fanfarra e não menos polémica, a festividade de curiosidades e bizarrias que o mainstream cultural tem para vender a tolos endinheirados e pretensiosos: A Arco de Madrid.
Mas a dinâmica mercantil do caldo de cultura liberal em que vivemos, ou seja, a lógica teixeiradossantos, já se apossou até do discurso de um insuspeito criador cultural, que fala agora como se fosse um secretário de Finanças. Gilberto Gil, o ministro da cultura do Brasil (país convidado, com mais de 100 artistas convidados), para justificar os 2.6 milhões de reais que empatou num evento comercial, soltou esta pérola: “A arte contemporânea que se faz no Brasil é cada vez mais apreciada como manifestação cultural mas também como valor no mercado”. E é «irrecusável» reconhecer a dimensão económica da cultura, pois esta representa aproximadamente 8% do PIB do Brasil.
Sempre me deixou algo perplexo o fascínio que este festival de bizarrias exerce sobre os media e até sobre artistas meus amigos. Há mesmo deles que fazem viagens organizadas ao logro. Olhem, aproveitem que estão lá, e vão ao Prado. A arte (helas) está no museu. A feira é de curiosidades. Digo eu.
Vivemos cada vez mais uma perversão cultural profunda: noutros tempos, era necessária uma caução de qualidade para a Arte vender. Agora, a qualidade é garantida e caucionada pela venda. Deve ser isto a função reguladora do mercado(!). Isto não tem que ver com liberdade, mas tem que ver com confusão de conceitos. E também de valores.
Apetece pixar tudo. Pode ser que venda.
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segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Improviso nº11, o grito


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Os bancos preparam-se para cobrar 1,50€ por cada levantamento nas caixas multibanco. Isto é, de cada vez que levantar o seu dinheiro com o seu cartão, o seu banco vai à sua conta.
Este "imposto" (trata-se mesmo de uma imposição unilateral) aumenta exponencialmente os lucros da banca, que continuam a subir na razão directa da perda de poder de compra dos Portugueses.
Claro que estes podem como é de hábito, fechar os olhos, gritar e esperar que passe, mas assinando aqui - como fizeram já 165 000 outros desgraçados - talvez não seja pior.
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sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Improviso nº 10 - humor de carneiros

Em Espanha, a palermice também está no auge.
Depois da estória da apreensão da edição do el jueves e do processo em tribunal aos humoristas que ridiculizaram a actividade (re)produtiva dos principezinhos consorte, agora é um outro desenhador que se vê em bolandas com um processo judicial porque ironizou uma manifestação idiota liderada por dirigentes desportivos!
Vejam a estória toda e o boneco polémico aqui.
Como bem refere Bonil, “Hay querellas que tan solo llegan... a dar tema para otro dibujo.”
Aqui fica este, de improviso, em solidariedade com Lambert.